Paulo, achei ótima a sua aula sobre lactato, aprendi muita coisa....
Só quero te provocar um pouco....
Do ponto da fisiologia sua explicação é perfeita, mas se pensarmos na EF
e a Teoria do Treinamento, o importante é a relação LactatoX performance. O
que vejo de essencial é a confirmação dos dados de Cavasani para aumentar a
consistência da relação. Pois isso é diretamente aplicável ao nossa área de
interesse interesse, a relação atleta-performance. Digo isso, pois as vezes
nos perdemos no discurso biológico e esquecemos que estamos trabalhando com
performance, com humanos, e issso nos carcteriza como área de conhecimento
da Educação Física, não biologia, medicina, ou quimica.....
Botando fogo.....
Alexandre
---- Original Message -----
From: "Paulo Azevedo" <paulopersonal@xxxxxxxxxx>
To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Sent: Wednesday, August 27, 2003 5:43 PM
Subject: Re: [cevjudo-L] Lactato e performance
> Olá Alexandre e estimados listeiros,
> muito interessante esta abordagem do inicio dos estudos com lactato no
judô!
> Como podemos observar, o lactato é um preditor da performance, onde uma
grande concentração deste sugere uma diminuição na performance subseqüente.
> Em cima disso, penso em algumas questões que não foram um dos objetivos
dos trabalhos, mas poderia ser de trabalhos futuros, como por exemplo:
> - Qual a fase de treinamento que esses atletas se encontravam?
> - Qual a performance destes atletas em um teste de laboratório (VO2máx.,
Limiar de Lactato, perfil hematológico, potência e capacidade anaeróbia,
índice de fadiga, etc)?
> - Estes atletas tiveram que perder peso antes da competição? Qto tiveram
que perder?
> - Quanto tempo durou cada luta destes atletas? Quanto durou a recuperação
entre uma luta e outra?
> Estas e outras questões, com certeza, esclareceriam melhor a performance
destes atletas na competição, além da concentração do lactato sanguíneo.
> Faço estas questões pelo seguinte motivo:
> O lactato é apenas um preditor de performance, onde se observa uma
estreita relação entre este produto da glicólise anaeróbia com a acidose
metabólica, ou seja, o lactato não tem uma relação causal com a acidose
metabólica, muito pelo contrario, o lactato atua como um tampão
intramuscular.
> Como isso ocorre?
> O lactato irá se ligar ao íon H+ do NADH, liberando esse NAD para ser
utilizado novamente na glicólise e fazer o potencial redox, se ligando a um
novo H+, aumentando dessa forma a velocidade da reação! O lactato, ligado ao
íon H+ será transportado para fora da célula muscular pelos MCT's (1 e 4),
onde na corrente sanguínea ira liberar esse H+, sendo este íon tamponado
pelos tampões plasmáticos (bicarbonato e fosfato). O lactato será consumido
pelos músculos esqueléticos inativos, coração e fígado, fazendo a
neoglicogenese, sendo utilizado novamente então como fonte energética.
> Como podemos observar, não precisamos tolerar o lactato, pelo contrario,
afinal ele prolonga a atividade física de alta intensidade diminuindo a
acidose intramuscular.
> Essa é uma estória, onde o sujeito vai de vilão a herói da atividade
física (rs) ;o)
> Agora acho que compreenderam onde quis chegar com minhas indagações acima
e em outras msg's!
> Quando o Alexandre diz que as enzimas oxidativas são responsáveis pela
remoção do lactato, na verdade, quem faz essa remoção são os MCT's 1 e 4
(transportador monocarboxilase). As enzimas aeróbias irão atuar no consumo
deste substrato energético no ciclo de Krebs e na CTE (cadeia transportadora
de elétrons).
> Quanto à necessidade de um treinamento aeróbio no judô, corroboro com as
palavras do Alexandre. Esta é uma necessidade no judô, ainda mais hoje com o
golden score ai!
> Uma maior capacidade aeróbia (limiar de lactato alto, com sua curva
deslocada para a direita), é interessante devido à uma manutenção maior da
intensidade da luta e para aguentar um ritmo forte de treinamento, alem de
propiciar uma recuperação mais rápida entre as lutas, devido ao consumo
deste substrato (lactato) na neoglicogenese.
> Mas tb não podemos esquecer que o contrario tb é verdadeiro, um treino
eminentemente aeróbio prejudicaria a performance anaeróbia (judô),
diminuindo as enzimas especificas deste metabolismo energético. Ai entra o
papel do fisiologista e preparador físico ;o)
> Depois disso pergunto:
> Treino de tolerância ao lactato, ou treinamento com alta concentração de
lactato sanguíneo?
> Na msg que mandei pro Rodrigo escrevi o seguinte: "A vantagem da remoção
do lactato esta na glicogenolise". Na verdade a vantagem esta no consumo do
lactato, realizando a gliconeogenese! (acho que o pessoal nem ta lendo, não
me alertaram pelo erro!)
> Desculpem ao tamanho, é que me empolgo com esse assunto sobre lactato e
performance, mas mesmo assim muitas coisas com certeza deixaram de ser ditas
ai no meu texto.
> Espero continuar nesse debate com os amigos listeiros ;o)
>
> Abraços,
> Paulo Azevedo
>
> ----- Original Message -----
> From: Alexandre Drigo
> To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Sent: Wednesday, August 27, 2003 2:34 PM
> Subject: [cevjudo-L] Lactato e performance
>
>
> Oi Pessoal;
> Sobre a questão do lactato e performance no judô, que relaciona a
> questão da capacidade aeróbia com performance se iniciou principalmente
na
> década de 90 com a pesquisa de Cavazani, 1992, aqui na Unesp- RC.
Cavazani,
> em coletas nos jugos Abertos do interior, com o pessoal do alto nível da
> época percebeu em seu estudo que a concentração de lactato prévio era
> determinate para o sucesso na luta, ou seja, se antes do combate se
iniciar,
> verificar-mos qual o valor de lactato sanguneo antes do combate, o
atleta
> com menor concentração venceria a luta. Esse estudo foi um marco para o
> início das investigações de lactato e judô aqui no Brasil.
Posteriormente a
> ele eu (Drigo et al, 1994a, 1994b,1995a, 1995b, 1995c) comecei a
> investigação do rendimento aeróbio em judocas, pois o estudo de Cavasani
> abriu essa possibilidade, se lactado é condição de previsão de
performance,
> o trabalho aeróbio é necessário pois:
> a) as enzimas oxidativas são responsáveis pela remoção do lactato,
pois
> nos momentos de descanso, a remoção é feita pelo retorno
lactato-piruvato e
> entrada no ciclo de Krebs;
> b) o treinamento exclusivo anaeróbio lático comumente feito nas
sessões
> de judô não tem especificidade quanto a melhora das enximas oxidativas,
há
> pesquisadores ainda que defendem que tem efeito antagonico, ou seja, se
há
> predomínio no treino anaeróbio lático, diminuiria as enzimas oxidativas;
> c) em relação ao T1/2 do lactato normalmente ser de 20 minutos,
haveria
> a necessidade de otimização dessa remoção para melhorar a possibilidade
de
> vitória.
> Isso tendo apenas em vista as necessidades fisiologicas relacionadas
a
> produção de lactatono organismo...
> Estou passando no momento, mais muito desse assunto ainda deve ser
> comentado pela lista...
> Abraço
> Alexandre
>
> [As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
>
>
> SAIR DA LISTA: mande msg em branco para
cevjudo-L-unsubscribe@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Leia a NETIQUETA das listas do CEV: http://www.cev.org.br/listas/dicas.htm
>
>
>
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