Então Roberto;
Fiquei surpreso e feliz com sua proposta e discurso sobre superação do
sexismo ou machismo através do enconntro de crianças. Nessa ótica percebe-se
claramente o ensino de judô influenciando a "formação" do cidadão, devido a
uma nova dimensão pedagógica co-participante do processo de aprendizagem do
judô. Na otica reducionista do ensino tradicional do judô não percebo tanta
relação na formação necessária ao cidadão brasileiro do sécXXI.
Abração
Alexandre Drigo
----- Original Message -----
From: "Roberto" <anjosrc@xxxxxxxxx>
To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Sent: Thursday, October 09, 2003 9:41 AM
Subject: RES: [cevjudo-L] Roberto
> Oi Fabrício.
>
> Em primeiro lugar, tenho certeza, não sou o único (felizmente) a pensar no
> Judô como meio e não como fim. O que disse, e reafirmo, é que o modelo de
> competição existente vem impondo à alguns desavisados colegas, condutas
> inadequadas quanto ao processo de formação (competitiva ou não) de nossas
> crianças.
> Quanto a ser contrário a competição infantil, sob qualquer ótica, me
permita
> discordar, com o intuito inclusive de colocar lenha na fogueira. Não sou
> contrário a competição com crianças. Vejo que, concordando com DIAZ &
> AGUADO, não é impedindo-as de vivenciarem os conflitos que estaremos
> contribuindo com sua formação, seja essa física, moral, intelectual ou sob
> qualquer outra dimensão. Precisamos, no entanto, ter a clareza de quais
> estímulos devem ser aplicados para que a criança não seja superestimulada,
> tampouco sub-estimulada.
> Penso que concordamos na essência. Nossas discordâncias, aparentemente,
são
> de forma e não de conteúdo.
> Quanto a sua pergunta no final, está aí, a meu ver, a competição embutida
de
> novo. Crianças do mesmo gênero não podem participar de competições juntas
> devido a reação dos pais (homens) ao verem seus filhos (homens) serem
> derrotados por meninas. É uma questão meramente social. O sexo forte não
> pode ser derrotado pelo sexo frágil. Será que ao rediscutirmos esse modelo
> não poderíamos estar gerando um efeito bola de neve onde, por competirem
> juntos os professores deveriam fazer um trabalho junto às suas crianças
nas
> academias e escolas que, teria que ser ampliado para os pais dessas
crianças
> para que eles não cobrem de seus filhos homens a derrota para as meninas
e,
> dessa forma, não estaríamos ajudando a construir um conceito de
convivência
> mais harmoniosa entre ambos os sexos, desde a infância? Sob essa ótica
> talvez fosse melhor do que impedi-los de "entrar no shiai-jo" (só pra
> provocar).
>
> Um abração Fabrício e demais listeiros.
>
> Roberto Corrêa.
>
> -----Mensagem original-----
> De: Fabricio Boscolo [mailto:fabricio_boscolo@xxxxxxxxxx]
> Enviada em: quinta-feira, 9 de outubro de 2003 09:01
> Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Assunto: [cevjudo-L] Roberto
>
> Olá Roberto.
>
> Quando se fala em assumir os modelos existentes lembro muito
> de como podemos fazer para mudá-lo
> Em seu texto voce mesmo explana que já tentou orienta-la por
> outras direções, embora tenha sido em vão. Acredito no nosso
> poder de mudança e transformação, assim, acredito que elas
> possam ser feitas.
>
> "já os atletas têm mesmo é que entrar no sistema de
> treinamento desportivo de alto rendimento, desde a infância"
>
> Não falei sistema competitivo, e afirmar isso, ao meu ver é
> um grande erro. Sou bem contrário ao sistema competitivo
> atual, tanto infantil quanto adulto.
>
> "vejo que ele está certo, diante do modelo desumano,
> marginalizador e anti-científico de competição ao qual nossas
> crianças são submetidas. A competição passa a ser o objetivo,
> o final e, dada a reprodução do ideal de sociedade de alta
> performance e sucesso, as crianças, desde de cedo, sonham em
> um dia também serem grandes campeãs, é natural."
>
> Para mim aqui não tem nada de natural. O ser humano é por
> excelência um grande copiador. Assim, ao vivermos de
> exemplos, esses ideias são passados, cabe aos orientadores
> mudá-los. Não tenho a menor intenção de promover as
> competições infantis, sob óptica alguma, dado que acho bem
> mais interessante e proveitoso outras atividades com
> estes "judoquinhas".
>
>
> "Tentei, em vão, convencer alguns colegas de que deveríamos
> mudar o foco de nossa atenção de formar atletas e campeões,
> para contribuir para uma formação permanente, pra vida toda."
>
> Essa visão não é só sua, pode ter certeza. Diversos
> profissionais, e ai me incluo, preconizam uma certa autonomia
> pedagógica (me lembro do Jorgge Perez falando isso) acerca
> das atividades e exercícios físicos, assim, como o sensei
> Staneli fala em formar "cidadãos", na forma de pensar dele, é
> o sujeito realmente engajado na prática de atividades
> saudáveis, não só atividades fisicas.
>
> "'como treinar o atleta' mas sim, 'para que treinar o atleta'"
> É, nessa forma de observar acredito que podemos somar
> pensamentos congruentes. Tenho a visão de que uma coisa é ser
> atleta, a outra é ser sujeito praticante de exercícios
> físicos baseados nas lutas corporais, especificamente o judo.
> Uma coisa é treinar para lutar e participar de campeonatos, a
> outra é treinar para ter relações, contatos sociais, almejar
> incremento na saúde, sem correr o risco de quebrar um dedo na
> competição e ter que se explicar ao chefe (se imagine como
> dentista nessas horas).
> Por isso vejo que não estou muito errado... Se não se tem
> grandes pretenções competitivas, não há necessidade de
> grandes estímulos para tal.
>
> Ao contrário de voce não fui um competidor por excelência,
> mesmo pq nunca foi o objetivo do meu professor direcionar as
> atividades para tal. Lembro bem quando ele falava, que qria
> primeiro formar homens, depois competidores... (poucos desses
> competidores chegaram a surgir)
>
>
> "Temos que rediscutir os objetivos das competições infantis;
> que regras devem ser adotadas para que esses objetivos possam
> ser garantidos; uma forma de participação que respeite
> diferenças que vão além, simplesmente, da idade e do peso"
>
> Estmaos aberto, a lista é para tal. Até somo a isso a
> pergunta: Por que não se pode colocar indivíduos de até 10
> anos (aproximadamente) do mesmo gênero participando juntos?
> Na verdade, para mim, aos 10 anos nem se deveria entrar num
> shiai-jo. Acho que deveriam ter outras formas de encontro,
> participação...
>
> Fabricio
> ____________________________________________
> Fabricio Boscolo Del Vecchio
> Mestrando em Ciências do Esporte - UNICAMP
> http://www.judodaunicamp.hpg.com.br
>
>
> ---
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