Oi Pessoal;
Sobre a questão do lactato e performance no judô, que relaciona a
questão da capacidade aeróbia com performance se iniciou principalmente na
década de 90 com a pesquisa de Cavazani, 1992, aqui na Unesp- RC. Cavazani,
em coletas nos jugos Abertos do interior, com o pessoal do alto nível da
época percebeu em seu estudo que a concentração de lactato prévio era
determinate para o sucesso na luta, ou seja, se antes do combate se iniciar,
verificar-mos qual o valor de lactato sanguneo antes do combate, o atleta
com menor concentração venceria a luta. Esse estudo foi um marco para o
início das investigações de lactato e judô aqui no Brasil. Posteriormente a
ele eu (Drigo et al, 1994a, 1994b,1995a, 1995b, 1995c) comecei a
investigação do rendimento aeróbio em judocas, pois o estudo de Cavasani
abriu essa possibilidade, se lactado é condição de previsão de performance,
o trabalho aeróbio é necessário pois:
a) as enzimas oxidativas são responsáveis pela remoção do lactato, pois
nos momentos de descanso, a remoção é feita pelo retorno lactato-piruvato e
entrada no ciclo de Krebs;
b) o treinamento exclusivo anaeróbio lático comumente feito nas sessões
de judô não tem especificidade quanto a melhora das enximas oxidativas, há
pesquisadores ainda que defendem que tem efeito antagonico, ou seja, se há
predomínio no treino anaeróbio lático, diminuiria as enzimas oxidativas;
c) em relação ao T1/2 do lactato normalmente ser de 20 minutos, haveria
a necessidade de otimização dessa remoção para melhorar a possibilidade de
vitória.
Isso tendo apenas em vista as necessidades fisiologicas relacionadas a
produção de lactatono organismo...
Estou passando no momento, mais muito desse assunto ainda deve ser
comentado pela lista...
Abraço
Alexandre
----- Original Message -----
From: "Paulo Azevedo" <paulopersonal@xxxxxxxxxx>
To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Sent: Monday, August 25, 2003 4:46 PM
Subject: Re: [cevjudo-L] Planejamento de Um Programa Competitivo para o Judô
> Olá Rodrigo e demais listeiros,
> a pesquisa não é minha, nem os outros textos são meus, apenas os repassei
à lista!
> Sobre sua msg:
> "será que a capacidade aeróbia é um determinante no sucesso competitivo
dos judocas, e em que nível?"
> Creio que é um requisito importante para a formação e para o desempenho do
judoca, que não pode ficar legado a segundo plano, devendo estar inserido
dentro do processo de treinamento.
>
> "A capacidade aeróbia, a princípio, é importante, pois auxilia na remoção
do lactato sanguíneo pós-lutas, de acordo com as pesquisas do prof.
Franchini. Porém, não se tem respondido como será durante o combate, já que
o sistema de tamponamento do sangue, realizado pelo fígado e coração, não
tem tempo hábil para remover o lactato, já que ele é produzido
ininterruptamente na luta ? De acordo com Verkoshansky (1995)**, 70% do
lactato produzido pelo
> organismo será removido pelos próprios músculos esqueléticos, através das
mitocôndrias presentes no tecido muscular, em trabalhos onde se utiliza 70%
do VO2máx. Dizer que o metabolismo aeróbio pode ser mais importante que o
> anaeróbio é cedo, por isso, as pesquisas podem andar um pouco nessa
direção."
> A vantagem da remoção do lactato esta na glicogenolise, mas pelos
trabalhos do Franchini, se não me engano, isso não teve mudança
significativa na performance, uma maior remoção ou não do lactato sanguíneo.
> O tamponamento sanguíneo é realizado pelos tampões fisiológicos
bicarbonato (principal), fosfato e protéicos, já o coração, fígado e
músculos esqueléticos inativos são consumidores de lactato, não tampões!
> Essa Porcentagem de 70% VO2máx. citada pelo Verkoshansky é uma afirmação
perigosa, ainda mais que sabemos que, a intensidade de 70% do VO2máx. para
uma pessoa pode ser muito alta, ja para outras, pode estar abaixo do limiar
"anaeróbio"!
> É difícil dizer que um metabolismo é mais importante que o outro, creio
que o importante é como vc trabalha estes metabolismos em função do esporte
em questão!
>
> "Por isso, questiono o prof. Marinho: como poder afirmar que o treinamento
em circuito reproduz a demanda energética semelhante a de um combate de judô
após a terceira passagem, já que não existe uma mobilização do complexo do
> sistema neuromuscular em situação específica do combate?"
> Ele pode afirmar sim, que a demanda de determinado metabolismo energético
reproduz a outra, mas será que isso terá uma real transferência pro judô (de
uma pra outra), será que na totalidade, um reproduz o outro? Ai creio que
não, penso no sistema neuro-muscular como vc!
>
> "Continuo a bater na mesma tecla: devemos discutir os meios, chegar a
dizer categoricamente que tal método reproduz uma luta, e sem a referência
de uma pesquisa que mostre isso, através de análise de rendimento, seja por
metabolismo, índice de fadiga biomotora, ou outros pensáveis, é ficar no
mesmo tratamento que o judô contemporâneo ainda sofre do judô tradicional"
> Acho pertinente sua colocação! Concordo plenamente!
>
> "O próprio professor se contradiz em seu texto, pois ele discute que o
aperfeiçoamento da técnica deve ser feito com intervalos maiores... mas em
que período da planificação ? No geral, eu até concordo (em certo ponto),
mas no específico, deve-se treinar a técnica em estado de fadiga compensada,
pois será esse o caráter específico encontrado no judô, e logo abaixo,
através de Barbanti (1996), ele exalta a Especificidade como um dos
princípios básicos do treinamento desportivo. E também deve ser pontuado que
não adianta mais pensar na luta em 5 minutos, pois agora o combate pode se
estender até 10 minutos, e aí, se esvazia, de certo modo, as considerações
do prof. Franchini que datam de 1999."
> Perfeito! Vejo que muitos vêem a especificidade apenas no que tange aos
movimentos e não à toda estrutura do esporte em questão.
>
> Abraços,
> Paulo Azevedo
>
> [As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
>
>
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