[CevAtlas] Missoes da Academia. Agencia FAPESP. Boa provocacao.

Laercio Elias Pereira laerciocev em gmail.com
Quinta Junho 26 08:44:52 BRT 2008


Pessoal,
Gostei da parte sobre o Departamento. Combina com:

(N)o quadragésimo-quinto minuto da aula final
Um funcionário da administração, visivelmente emocionado,
 ergueu um copinho de plástico branco, com café requentado
 de garrafa térmica, puxando um brinde "aos queridos companheiros
 alunos, professores e funcionários que, após muitos ofícios,
 memorandos, carimbos, processos, atas passadas a limpo e
 listas de chamada, tinham conseguido fazer do departamento
 uma imensa e inoperante repartição pública".
O artiguin "Parabola da aula final": http://ligcev.com/aulafinal

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Missões da academia
26/06/2008
Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Para cumprir adequadamente o papel central que terá
no desenvolvimento do Brasil, a universidade precisará contribuir com
a melhora do ensino básico, além de repensar seu modelo institucional
e criar novas redes de conhecimento.

Essas foram algumas das propostas apresentadas por especialistas no
debate "Universidade e desenvolvimento", nesta quarta-feira (25/6), na
Universidade de São Paulo (USP), durante o "Colóquio 2010-2020: Um
período promissor para o Brasil", que homenageia os 60 anos de atuação
do físico José Goldemberg.

Participaram do debate Carlos Vogt, secretário do Ensino Superior de
São Paulo, e os professores Glauco Arbix, do Departamento de
Sociologia, e Wanderley Messias da Costa, do Departamento de Geografia
da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Segundo Arbix, a universidade precisa entrar em sintonia com o esforço
do Brasil para se desenvolver. Ele afirma que as mudanças dos
processos e fluxos de produção do conhecimento nos últimos 20 anos
criaram novos desafios.

"É preciso criar e expandir redes de conhecimento, pois a educação, a
ciência e a tecnologia estão no centro da competitividade do país. O
conhecimento tem um papel central na produção de novas relações
econômicas e sociais", afirmou.

O professor apresentou uma série de propostas para aumentar a sintonia
entre a universidade e o ritmo de desenvolvimento. Para ele, a
universidade tem a responsablidade de fazer mais alianças com o setor
produtivo, o governo e a sociedade civil.

"Há também uma grande necessidade de remodelagem institucional: os
departamentos prejudicam o desempenho da instituição, porque são foco
de resistência às redes interdisciplinares. É preciso minar o sistema
departamental alocando a maior parte dos recursos em programas
multidisciplinares", disse.

Outra proposta de Arbix é criar mais programas interinstitucionais.
"No Brasil não temos mobilidade entre as universidades, nem de
docentes, nem de alunos, mas isso é necessário. Quanto à cooperação
entre universidade e empresa, trata-se de uma questão de
sobrevivência", afirmou

Arbix defendeu a adoção de um padrão mundial de pesquisa. "É
fundamental definir indicadores para avaliar a produção. Nesse
aspecto, estamos no caminho certo: as atividades da Capes [Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] e da FAPESP são
fundamentais para a universidade. Seguir um padrão internacional de
produtividade, com avaliação rigorosa, é essencial", destacou.

O sociólogo afirmou que a extrema concentração da pós-graduação em
ciências humanas é outro problema a ser combatido. "Temos um grande
crescimento da pós-graduação, mas onde estão esses mestres e doutores?
Dados da Capes mostram que 40% dos pós-graduandos estão na área de
humanas, a única que cresce. Não é com doutores em humanas que o país
vai se desenvolver", disse.

O professor da FFLCH afirmou ainda que é preciso implantar sistemas
meritocráticos para remuneração, carreira e promoções nas
universidades. Segundo ele, a estrutura de promoção por tempo de casa
e de benefícios por antiguidade são avessas à competição saudável.

"Outra proposta é construir uma rede global de pesquisa brasileiras.
Não se sabe quantos são, mas temos um enorme número de pesquisadores
bem posicionados em centros dinâmicos de produção do conhecimento no
exterior", disse.


Expansão e capacitação

Carlos Vogt apresentou o programa da Universidade Virtual do Estado de
São Paulo (Univesp), criado pela secretaria para expandir o ensino
público superior no Estado com o uso de novas tecnologias de
informação e comunicação. O programa agrega as três universidades
estaduais paulistas e oferecerá cursos de licenciatura em mais de 70
cidades.

"Na faixa etária dos 18 aos 24 anos, apenas 11% da população tem
acesso ao ensino superior. Em países como Chile, México e Argentina,
esse percentual está em torno de 30%. O programa terá o objetivo de
aumentar esse acesso e, ao mesmo tempo, contribuir com o
desenvolvimento ao melhorar o ensino básico por meio da qualificação
de professores", disse.

O primeiro curso a ser oferecido, com certificação pela Universidade
Estadual Paulista (Unesp), será o Pedagogia Univesp, com 5 mil vagas
para formar professores da 1ª a 4ª séries e gestores de escolas. Cerca
de 40% das atividades, assim como as avaliações, serão presenciais.
"Esse curso terá turmas de 25 alunos atendidos por um tutor. A seleção
será feita por meio de vestibular", explicou Vogt.

A Univesp, de acordo com o secretário, oferecerá também cursos de
pós-graduação, de extensão, de capacitação e de formação continuada.
"Teremos também um canal de televisão digital, em parceria com a TV
Cultura, com sinal aberto e que apresentará programas relacionados aos
cursos 24 horas por dia: a TV Univesp", disse.


Novo padrão de produtividade

Wanderley Messias da Costa, que também é coordenador de Comunicação
Social da USP, destacou no colóquio que, nos últimos dez anos, houve
um crescimento vertiginoso da produção científica brasileira, com
cerca de 17 mil artigos científicos publicados e formação de 10 mil
doutores e 32 mil mestres. Mas que o crescimento trouxe problemas que
precisarão ser solucionados.

"Há má distribuição desses recursos humanos: metade dos doutores está
no Sudeste. Há também um mau aproveitamento, pois as universidades
ainda são o principal mercado para os doutores. Essa qualificação
precisa ser expandida para fora da academia", disse.

Para ele, o crescimento da produção acompanha uma tendência global. "A
produção científica mundial se tornou tão grande que escapa à escala
humana: a cada ano são publicados cerca de 1,3 milhão de artigos
científicos, o que totaliza cerca de 3,6 mil por dia, ou 150 por
hora", disse.

A imensa produtividade, segundo ele, se refletiu em uma mudança do
comportamento dos pesquisadores. "Temos uma geração envolvida com um
novo padrão de produtividade e competitividade, estimulada sobretudo
pelo sistema Capes, que não tem tempo para participar de comissões e
reuniões. Não há mais tempo para politização das discussões ou para
participação institucional. É uma geração menos engajada e menos
institucional", disse.

Com esse processo, disse Costa, as universidades têm perdido autonomia
em relação às políticas de pesquisa. "O pesquisador está submisso a um
sistema draconiano de avaliação. Por outro lado, temos que reconhecer
que é preciso avaliar."

O desafio para os próximos anos, de acordo com ele, é harmonizar esse
perfil da nova geração de pesquisadores com uma necessidade cada vez
maior de participação institucional.

"A USP, por exemplo, tem 2 mil comissões permanentes, 40 organismos
superiores e 250 conselhos departamentais, além de inúmeras comissões
ad hoc, temporárias. Quanto mais democracia, mais comissões, mais
colegiados e mais burocracia. Ao mesmo tempo, o pesquisador tem menos
tempo para tudo isso", afirmou


-- 
Laercio Elias Pereira
http://ligcev.com/laercio
(82) 9913 8811 - Maceio'


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