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REPOSTA: RELIGIÃO X ARTES MARCIAIS

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Subject: REPOSTA: RELIGIÃO X ARTES MARCIAIS
From: "lucianomsbrito2003 <lucianomsbrito@xxxxxxxxxx>" <lucianomsbrito@xxxxxxxxxx>
Date: Sun, 25 May 2003 04:16:45 -0000
Caro "Vitone" e amigos deste grupo de discussão; gostaria de dar a 
minha humilde opinião sobre o tema: religião x Wushu.

Acessei o site da igreja citada por você e pude observar que o 
posicionamento da mesma não se embasa em nenhuma referência da Bíblia 
Sagrada que é o referencial teórico para os cristãos. Além do fato de 
se resumir a um parágrafo. 

Vale ressaltar que a referida igreja não é uma igreja de expressão em 
termos de número de adeptos no Brasil como por exemplo: Batista, 
Presbiteriana, Assembléia de Deus e outras, portanto, mesmo se fosse 
possível não representa o posicionamento dos evangélicos.

Fui um praticando assíduo do estilo Shaolin do Norte (dos onze katis 
cheguei ao nono ? instrutor-chefe), um estilo bastante tradicional e 
posso com toda sinceridade afirmar que nunca vi no meio (pelo menos 
aqui no Paraná) alguma insinuação ou prática sistemática ao satanismo 
nem a qualquer religião oriental.

Contudo, não devemos "tapar o sol com a peneira" sobre muitas coisas 
erradas que ocorrem no dia a dia das academias com relação a prática 
de qualquer arte marcial (Karatê, Capoeira, Wushu, Judô, Etc), desde 
as formas de aquecimento (forma incorreta de alongar, etc.) até a 
organização de competições e federações, bem como as possíveis 
orientações filosóficas incompatíveis com o cristianismo ou com a 
minha e sua maneira de pensar, agora daí a demonizar esta Arte 
Milenar que é o Wushu, acredito ser ridículo.



Para mim cabe a nós discernimos assim como Paulo falou: "[...] mas 
ponde tudo à prova. Retende o que é bom;" I Tessalonicenses 5.21. 
Fazendo assim, poderemos verificar que há muitos professores "maus" 
que incitam seus alunos até a violência e há os bons que pregam 
a "não agressão" a todo custo.

Finalizando gostaria de afirmar que numa sociedade plural como a do 
Brasil com muitas religiões (sem qualquer ecumenismo barato e muito 
menos sincretismo religioso) existem muitos valores e atitudes que 
são comuns e desejáveis a todos os seres humanos e culturas e que 
devem ser cultivados. Por exemplo: "não 
agressão", "solidariedade", "a preservação da vida", "combate a fome" 
e muitos outros.

Agora para ampliar a nossa discussão sobre o tema gostaria que dessem 
uma lida no texto abaixo, que traz uma abordagem mais teológica sobre 
o tema.

"[...] e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." João 8.32.

Paz e um abração! Shie Shie!

Pode o cristão praticar artes marciais ? 
http://www.terravista.pt/Bilene/2810/base/materias.htm
Um assunto controvertido no cristianismo de hoje é se o cristão pode 
ou não praticar artes marciais. Há três pontos básicos. Para obtermos 
uma perspectiva sobre este assunto, vamos considerar cada um 
brevemente.
·       Primeiro: alguns dizem que, por causa de sua origem não-
cristã (misticismo oriental), nenhuma forma de arte marcial deveria 
ser praticada por cristãos. Entretanto, uma origem não-cristã, por si 
só, não pode ser um fundamento suficiente para se rejeitar as artes 
marciais, uma vez que este ponto de vista comete o que chamamos 
de "falácia genética". O que isto quer dizer? Uma falácia é um 
argumento enganoso, sem fundamento. O termo "genética" quer dizer 
neste caso "origem". Assim, uma "falácia genética" é um argumento 
infundado que pressupõe que uma vez que a origem de uma crença ou 
prática esteja errada (por não ter uma origem cristã), sem considerar 
o seu desenvolvimento, ela ainda estaria errada hoje.

De fato, se fôssemos coerentes ao aplicar esse tipo de lógica, nós 
deveríamos abandonar a astronomia, porque suas raízes encontram-se na 
prática da astrologia. Entre os movimentos religiosos que usam e 
abusam da falácia genética se encontram as chamadas "testemunhas de 
Jeová". Estas recusam comemorar aniversários natalícios, Natal, Ano 
Novo, etc., pelo simples fato de estas práticas terem origem no 
paganismo. Em nenhum momento se leva em conta o desenvolvimento ou a 
evolução de uma crença ou prática. Ao invés de cometer a falácia 
genética, seria melhor tentar verificar o quanto de influência as 
crenças originais podem ter sobre um objeto de discussão, antes de 
descartá-lo prematuramente.
·       O segundo ponto de vista afirma que, contanto que o cristão 
separe os aspectos religiosos (misticismo oriental) das artes 
marciais, ele pode praticá-las. Para avaliarmos este ponto de vista, 
precisamos examinar brevemente algumas das principais ramificações 
das artes marciais. 
o       Aikido ? Significa "o caminho para a união com a força 
universal". Esta força impessoal é conhecida como "chi". O objetivo 
do Aikido é controlar tanto a si mesmo como o ambiente. Ironicamente, 
esta arte marcial é a mais compatível com o cristianismo no que diz 
respeito à sua natureza não-violenta; contudo, ela está imutavelmente 
mergulhada no misticismo oriental. 
o       Judô e Jiu-jítsu ? O Judô envolve técnicas de agarramento e 
lançamento ao chão. O Jiu-jítsu concentra-se em travar as 
articulações humanas e ocupa-se com as maneiras de dar golpes e 
manobras. Ambas as formas têm uma ênfase espiritual muito baixa. 
o       Caratê ? O caratê envolve meditação, que normalmente inclui o 
esvaziamento da mente da pessoa de todas as distrações externas. É 
nesse ponto que o caratê torna-se perigoso. Todavia, uma vez que o 
caratê é primariamente uma arte marcial física, o aspecto da 
meditação pode ser separado dele. 
o       Kung Fu ? O Kung Fu é muito diverso. Há estilos diferentes de 
Kung Fu. As formas mais tradicionais aderem de perto às suas raízes 
filosóficas budistas, enquanto as formas menos tradicionais 
concentram-se mais nos aspectos físicos. Geralmente, o Kung Fu é mais 
místico que o Caratê. 
o       Ninjitsu ? De modo geral, o Ninjitsu não é compatível com o 
cristianismo. Os Ninjas tentam assimilar-se a si mesmos com a 
natureza a fim de serem mais dissimulados, escondidos. A cosmovisão 
por trás do ninjitsu é o panteísmo (corrente filosófica que confunde 
o Criador com criatura e vice-versa, em outras palavras, Deus é tudo 
e tudo é Deus), que contradiz a visão cristã de que Deus não é o 
universo, mas o Criador do universo (Gn 1:1, 2). A visão cristã de 
Deus não admite tomarmos o Absoluto pelo relativo, o Infinito pelo 
finito. 
o       Tae Kwon Do ? O Tae Kwon Do é uma forma de arte marcial 
orientada para o esporte e o físico. É uma das formas de defesa 
pessoal oriental mais compatíveis com o cristianismo. 
o       Tai Chi Chuan ? O Tai Chi Chuan envolve a prática do taoísmo. 
A fim de alcançar o bem-estar físico, o estudante de Tai Chi Chuan 
deve estar harmonizado com o universo ao concentrar-se abaixo da 
parte central do corpo, ou seja, o umbigo (que, segundo dizem, é o 
centro psíquico do corpo). O Tai Chi Chuan não pode ser conciliado 
com o cristianismo. 

Em vista do acima exposto, fica claro que certas artes marciais 
não podem ser separadas da sua cosmovisão oriental, enquanto outras 
podem. O Aikido, o Ninjitsu e o Tai Chi Chuan são os mais 
incompatíveis com o cristianismo. Em última análise, se o cristão 
pode ou não participar de uma dessas artes marciais que podem ser 
conciliadas com o cristianismo, depende em grande parte do instrutor. 
Se o instrutor promove o misticismo oriental, o cristão deveria 
deixar a escola. Se o instrutor separa a prática da arte marcial da 
filosofia por trás dela, então caberá ao cristão, utilizando sua boa 
consciência, participar. Cabe a cada cristão respeitar a consciência 
do seu irmão. Um pouco de tolerância em questões não essenciais da fé 
cristã não faz mal a ninguém.(Romanos 14:1-12).
·       Um terceiro ponto de vista é o de que as artes marciais não 
são compatíveis com o cristianismo por causa de sua natureza 
violenta. Esta é uma posição legítima, porque muitas passagens nas 
Escrituras falam contra a violência (Mt 26:52). Entretanto, outros 
cristãos chamam a atenção para o fato de que, quando Jesus falou com 
soldados, ele não disse que combater fosse moralmente errado (Mt 8:5-
13). Além do mais, o apóstolo Paulo indicou que havia um uso legítimo 
da força pelo governo ao punir os malfeitores (Rm 13:1-5). É verdade 
que estas passagens não apóiam diretamente ou indiretamente as artes 
marciais (nem poderiam, pois não foram escritas para essa 
finalidade). Contudo, será a motivação que determinará se o crente 
deverá ou não praticar artes marciais. Pergunte-se: Por que quero 
praticar artes marciais? Para mostrar que posso bater em qualquer um? 
Para afligir o meu próximo? Se estas forem as motivações, então seria 
melhor nem começar. Porém, se a intenção incluir melhorar a condição 
física, ou mesmo a defesa pessoal (caso haja necessidade), então, 
pelo que parece, não deveria haver nenhuma objeção quanto ao cristão 
se envolver com as artes marciais. Os versículos supracitados levaram 
muitos cristãos a concluir que a Bíblia não condena a autodefesa. 
Apesar de apoiarmos esta conclusão, reconhecemos que o assunto de 
autodefesa é um daqueles que deve ser determinado pela consciência de 
cada crente, individualmente. Deve-se pesar os prós e os contras, e 
em sã consciência, perante Deus, decidir se irá ou não praticar artes 
marciais. Essa é uma questão de decisão pessoal.
Recomendamos que o cristão tenha em mente os seguintes fatores, 
caso resolva praticar uma arte marcial: 
1.      Primeiro, o cristão deve estar ciente de que, sendo esta uma 
área controvertida, ele deve ser cuidadoso para não causar tropeço a 
um irmão mais fraco (Rm 14). Ele não deixa de ser seu irmão, apesar 
de ser "fraco", ou de ter uma mentalidade incapaz de discernir entre 
o que é uma questão de fé coletiva ou uma de ordem pessoal. Mas, não 
deixa de ser lamentável que alguns "fracos" tentem impor a sua 
consciência aos seus irmãos. Todo o extremo deve ser combatido, não 
com violência, mas com mansidão e sabedoria. 
2.      Segundo (principalmente para os jovens), o cristão deve 
resistir à tentação de começar uma briga. 
3.      Terceiro, o cristão não deve permitir que uma arte marcial 
enfraqueça seu compromisso com Cristo (Hb 10:25). A arte marcial não 
deve ocupar o primeiro lugar na vida de um crente. Isso seria 
idolatria, pois se Deus não ocupa o primeiro lugar, então o 
seu "substituto" se torna o seu ídolo. 
Finalmente, o cristão deve orar, e examinar sua consciência e seus 
motivos para se envolver com artes marciais. 

Estes passos assegurarão que o envolvimento de alguém com uma 
arte marcial esteja baseado não em motivos fúteis, mas numa 
consideração bem refletida.
        
Extraída do Christian Research Newsletter - Volume 4, Issue l, p.6.
Traduzida por Paulo romeiro e Nelson Wakai 

 
http://www.web-brasil.com/evangelicos
http://am.brasil.com.br/listeo/
Uma boa matéria se começa com um bom assunto para as pessoas que 
queiram debater.






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