Olá amigos listeiros.
Em primeiro lugar Fabrício, quero agradecer-lhe pelo debate que, certamente,
está me permitindo amadurecer sobre um assunto que muito me interessa. Não
sei se lembras de minha apresentação, mas fui Diretor Técnico da FJERJ por
dois mandatos consecutivos e, durante o tempo em que dirigi a entidade,
dediquei-me exatamente a estudar formas mais adequadas de atividades
competitivas para crianças. Acredito que possibilitei alguns avanços (certo
de que muito ainda há por fazer) e lamento não ter tido a oportunidade, na
época, de discutir alguns pontos com outros colegas, interessados no assunto
e com o nível que está sendo demonstrado na lista. Só pra você ter uma
idéia de quanto a nossa preocupação é importante, quando assumi a DT,
participavam das competições infantis aproximadamente 180 crianças. Quando
deixei o cargo, aproximadamente 600 crianças participavam do que chamamos de
Festivais Infantis.
O mais interessante Fabrício é que a mudança no modelo de competição gera
uma mudança na forma de ensinar o Judô nas academias e escolas. Um exemplo
prático: alguns (muitos) professores/instrutores optavam por ensinar às
crianças a como fazer o "adversário" pisar fora da área de luta, buscando
uma vantagem através da punição. Quando mudamos a regra e, ao invés de punir
a criança (em se tratando de crianças, da forma agressiva comum a arbitragem
do Judô) e os árbitros passaram a informar sobre a necessidade de atenção
com a área, os professores/instrutores pararam de se preocupar com isso.
Penso que marcamos um ponto.
É lógico que é um exemplo simplório e as mudanças devem ir muito mais além
do que eu singelamente exemplifiquei. Mas serve para vermos que mudar o
modelo existente de competição irá gerar uma rediscussão da forma como o
Judô é ensinado hoje.
Talvez, discutirmos como podemos efetivamente influenciar as decisões dos
dirigentes esportivos seja um caminho para pormos em prática alguns de
nossos pensamentos.
Só um detalhe, espero ter deixado claro não concordar com a visão machista
que citei na minha última mensagem. Ao contrário, defendo uma ação que
permita um trabalho de conscientização que leve a solução dos problemas da
convivência entre meninos e meninas.
Um abração e mais uma vez, obrigado pela oportunidade do debate.
Roberto Corrêa.
PS. DIAZ-AGUADO, J.M. Construção Moral e Educação. SP: EDUSC, 1999.
-----Mensagem original-----
De: Fabricio Boscolo [mailto:fabricio_boscolo@xxxxxxxxxx]
Enviada em: quinta-feira, 9 de outubro de 2003 16:38
Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Assunto: [cevjudo-L] Roberto2 - a missão
Primeiramente queria parabenizar e agradecer os listeiros
pelas discussões propostas.
Bem, quanto ao vosso email, Roberto.
Acredito que quando se fala em competição, penso no ambiente
propriamente dito (citando Matveev), no qual existem
árbitros, mesários, arquibancada, pai gritando, mae chorando,
técnico se esperneando. Neste contexto prefiro não envolver
as crianças (vou me restringir até os 10 anos) que estão sob
minhas mãos. Acredito que sejam possíveis outras formas
competitivas, estímulos interclubes seria uma boa, reuniãoi
de 2-3 academias, realizar troca de experiÊncia entre
técnicos e de contato entre os judoquinhas.
"concordando com DIAZ & AGUADO" Nos passe a referência...
"Precisamos, no entanto, ter a clareza de quais estímulos
devem ser aplicados para que a criança não seja
superestimulada, tampouco sub-estimulada."
Isso é um super ponto pra mim. Acho que os profissionais
vinculados aos desportos, e especificamente o judo, podem
partir, conscientemente, para uma ressignificação do ambiente
competitivo. Ainda estou estudando isso, objeto de discussão
da monografia de licenciatura...
"Quanto a sua pergunta no final, está aí, a meu ver, a
competição embutida de novo. Crianças do mesmo gênero não
podem participar de competições juntas devido a reação dos
pais (homens) ao verem seus filhos (homens) serem
derrotados por meninas. É uma questão meramente social. O
sexo forte não pode ser derrotado pelo sexo frágil."
Lamentável se pensar assim...
"Será que ao rediscutirmos esse modelo não poderíamos estar
gerando um efeito bola de neve"
Por mim, que seja feita a bola de neve... HeHe.
Somo a isso o ponto que de vejo em muitas competições os pais
passando informações aos guris. Gritando, esperneando, e os
técnicos somente observado, não sei se a luta ou o pai...
Abraços
Fabricio
____________________________________________
Fabricio Boscolo Del Vecchio
Mestrando em Ciências do Esporte - UNICAMP
http://www.judodaunicamp.hpg.com.br
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