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[Cevmkt-L] GESTORES ORGANIZACIONAIS: ARQUITETOS DE UMA NOVA RELAÇÃO PROD

To: alcirmf@xxxxxxxxxxx, cevpg-l@xxxxxxxxxx, cevmkt-l@xxxxxxxxxx
Subject: [Cevmkt-L] GESTORES ORGANIZACIONAIS: ARQUITETOS DE UMA NOVA RELAÇÃO PRODUTIVA
From: alcir.magalhaes@xxxxxxxxxxxxx
Date: Tue, 10 Apr 2001 10:01:29 -0300
Para leitura.

FONTE : CDI

(Document link: Leituras Selecionadas)   GESTORES ORGANIZACIONAIS:
ARQUITETOS DE UMA NOVA RELAÇÃO PRODUTIVA


    "As  pessoas  devem ser acompanhadas, no sentido de que as organizações
percebam  o  impacto  que  suas  ações  provocam  em  seus desempenhos e na
qualidade de seus resultados - premissa de permanência".
    A  busca  por  modelos  de gestão que sejam capazes de gerar resultados
sempre  foi  um  ponto  significativo  no  perfil  das  organizações, desde
primórdios de sua história.
    Da  administração  cinentífica,  no  ponto de vida de Frederick Taylor,
Elton  Mayo,  navegando  na  burocracia,  no  fordismo,  no pós-fordismo, e
chegando  ao  liberalismo, vamos encontrar, com diferentes matizes, a mesma
variável: modelos de gestão eficazes, associando a competência no exercício
da liderança à eficácia na consecução de resultados.
    O que ressalta à análise é que esses modelos sempre tiveram como foco o
perfil da liderança, como se fosse ele a prioridade.
    O  que  se  pretendia,  e se pretende, na verdade, é a independência do
modelo  de  liderança  com  a  eficiência, ou melhor, com a efetividade nos
resultados.
    Peter  Drucker  rompe com esse paradigma, ao afirmar em seu texto com o
título "Nem todos os generais foram mortos", que prefacia o livro " O líder
do  futuro"  (Cultura,  São Paulo, 1996), que o modelo de liderança não é o
mais  importante,  o  que  importa  é a capacidade de influenciar pessoas e
gerar resultados. Isto sim, segundo Drucker, é a verdadeira liderança. Isto
sim,  complementaríamos,  é  um consistente modelo de gestão, sob uma ótica
contemporânea,  onde  a competitividade é a tônica e onde a qualidade é uma
premissa.
    E  como  operacionalizar  essa via, como transformar este caminho em um
meio  sólido,  sem  deixar  que a importância da liderança seja colocada em
plano  inferior,  o  que,  sem  dúvida  provocaria um impacto no alcance de
resultados, a verdadeira base da estrutura organizacional.
    Mary  Parker  Follet afirma que "o líder bem sucedido de todos é aquele
que  vê  um  quadro ainda não atualizado. Ele vê as coisas que pertencem ao
seu  quadro  presente, mas que ainda não estão lá... Acima de tudo ele deve
fazer  seus  colegas de trabalho verem que não é o seu propósito que tem de
ser  realizado, mas um propósito comum, nascido dos desejos e atividades do
grupo" (Bennis, Warren & Nanus, Burt, Líderes.  Harbra, São Paulo, 1988).
    Essa  abordagem  nos  permite  concluir que a construção de um ambiente
produtivo  onde  a  figura  da  liderança  é  imprescindível,  e  onde essa
liderança seja capaz de construir, com ferramentas adequadas, uma estrutura
de resultados efetiva (onde a eficiência e a eficácia se complementem).
    Warren Bennis, no livro supracitado (Líderes, Harbra, São Paulo, 1988),
e  mais  recentemente, no livro "A invenção de uma vida"(Campus, São Paulo,
1996), traz o conceito da arquitetura social.
    No  modelo  de  liderança associado a arquitetura social, identificamos
três perfis básicos de liderança:

    - Formalístico, calcado na estrutura, na disciplina e na hierarquia;
    -  Colegiado, onde o foco é o senso de equipe;
    - Personalístico, modelo que privilegia o indivíduo.

    Este  perfil  de  liderança  difere do modelo situacional, onde o líder
reage a uma manifestação atitudinal do liderado.

    1.  A  partir  da necessidade confirmada de consecução de um resultado,
com  impacto  direto  no  negócio,  o  líder estabelece uma relação entre o
objetivo a ser alcançado e a abordagem gerencial mais efetiva.

    Na medida em que o foco do negócio pressupõe a preservação da estrutura
organizacional, da disciplina interna ou da hierarquia, a ação da liderança
se   fará   pela   abordagem  formalística.Nesta  abordagem  é  fundamental
preservar-se um conjunto de premissas;

    - o processo decisório tem como base a direção previamente definida por
quem  detém  a  autoridade;  autonomia  e  "empowerment" não fazem parte da
cultura organizacional; não prioritariamente;
    - as formas de controle desenvolvidas pelo modelo se consolidam através
regras, leis, pela concessão de recompensas e aplicação de punições;
    -  a  fonte  básica  de poder formalístico está condicionada aos níveis
decisórios  superiores, ou seja, os detentores do poder e autoridade máxima
na estrutura organizacional;
    -  a finalidade desta abordagem é a obediência aos princípios, missão e
objetivos estratégicos organizacionais e a todo custo devem ser evitadas as
dissidências e discordâncias das orientações emanadas pela autoridade, e, a
possibilidade  de  que  sejam  assumidos  riscos  desnecessários, segundo o
padrão vigente;
    -  no modelo formalístico, a relação entre as pessoas na organização se
manifesta   pelas   regras  da  hierarquia  e  o  relacionamento  humano  é
estruturado;
    -      no modelo formalístico a base fundamental para o crescimento e o
desenvolvimento  dos indivíduos é proporcional a sua capacidade de seguir a
ordem  estabelecida  e,  como  conseqüência, a consecução dos objetivos e a
consolidação  do  negócio.- no modelo formalístico de gestão e liderança, a
perspectiva  temporal  é  o  futuro  de longo prazo, com a fundamentação do
planejamento estratégico.

    2.  Na  abordagem  em  que,  para  que  se  atinja  o objetivo deva ser
preservado  o  sentido  de  equipe,  desenvolvendo  processos sinérgicos, a
arquitetura prevê os componentes:

    - as decisões na equipe têm como base a discussão, para que se chegue a
um acordo, no qual o consenso é a verdadeira finalidade, a ser alcançada. O
consenso gera o comprometimento;
    -  a  forma  de  controle  em  um  modelo  calcado  no  senso de equipe
(colegiada), é exercido pela relação interpessoal entre seus componentes, e
pelo comprometimento - obrigação - de cada membro com o grupo;
    -  em  um processo colegiado (senso de equipe), o pensamento do grupo é
sua   fonte   de  poder,  um  pensamento  que,  partindo  de  uma  provável
heterogeneidade de percepções, chega a um posicionamento único - essa é sua
força;
    -  na  medida  que  a  finalidade do perfil colegiado é o consenso, não
atingi-lo  deve  ser  evitado,  pela  equipe.  Isto significaria uma quebra
importante, desfazendo a unidade de ação e pensamento;
    - num sistema colegiado, onde o senso e o espírito de equipe pontificam
o  sentimento  de  parceria caracteriza o relacionamento entre as pessoas e
este estará sempre voltado para o grupo;
    -  o  crescimento  e  o  desenvolvimento das pessoas componentes de uma
equipe  está  na razão direta de interagir e se integrar ao grupo, sendo um
membro aceito e identificado pelo e com o grupo;
    -  num  modelo  colegiado a perspectiva temporal é o futuro próximo, no
qual  se realizam as expectativas e os anseios pessoais de todos os membros
do grupo (como é de todo o grupo, não pode ser agora ... )

    3.   A  terceira  e  última  abordagem  deste  modelo  de  gestão  é  a
personalística,  que  privilegia  o  indivíduo e as características a serem
observadas pela liderança são:

    -  a  base de decisão a ser tomada deve contemplar a orientação interna
do  próprio  indivíduo,  e  dentro  desse  contexto, a forma de controle do
modelo  é  que  as  ações  individuais estejam alinhadas com seus conceitos
pessoais;
    -  a  fonte  de poder é o que o indivíduo pensa e sente e isso deve ser
considerado pela liderança, em sua linha de conduta;
    -  a  finalidade  do  modelo personalístico é a possibilidade de que os
indivíduos  cheguem  a auto realização, e a todo custo deve ser evitado que
as  atitudes  e  comportamentos  não  lhes  permitam ser verdadeiros com os
demais;
    -  a posição das pessoas em relação as outras pressupõe o foco centrado
do  indivíduo  e  o  relacionamento humano deve contemplar a preservação da
individualidade;
    - dentro dos critérios que regem o modelo personalístico, a base para o
crescimento  é  que  as  pessoas ajam de forma a agregar valores para o seu
próprio crescimento;
    -  a partir dessa linha de ação, a perspectiva temporal é o agora, onde
se realizam as expectativas e os anseios pessoais.

    Na  visão  de Peter Semge (A Quinta disciplina. Best Seller, São Paulo,
1990), existem um conjunto de atitudes possíveis em relação a um objetivo a
ser alcançado:

    - engajamento: a pessoa quer,- fará com que se realize; cria quais leis
ou estruturas que sejam necessárias;
    -  participação:  a pessoa quer,- fará tudo o que for necessário dentro
do espírito da lei;
    -  obediência genuína: enxerga os benefícios do objetivo; faz o que lhe
compete, porém nada além; segue o regulamento à risca;
    -  obediência  formal:  de  maneira  geral,  enxerga  os  benefícios do
objetivo; faz o que lhe compete, porém nada além;
    -  obediência  relutante; não enxerga os benefícios do objetivo; porém,
também  não quer perder o emprego; faz o que lhe compete porque é obrigado,
mas  não  esconde sua falta de interesse;- desobediência: não vê benefícios
no objetivo e recusa-se afazer o que lhe compete;
    -  apatia:  não é nem contra nem a favor do objetivo; nenhum interesse;
nenhuma  energia.A  prioridade  de  qualquer  modelo  de gestão é atingir o
objetivo  estratégico;  a  metodologia para que isso tome-se realidade deve
contemplar um mecanismo que otimize recursos, sem comprometer a estrutura e
a sobrevivência do negócio.
    Diante  de  uma  multiplicidade  de  posturas,  de  ações e reações dos
indivíduos  frente a realidade, faz-se necessário entender que, para que se
concretize o pensamento que John Kotter defendeu em seu livro "Liderar para
Mudança" (Makron Books, São Paulo, SP, 1997):

    -  "o  processo  decisório  no ambiente corporativo contemporâneo exige
mais  mudanças  em  grande  escala,  desenvolvimento  de  novos  produtos e
desenvolvimento de novos mercados;
    -  as  decisões internas na empresa devem ser fundamentadas em questões
complexas,  mais rápidas, tomadas em ambientes de incerteza e exigindo mais
esforços  e  sacrifícios dos implementadores;- este novo processo decisório
portanto envolve decisões compartilhadas, indica que ninguém sozinho possui
todas as informações apropriadas, ninguém sozinho consegue ser dono de toda
a  credibilidade,  ninguém sozinho consegue envolver todos os envolvidos em
um processo de implementação de mudanças, portanto ...

    O PROCESSO DECISÓRIO DEVE SER CONDUZIDO POR UMA COALIZÃO PODEROSA".

    É  essencial  perceber-se a necessidade de que essa "coalizão poderosa"
signifique  a  necessidade  de  haver  um  sentido de comprometimento com o
resultado,  e  não  obstante  qualquer  das  abordagens  mencionadas  neste
trabalho - formalística, colegiada ou personalística, a liderança dispõe de
um meio eficaz, quando não único para conseguir atingir de forma efetiva os
objetivos  a que se propõe: negociar.A negociação, portanto, mostra-se como
uma forma contemporânea de ação, um instrumento, de utilização constante, e
não  quando  necessária  ou  conveniente,  para  que  os modelos de gestão,
associados  a  uma  liderança  pró-ativa, cheguem a seus pontos previamente
planejados.
    Mesmo  quando  decisões  de base formalística tenham que ser acionadas,
vale  observar  a  negociação como uma forma de obtenção do comprometimento
das  pessoas,  mas  do  que  uma  necessidade  de  concessão  por  parte da
liderança.
    Portanto,  a  percepção de que a negociação é o instrumento mais eficaz
de  que  dispõem técnicas de gestão contemporânea para que resultados sejam
atingidos, estruturas sejam preservadas, equipes adotem perfis sinérgicos e
indivíduos atinjam a auto-realização, nos permite concluir:

    - a negociação é um instrumento de obtenção de resultados;
    - a negociação é um instrumento de ação de lideranças;
    - a negociação é um instrumento complementar do comprometimento;
    -      a  negociação  é  base  da  consolidação  de  modelos  de gestão
efetivas.



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