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RES: [cevjudo-L] Roberto

To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: RES: [cevjudo-L] Roberto
From: "Roberto" <anjosrc@xxxxxxxxx>
Date: Sat, 11 Oct 2003 08:42:24 -0300
Oi amigos listeiros e Mauro em especial

Amigo, é exatamente essa dicotomia entre formação competitiva (esporte de
rendimento) e formação educacional (esporte educacional) que, acredito, não
deva existir, em especial na iniciação. Quem define qual das duas linhas
seguir? A criança é que não é, pois não tem a consciência crítica necessária
para perceber que, ou está servindo aos caprichos vaidosos dos pais que
querem ter um filho precocemente campeão, ou servindo de alicerce para a
manutenção do emprego do técnico no clube ou academia. Em ambos os casos
esbarramos, novamente, no modelo social existente.
Logicamente que se perguntarmos às crianças muitas delas dirão que querem
ser campeãs. Fabrício já afirmou que o ser humano é um imitador por
natureza.
O que precisamos, de verdade, é conhecer quais as reais necessidades da
criança. Quando digo reais necessidades estou falando de todas as dimensões.
Por exemplo: a forma como ensino Judô em uma academia da Barra da Tijuca,
com crianças de alto poder aquisitivo, é diferente da forma como ensino Judô
na Vila Olímpica de Acari, com crianças moradoras em uma comunidade de "alto
risco". De ambos os lugares poderá surgir um futuro campeão, mas o que
determina a minha práxis são as crianças, da mesma faixa etária, mas com
necessidades completamente diferentes. Deixo claro que não estou dizendo que
uma é mais carente que outra. Ambas são carentes de estímulos, no entanto,
diferentes.
Mauro, quando a lei 9.615/98 definiu em seus primeiros artigos as formas de
manifestação do desporto: educacional, de participação e de rendimento, fiz
uma severa crítica por acreditar que toda manifestação do desporto deveria
ser educacional, sob a ótica da educação permanente e para todos. A lei, e
muitos professores/instrutores acabam confundindo "como o desporto se
apresenta" com "aonde ele se apresenta". O desporto educacional - praticado
nas escolas; o de participação - nas praças e em projetos sociais; e do de
rendimento - nos clubes. Ora, quem acompanha sabe que os jogos
intercolegiais não têm nada de educacional (de acordo com a lei). É
rendimento puro, expondo às crianças a situações do tipo "se não for campeã
não serve para estudar na minha escola".
Quanto a sua pergunta se "há como equacionar as duas formas de trabalho para
suprir as necessidades de uma clientela e de outra, respeitando as suas
vontades?", respondo com outra pergunta: você permitiria que uma criança,
seguindo seu instinto natural de curiosidade, enfiasse dois preguinhos em
uma tomada sob o escopo de que, dessa forma, ela aprenderá o que é um choque
e não repetirá a experiência? Quando eu era pequeno, era apaixonado por
Nacional Kid, o super-herói japonês da época. Colocava uma toalha no pescoço
e saía voando por aí. Um dia resolvi que ia parar um ônibus com as mãos.
Felizmente minha mãe resolveu "não respeitar minha vontade", se não, penso
que seria muito difícil estar aprendendo, hoje, com vocês.

Um abração.
Roberto Corrêa.


-----Mensagem original-----
De: mcgac@xxxxxx [mailto:mcgac@xxxxxx]
Enviada em: sábado, 11 de outubro de 2003 01:42
Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Assunto: Re: [cevjudo-L] Roberto

Oi amigos

Não sei bem mas me parece que se está tentando chegar a um consenso quanto a
forma de se trabalhar e alguns aspetcos tem que se rlevados em consideração:
1) os objetivos do sensei que desenvolve um trabalho num grande clube
competitivo como Flamengo é o mesmo que o sensei que ministra Judo no
Colégio?
ele pode ser demitido se nao obtiver resultados? e o sensei da academia?
aonde
ele fica? no meio termo? existe esse meio termo?
2) todos os judocas desejam a mesma coisa? todos são avessos à competição ou
existem judocas, que mesmo sendo bem jovens, gostam de uma boa rinha?
3) há espaço para o Judo com enfase no esporte educacional? aonde ele se
apresenta predominantemente?
4) e o Judo com enfase no rendimento, aonde ele se apresenta?
5) há como equacionar as duas formas de trabalho para suprir as necesidades
de
uma clientela e de outra, respeitando as suas vontades? como faze-lo,
abrindo
horarios para escolinha e trenamento de pre-equipe e de equipe como na
natação?
O que o colegas sugerem?
Um forte abraço,
Mauro Gurgel





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