Oi Roberto e demais amigos do Judo
Vc nào sabe como eu gostei de ler essa sua msg. Primeiro pq vc expressa bem as
sua sideias e segundo por que vc me resgatou lembraças muito gostosa da
infancia me fazendo passar por Nacional Kid com capa e tudo também. Essa vc
resgatou do fundo do bau - ah que saudades dessa época :o)
Mas vamos ao assunto em questão.
Bom eu tive umas experiencias pedagogicas bem interessantes no Colegio Pedro II
com o ensino de Tênis de Mesa (TM). Vou tentar contar a historia:
Bom quando lá entrei depois do duro concurso de 1994, eu entreguei um projeto de
implantaçào de um polo de Judô, mas devido a falta de verba e/ou de prioridades
com o orçamento curto como em toda instituição pública.
Entretanto ao entrar na Unidade em que trabalhava, vi 3 mesas apinhadas de
moleques de batendo em jogos para ficarem ganhando e mais tempo na mesa - quem
ganha fica.
Pensei entao, eu fui jogador do Flu por 4 anos de TM. Pq nao montar um projeto
pro Tm se ja tem mesas e jovens jogando?
Bom, foi isso que fiz e o negocio foi tao bem que em 3 meses eu tinha 180 alunos
inscritos!
Foi um show de trabalho. Todos estavam muito contentes e seus resultados me
geraram amigos (alunos e outros profs e diretores pro resto da vida).
Devido ao trabalho com TM pude ver as 3 manifestações do esporte sendo bem
trabalhadas:
1) esporte lazer - no pingue-pongue durante o recreio e nos intervalo das
aulas.
2) esporte educacional - na escolinha que foi montada.
3) esporte de rendimento - quando frente ao resultados dos torneios internos,
selecionava os melhores para disputar torneios estudantis. Aí era montado um
horario a parte da escolinha para treinamento especifico da equipe.
Bom, o trabalho foi um suceso em praticament todos os seus aspectos e provou-se
que as 3 forma de manifestação podem muito bem serem trabalhadas de formas
diferentes num mesmo ambiente - ate mesmo dentro de um ambiente escolar!
É isso que tenho a dizer e acho que a mesma ideia pode ser transferida pro Judo
respeitando as suas caracteristicas e objetivos especificos.
Acredito sim que haja espaço e possibilidades de se desenvolver esses tipos de
trabalho sem que um atropele o outro e todos sejam bem feitos com clientelas
especificas.
Acho que agora, pude clarear o que tinha dito anteriormente.
Um forte abraço a todos,
Citando Roberto <anjosrc@xxxxxxxxx>:
> Oi amigos listeiros e Mauro em especial
>
> Amigo, é exatamente essa dicotomia entre formação competitiva (esporte de
> rendimento) e formação educacional (esporte educacional) que, acredito, não
> deva existir, em especial na iniciação. Quem define qual das duas linhas
> seguir? A criança é que não é, pois não tem a consciência crítica necessária
> para perceber que, ou está servindo aos caprichos vaidosos dos pais que
> querem ter um filho precocemente campeão, ou servindo de alicerce para a
> manutenção do emprego do técnico no clube ou academia. Em ambos os casos
> esbarramos, novamente, no modelo social existente.
> Logicamente que se perguntarmos às crianças muitas delas dirão que querem
> ser campeãs. Fabrício já afirmou que o ser humano é um imitador por
> natureza.
> O que precisamos, de verdade, é conhecer quais as reais necessidades da
> criança. Quando digo reais necessidades estou falando de todas as dimensões.
> Por exemplo: a forma como ensino Judô em uma academia da Barra da Tijuca,
> com crianças de alto poder aquisitivo, é diferente da forma como ensino Judô
> na Vila Olímpica de Acari, com crianças moradoras em uma comunidade de "alto
> risco". De ambos os lugares poderá surgir um futuro campeão, mas o que
> determina a minha práxis são as crianças, da mesma faixa etária, mas com
> necessidades completamente diferentes. Deixo claro que não estou dizendo que
> uma é mais carente que outra. Ambas são carentes de estímulos, no entanto,
> diferentes.
> Mauro, quando a lei 9.615/98 definiu em seus primeiros artigos as formas de
> manifestação do desporto: educacional, de participação e de rendimento, fiz
> uma severa crítica por acreditar que toda manifestação do desporto deveria
> ser educacional, sob a ótica da educação permanente e para todos. A lei, e
> muitos professores/instrutores acabam confundindo "como o desporto se
> apresenta" com "aonde ele se apresenta". O desporto educacional - praticado
> nas escolas; o de participação - nas praças e em projetos sociais; e do de
> rendimento - nos clubes. Ora, quem acompanha sabe que os jogos
> intercolegiais não têm nada de educacional (de acordo com a lei). É
> rendimento puro, expondo às crianças a situações do tipo "se não for campeã
> não serve para estudar na minha escola".
> Quanto a sua pergunta se "há como equacionar as duas formas de trabalho para
> suprir as necessidades de uma clientela e de outra, respeitando as suas
> vontades?", respondo com outra pergunta: você permitiria que uma criança,
> seguindo seu instinto natural de curiosidade, enfiasse dois preguinhos em
> uma tomada sob o escopo de que, dessa forma, ela aprenderá o que é um choque
> e não repetirá a experiência? Quando eu era pequeno, era apaixonado por
> Nacional Kid, o super-herói japonês da época. Colocava uma toalha no pescoço
> e saía voando por aí. Um dia resolvi que ia parar um ônibus com as mãos.
> Felizmente minha mãe resolveu "não respeitar minha vontade", se não, penso
> que seria muito difícil estar aprendendo, hoje, com vocês.
>
> Um abração.
> Roberto Corrêa.
>
>
> -----Mensagem original-----
> De: mcgac@xxxxxx [mailto:mcgac@xxxxxx]
> Enviada em: sábado, 11 de outubro de 2003 01:42
> Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Assunto: Re: [cevjudo-L] Roberto
>
> Oi amigos
>
> Não sei bem mas me parece que se está tentando chegar a um consenso quanto a
> forma de se trabalhar e alguns aspetcos tem que se rlevados em consideração:
> 1) os objetivos do sensei que desenvolve um trabalho num grande clube
> competitivo como Flamengo é o mesmo que o sensei que ministra Judo no
> Colégio?
> ele pode ser demitido se nao obtiver resultados? e o sensei da academia?
> aonde
> ele fica? no meio termo? existe esse meio termo?
> 2) todos os judocas desejam a mesma coisa? todos são avessos à competição ou
> existem judocas, que mesmo sendo bem jovens, gostam de uma boa rinha?
> 3) há espaço para o Judo com enfase no esporte educacional? aonde ele se
> apresenta predominantemente?
> 4) e o Judo com enfase no rendimento, aonde ele se apresenta?
> 5) há como equacionar as duas formas de trabalho para suprir as necesidades
> de
> uma clientela e de outra, respeitando as suas vontades? como faze-lo,
> abrindo
> horarios para escolinha e trenamento de pre-equipe e de equipe como na
> natação?
> O que o colegas sugerem?
> Um forte abraço,
> Mauro Gurgel
>
>
>
>
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