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Re: [cevjudo-L] Roberto

To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Re: [cevjudo-L] Roberto
From: "Alexandre Drigo" <ADRIGO@xxxxxxxxxxxxxx>
Date: Sat, 11 Oct 2003 11:38:04 -0300
Roberto;
Tem um texto no scielo (www.scielo.br, site de divulgação científica da
FAPESP) cujo título é (perdão pelas palavras, mais o texto é acadêmico):
" Putas, escravos e garanhões:linguagens de exploração e de acomodação
entre boxeadores profissionais", no site:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-931320000002000
05&lng=pt&nrm=iso

Que acho que vc vai gostar e, concordando com vc, também gostaria de
aumentar a discussão que, olhando pelo prisma do texto, até mesmo quando
pensamos nos projetos sociais que ensinam o judô para crianças, até onde
isso é bom? Se realmente o objetivo é "detectar talentos" para promoção do
"sensei" bonzinho que está ensinando na favela, até quando as crianças não
são mercadoria de ascensão social para o altor do projeto, tendo em vista
que no judô o prestígio não vem com o dinheiro, mais sim com o acúmumulo de
horarias (no caso Dans ou troféus)?
Abraço
Alexandre


----- Original Message -----
From: "Roberto" <anjosrc@xxxxxxxxx>
To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Sent: Saturday, October 11, 2003 8:42 AM
Subject: RES: [cevjudo-L] Roberto


> Oi amigos listeiros e Mauro em especial
>
> Amigo, é exatamente essa dicotomia entre formação competitiva (esporte de
> rendimento) e formação educacional (esporte educacional) que, acredito,
não
> deva existir, em especial na iniciação. Quem define qual das duas linhas
> seguir? A criança é que não é, pois não tem a consciência crítica
necessária
> para perceber que, ou está servindo aos caprichos vaidosos dos pais que
> querem ter um filho precocemente campeão, ou servindo de alicerce para a
> manutenção do emprego do técnico no clube ou academia. Em ambos os casos
> esbarramos, novamente, no modelo social existente.
> Logicamente que se perguntarmos às crianças muitas delas dirão que querem
> ser campeãs. Fabrício já afirmou que o ser humano é um imitador por
> natureza.
> O que precisamos, de verdade, é conhecer quais as reais necessidades da
> criança. Quando digo reais necessidades estou falando de todas as
dimensões.
> Por exemplo: a forma como ensino Judô em uma academia da Barra da Tijuca,
> com crianças de alto poder aquisitivo, é diferente da forma como ensino
Judô
> na Vila Olímpica de Acari, com crianças moradoras em uma comunidade de
"alto
> risco". De ambos os lugares poderá surgir um futuro campeão, mas o que
> determina a minha práxis são as crianças, da mesma faixa etária, mas com
> necessidades completamente diferentes. Deixo claro que não estou dizendo
que
> uma é mais carente que outra. Ambas são carentes de estímulos, no entanto,
> diferentes.
> Mauro, quando a lei 9.615/98 definiu em seus primeiros artigos as formas
de
> manifestação do desporto: educacional, de participação e de rendimento,
fiz
> uma severa crítica por acreditar que toda manifestação do desporto deveria
> ser educacional, sob a ótica da educação permanente e para todos. A lei, e
> muitos professores/instrutores acabam confundindo "como o desporto se
> apresenta" com "aonde ele se apresenta". O desporto educacional -
praticado
> nas escolas; o de participação - nas praças e em projetos sociais; e do de
> rendimento - nos clubes. Ora, quem acompanha sabe que os jogos
> intercolegiais não têm nada de educacional (de acordo com a lei). É
> rendimento puro, expondo às crianças a situações do tipo "se não for
campeã
> não serve para estudar na minha escola".
> Quanto a sua pergunta se "há como equacionar as duas formas de trabalho
para
> suprir as necessidades de uma clientela e de outra, respeitando as suas
> vontades?", respondo com outra pergunta: você permitiria que uma criança,
> seguindo seu instinto natural de curiosidade, enfiasse dois preguinhos em
> uma tomada sob o escopo de que, dessa forma, ela aprenderá o que é um
choque
> e não repetirá a experiência? Quando eu era pequeno, era apaixonado por
> Nacional Kid, o super-herói japonês da época. Colocava uma toalha no
pescoço
> e saía voando por aí. Um dia resolvi que ia parar um ônibus com as mãos.
> Felizmente minha mãe resolveu "não respeitar minha vontade", se não, penso
> que seria muito difícil estar aprendendo, hoje, com vocês.
>
> Um abração.
> Roberto Corrêa.
>
>
> -----Mensagem original-----
> De: mcgac@xxxxxx [mailto:mcgac@xxxxxx]
> Enviada em: sábado, 11 de outubro de 2003 01:42
> Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Assunto: Re: [cevjudo-L] Roberto
>
> Oi amigos
>
> Não sei bem mas me parece que se está tentando chegar a um consenso quanto
a
> forma de se trabalhar e alguns aspetcos tem que se rlevados em
consideração:
> 1) os objetivos do sensei que desenvolve um trabalho num grande clube
> competitivo como Flamengo é o mesmo que o sensei que ministra Judo no
> Colégio?
> ele pode ser demitido se nao obtiver resultados? e o sensei da academia?
> aonde
> ele fica? no meio termo? existe esse meio termo?
> 2) todos os judocas desejam a mesma coisa? todos são avessos à competição
ou
> existem judocas, que mesmo sendo bem jovens, gostam de uma boa rinha?
> 3) há espaço para o Judo com enfase no esporte educacional? aonde ele se
> apresenta predominantemente?
> 4) e o Judo com enfase no rendimento, aonde ele se apresenta?
> 5) há como equacionar as duas formas de trabalho para suprir as
necesidades
> de
> uma clientela e de outra, respeitando as suas vontades? como faze-lo,
> abrindo
> horarios para escolinha e trenamento de pre-equipe e de equipe como na
> natação?
> O que o colegas sugerem?
> Um forte abraço,
> Mauro Gurgel
>
>
>
>
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