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Re: RES: [cevjudo-L] Referencial

To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Subject: Re: RES: [cevjudo-L] Referencial
From: mcgac@xxxxxx
Date: Mon, 20 Oct 2003 14:21:33 -0200
Amigo Roberto e demais amigos do Judo
Acho que estamos falando a quase a mesma coisa mas de modos diferentes. A troca
de msgs por e-mail não permite que nos estendamos muito para que se possam
explicar os detalhes. Em compensação, isso permite que a discussão prossiga em
doses homeopéticas mais prazerosas para a leitura ;o)
Quando mencionei o trabalho desenvolvido com as equipes de Tênis de Mesa no
Colégio Pdero II, eu havia dito que os primeiros classificados nos torneios
internos se classificavam para formar a equipe nos torneios estudantis e que
era aberto um horário a parte para seu treinamento específico, onde eram
aperfeiçoadas as jogadas mais fortes dos membros e ensinados novas formas de
saque, de recepção de saque, de sequencia de jogo e etc.. Todavia esse período
de treinamento a parte só acontecia 3 meses antes dos eventos estudantis e
quando estes se findavam também terminava o horário de treinamento específico.
Durante todo esse período os membros da equipe ainda podiam participar das aulas
da escolinha juntos com os demais colegas, permitindo a troca de experiencias
motoras e assim seguiam quando terminava o periodo de treinamento a parte.
Geralmente os torneios estudantis ocorriam no segundo semestre e esse
treinamento de equipe seguia de setembro a novembro apenas. Portanto, a ênfase
do trabalho acontecia sobre o esporte educacional e do esporte lazer (nas
peladinhas de pingue-pongue durante os intervalos e recreio) em função do
volume de trabalho ;o)
Deste modo, se permitiu a utilização do método de competição (Zakharov & Gomes,
1996; Gomes, 2002) dentro do processo educacional e se proveu oportunidade de
participação em competições de diferentes níveis de exigência seguindo uma
progressão pedagógica dentro do método. Aos que tinham melhor nível de
desempenho também eram gerados estímulos competitivos em progressão pedagógica
que lhes provessem condições de suportar as competições alvo sem maiores níveis
de estresse e com melhor desenvolvimento técnico.
Penso que deste modo, foi possível permitir a execução de um projeto esportivo
mais coerente e que permitisse a participação de todos segundo suas
possibilidades e desejos.

Nota: um dos meus alunos que ganhou nos torneios dentro da escola a sua vaga na
equipe percebeu que, apesar de possuir um nível de desempenho técnico superior
aos demais colegas, ele não se sentia bem a ponto de entrar em competições
entre colégios por causa das pressoes e do medo de perder ou coisa parecida.
Ele não foi pressionado de forma alguma. Não foi cortado dos treinamentos da
equipe e nem obrigado a competir nos torneios fora da escola, sendo um elemento
de bom nível a ajudar nos treinamento da equipe.

Conforme o Roberto mesmo falou, o projeto politico-pedagogico da escola tem que
ser pensado e revisto regularmente, pois nunca somos os mesmos ou pensamos da
mesma forma depois de algum tempo. Por isso essa nossa troca diária aqui nos
enriquece sempre. Penso que essa foi uma proposta que executei e que me deu
excelentes resultados mas nem por isso é a chave para resolver todos os
problemas educacionais ligados ao ensino de Judo. Ela conseguiu bons resultados
comigo frente as condições que eu tinha de trabalho e com o grupo de alunos que
participavam do processo. Talvez hoje eu não conseguisse os mesmos resultados,
mas achei interessante apresentar-lhes uma boa experiencia minha. Tivemos
alguns problemas também, mas iso fica pro próximo e-mail ;o)
Um forte abraço a todos em especial ao Roberto por permitir que esse tema
prosseguisse sendo debatido,
Mauro Gurgel



Citando Roberto <anjosrc@xxxxxxxxx>:

> Amigo Mauro e demais listeiros,
> Permita-me discordar um pouco de sua visão Mauro. O problema do processo
> ensino-aprendizagem em Judô vai um pouco mais além do que ressalvas em
> virtude da ampliação dos horizontes pedagógicos e de descobertas de novas
> potencialidades de atuação. Fico refletindo sobre o processo ao qual fui
> submetido, ainda criança, e encontro muitos motivos pelos quais eu poderia,
> hoje, nem querer ouvir falar em Judô o que, sabemos, contribui para que
> alguns abandonem a modalidade muito precocemente.
> Penso que os métodos ortodoxos servem de base para o início de uma discussão
> através da qual possamos rever alguns aspectos importantes. Focalizo a
> preocupação na construção de um referencial que inverta o fulcro do
> processo: ao invés de discutirmos quais os conteúdos e os métodos a serem
> aplicados, inicialmente precisaríamos discutir quais as necessidades
> maturacionais da criança e em que o Judô, realmente, pode contribuir para
> essa formação para, a partir daí, estabelecermos objetivos exeqüíveis e
> coerentes.
> 
> Um abração.
> Roberto Corrêa.
> 
> 
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> Leia a NETIQUETA das listas do CEV: http://www.cev.org.br/listas/dicas.htm 
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