cevjudo

Re: RES: Re:[cevjudo-L] técnica

To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Subject: Re: RES: Re:[cevjudo-L] técnica
From: mcgac@xxxxxx
Date: Sat, 11 Oct 2003 01:05:15 -0300
Amigos do Judo, Roberto, Ale, Marcos e Fabricio

É impressionante mas hj mesmo estávamos discutindo esses aspectos do Judo
enquanto esporte de rendimento durante a aula de Judô II na FAMATH após
assistirmos um vídeo didático do Sensei Shigeto Yamazaki, da FPJ.
Foi interessante, pois havia o depoimento de um aluno falando que no início de
sua participação em competições, ele ficava muito nervoso e ansioso, mas com o
tempo ele se acostumou e ficava tranquilo com aquilo tudo.
Bom pessoalmente, penso que o shiai (competição) em Judo possa ser desenvolvido
de vários modos durante as aulas e o que vai diferenciar a forma de
respresentação do esporte enquanto esporte educacional ou de rendimento será o
nível e a quantidade de tempo necesário para esse método de treinamento.
O Shiai pode ser desenvolvido em forma de progressao pedagógica e de forma
ludica durante as aulas como se faz muitas vezes, por exemplo:
I) relacionada a estrutura da competição
1) dividir a turma em duas ou mais equipes para se confrontarem.
2) Kati-nuki - quem ganha fica no meio, só que só se pode ficar por duas ou três
lutas seguidas, senão o judoca terá que dar a vez a outro de quem ele ganhou.
Pode ser desenvolvida tbm na forma de golden score :o)
3) rodízio duplo
4) rodizio simples
5) competição com sistema semelhante ao do Futebol com qualifying (dodizio de
onde saem 2 ou 3 num grupo de 5 ou saem 1 ou 2 num grupo de 3) e eliminatoria
dupla na fase final.
6) eliminatoria duplas, onde o judoca tem que perder 2 duplas pra sair da
competição.
II) Quanto a progressao relacionada ao evento
1) competições internas durante as aulas
2) competiçòes amistosas com outras academias mais fracas 
3) competições amistosas com academias de mesmo nível
4) competições com varias academias, incluindo as mais fortes (campeonatos
oficiais)
Como vcs podem ver existe um longo trajeto no processo de formação do judoca,
seja para competição, seja com cunho educacional. O ponto de transição do
esporte educacional para o de rendimento, parece residir na quantidade de
competições e no nível de exigencia das mesmas. Acredito que se esses aspectos
forem bem trabalhados, frustrações e evasao poderão ser evitadas.

Repito: COMPETIÇÃO É UM DIREITO DA CRIANÇA, NÃO UMA OBRIGAÇÃO! NINGUÉM É
OBRIGADO A COMPETIR, MESMO DENTRO DA PRÓPRIA ACADEMIA!

Outro ponto que pode e deve ser abordado é o da derrota, como lidar com ela?
Devemos encarar o êxito ou a derrota na competição de forma lúdica como mais
uma forma de atividade, onde nem sempre se gnha e nem sempre se perde? ou como
principal objetivo do processo ensino-aprendizagem? a competição é meio ou fim
do processo?
Um forte abraço a todos,
Mauro Gurgel

Citando Roberto <anjosrc@xxxxxxxxx>:

> Olá amigos listeiros, Drigo em especial.
> 
> Concordo plenamente com seu pensamento embutido em suas indagações. Na
> verdade Drigo, em meu ver, ou definimos em que tipo de sociedade acreditamos
> e queremos construir ou estaremos, constantemente, servindo aos modelos
> existentes.
> Quando Fabrício afirma que "já os atletas têm mesmo é que entrar no sistema
> de treinamento desportivo de alto rendimento, desde a infância", vejo que
> ele está certo, diante do modelo desumano, marginalizador e anti-científico
> de competição ao qual nossas crianças são submetidas. A competição passa a
> ser o objetivo, o final e, dada a reprodução do ideal de sociedade de alta
> performance e sucesso, as crianças, desde de cedo, sonham em um dia também
> serem grandes campeãs, é natural.
> Durante algum tempo fiquei discutindo porque determinada atividade era mais
> indicada ou menos indicada que outra ao ministrar minhas aulas para
> crianças. Tentei, em vão, convencer alguns colegas de que deveríamos mudar o
> foco de nossa atenção de formar atletas e campeões, para contribuir para uma
> formação permanente, pra vida toda. Não adiantou muito. Aí percebi que, se o
> que estimulava aos professores/instrutores a exporem seus jovens alunos
> sacrificantes treinamentos, expondo-os sucessivas vezes a situações de alto
> risco, eram os resultados nas competições, passei a tentar mudar o fator
> estimulador, com o objetivo de, com isso, alterar o padrão de resposta.
> Em suma Drigo, mais uma vez concordando com você, o problema não está em
> "como treinar o atleta" mas sim, "para que treinar o atleta".
> Deixo claro que sou um competidor por natureza, fui formado exatamente em um
> ambiente onde ser campeão era tudo (só consegui estudar em uma boa escola
> devido à bolsa de estudo por ser atleta, cheguei a ganhar ajuda de custo em
> uma época em que patrocínio em Judô era utopia), não tenho nada contra em
> permitir que as crianças participem de atividades competitivas, mas tenho
> sérias restrições ao modelo que utilizamos hoje, no Judô e em todas as
> modalidades desportivas.
> Temos que rediscutir os objetivos das competições infantis; que regras devem
> ser adotadas para que esses objetivos possam ser garantidos; uma forma de
> participação que respeite diferenças que vão além, simplesmente, da idade e
> do peso; que veja a competição como processo na formação dos jovens e não
> como fim; que permita a alguém que, apesar de não ter "jeito pra coisa",
> possa praticar Judô a vida inteira, como opção de atividade voltada a saúde
> e qualidade de vida, ao lazer e a satisfação pessoal; que possa também
> contemplar àqueles que querem ser campeões, não porque a sociedade lhes
> impõe isso mas porque, conscientemente, fizeram essa opção.
> Só penso ser muito difícil, alguém ser capaz de fazer essa opção,
> conscientemente, aos 10 anos de idade.
> 
> Um abração (pra não perder a linha) a todos.
> 
> Roberto Corrêa.
> 
> -----Mensagem original-----
> De: Alexandre Drigo [mailto:ADRIGO@xxxxxxxxxxxxxx]
> Enviada em: quinta-feira, 9 de outubro de 2003 02:22
> Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Assunto: Re: Re:[cevjudo-L] técnica
> 
> Oi Fabrício, tenho duas dúvidas;
> 1) Como se verifica que um cidadão é útil para sociedade? Pq o judoca e o
> lixeiro são distintos em sua "utilidade"? Pq um é melhor do que outro? Sabe
> não consigo entender essas coisas de "senso estrito" que permeiam as artes
> marciais.
> 2) Como treinar crianças pensando em performance como vc diz sendo que a
> evazão dessas é enorme, geralmente por causa desse pensamento? Desenvolver
> qualidades físicas, coordenativas gerais na criança é uma coisa, agora
> decidir se ela é atleta ou não, na minha concepção é prematuro e
> imprudente....
> Alexandre
> ----- Original Message -----
> From: "Fabricio Boscolo" <fabricio_boscolo@xxxxxxxxxx>
> To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
> Sent: Wednesday, October 08, 2003 11:51 PM
> Subject: Re:[cevjudo-L] técnica
> 
> 
> > Olá Marco e demais listeiros.
> >
> > ________________________________________
> > Que tipo de judocas queremos formar?
> > Que tipo de atletas queremos formar?
> > Que tipo de lutadores queremos formar?
> > ________________________________________
> >
> > As vezes eu mesmo fico em duvida quanto a isso, sabe? O
> > sensei Staneli tem uma visão bem fechada quanto a isso, o
> > judô pra ele tem o fim de formar cidadãos, homens "uteis" a
> > socidade... Mas ai as vezes eu paro para pensar: Será que os
> > grandes campeões tb nao sao ""uteis"" à sociedade?
> > Falo isso porque me lembro bem das vezes que ele parava os
> > treinos para falar sobre a historia do judo, dos preceitos
> > básicos dos judocas, de boa conduta e tudo mais...
> >
> > Acho que estes são os judocas...
> >
> > Já os atletas têm mesmo é que entrar no sistema de
> > treinamento desportivo de alto rendimento, desde a infância.
> > É minha concepção. Execução de atividades direcionadas para
> > tal conduta, respeitando o desenvolvimento, crescimento e
> > maturação do ser humano.
> >
> >
> > ________________________________________
> > Temos presenciado nos últimos tempos e execução das
> > mais variadas técnicas , umas mais eficientes outras
> > menos. Essas na maioria das vezes tem uma finalidade,
> > obter uma pontuação, provocar uma penalidade, Por
> > outras vezes elas resultam em punição para o tori.
> > ________________________________________
> >
> > Quanto as técnicas, é bem curioso... Pegue os resultados
> > deste mundial... Observe a variabilidade técnica dos atletas.
> > O Alemão ganhou todas as lutas em ne-waza (A Melanie Dumm,
> > alemã que treina comigo, apontou que o técnico desse sujeito
> > é ícone do newaza na ALemanha)
> >
> > O Iraniano... Todos os golpes dele foram te-waza,
> > (""Catadas"). Vi um ou uma francesa... Tomoe nague, yoko
> > tomoe nague... Bem, as técnicas estão ai, presentes para
> > serem utilizadas. Só a titulo de ilustração, compare o
> > desempenho de vitória na Polle do Sabino com os vencedores da
> > categoria, da Edinanci...
> >
> > Quando voce fala: "Esses mesmos atletas realizam em seus
> > treinamentos cerca de 10 séries de 20 entradas de golpes. Na
> > hora do handori por algun motivo executam outras técnicas."
> >
> > Eles sempre realizam 10x20 séries? Sabe pq? O que tenho visto
> > é que os meios de treinamento na concepção brasileira de
> > treinamento não se alteram em volume, frequencia e
> > intensidade... é sempre 20 - roda, 20 - roda...
> >
> >
> > "A maioria dos altetas não gostam de realizar entradas
> > de golpes repetitivas com o auxilio do companheiro."
> > Dentro deste escopo mesmo... Observe que o companheiro pode
> > auxilia-lo de diferentes formas, em exemplos rápidos:
> > Na primeira maneira, tradicionalmente inerte, de segunda
> > forma, oferecendo resistência, e em terceiro espectro,
> > potencializando e ajudando na entrada do golpe, veja que cada
> > um tem uma finalidade diferente...
> > Se trabalha entradas de golpe basicamente em duplas... raras
> > vezes em trios, quartetos, com exercícios conjugados...
> >
> >
> > "São Poucos os que dedicam sessões de treinamentos para
> > o aprimoramento técnico e tático."
> > Mas será que os profissionais envolvidos com este esporte,
> > aqui, se dedicam em ensinar os aspectos técnico-táticos?
> > Estudando adversários, desenvolvendo conjuntamente soluções
> > individuais? ou todo mundo vai "aprender" estourar pegada do
> > mesmo jeito, para as mesmas situações?
> >
> >
> > Bem... mas ainda não consegui respostas objetivas para os
> > questionamentos anteriores.... o 5 primeiros golpes
> > ensinados, em ordem de importância.
> >
> > Abraços academicos.
> >
> > Fabricio
> >
> > ps: Quem aqui está cogitando ir ao encontro do MACK?
> >
> > ____________________________________________
> > Fabricio Boscolo Del Vecchio
> > Mestrando em Ciências do Esporte - UNICAMP
> > http://www.judodaunicamp.hpg.com.br
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