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Re: [cevjudo-L] Planejamento de Um Programa Competitivo para o Judô

To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Subject: Re: [cevjudo-L] Planejamento de Um Programa Competitivo para o Judô
From: mcgac@xxxxxx
Date: Sat, 23 Aug 2003 02:36:15 -0300
Oi Rodrigo
Vc tem desenvolvido excelentes observações e questionamentos juntos com os
demais colegas de lista. A criticidade é fundamental, pois em la só
reproduzimos o que j;a foi feito. Pelo que tenho sentido na lista estamos
vivendo um amadurecimento, quando criticamos os trabalhos e as idéias em que se
baseiam. 
Gostaria de receber uma cópia desse trabalho do Gariod et al (1995) na Science &
Sports (1995) - vol. 10, 201-207. Ele está disponível na net? se não tiver eu
posso lhe dar meu endereço e R$ pra vc xerocar e me enviar pelo correio, pq não
acredito que as Univ. que tem progs de pós aqui no Rio possuam este artigo de
1995 ...
O trabalho do Marinho é básico mas está bem feitinho permitindo que debatamos
sobre ele e ampliem os aspecto que ele poderia ter abordado e não o fez. Se não
me engano foi o resultado do seu trabalho de coclusão de curso de graduação no
interio de SP. Quando o Pinheiros "comprou" o passe dele em 1999 e 2000, le
chegou a frequentar as reuniões do grupo do LADESP, da Profa. Dra. Maria
Augusta e nas reuniões do JUDôjo tbm, mas não se fixou em nenhum pois concluo
que estava em fase de competição e mais preocupado com seus resultados. Era um
excelente judoca peso meio-leve que fazia ippon-seoi-nague (bem ao estilo do
Koga) e de-ashi-harai.
Infelizmente ela não deu prosseguimento aos seus estudos conosco na USP, pois
poderia ter aprofundado muito mais seu trabalho.
Quanto aos intervalos ... normalmente os intervalo se referem à recuperação e
não à duração do estímulo mas muita gente trata o dosi do mesmo jeito ... De
fato o treino técnico demanda maior tempo e um nível de desgaste baixo como
está relatado na maioria dos livros. Entretanto há um certo tipo de polimento
técnico que fazemos no Judô quando ele está entrando em fadiga, pois nesse
momento ele tem que usar o corpo como um todo para conseguir produzir um
movimento com desperdício mínimo de força, permitindo um acoplamento das fase
parciais (transferencia de momentum) num só movimento bem estruturado. Desse
modo o sensei evita que o judoca leve a técnica no braço ;o)
Acho que é só.
Um forte abraço a todos e em especial ao Rodrigo,

Mauro Cesar Gurgel de Alencar Carvalho ou CARVALHO, MCGA (em ciência) ;o)


Citando Rodrigo Ribeiro Rosa <ribeiro_rodrigo3r@xxxxxxxxxxx>:

> Boa noite amigos listeiros.
> 
> Vejo que as discussões deram uma murchada, depois de todo o bafáfá que foi 
> gerado em torno da participação do Brasil no Pan. Não deixemos que nossas 
> conversas se esvaziem, pois foi com elas que conseguimos desenvolver um 
> mínimo de direção para o treinamento desportivo para o judô (ou pelo menos, 
> que pretendemos).
> 
> Bom, Paulo, sua pesquisa tem sido muito boa, já que as considerações sobre a
> 
> desidratação foram de extrema pontualidade. Acho que nós, pesquisadores do 
> desporto, devemos estabelecer essas premissas para que não sejamos 
> derrubados pelas velhas formas de concepção do judô, sem a fundamentação 
> científica, que aqui, tanto defendemos.
> 
> O texto sobre a planificação do treinamento desportivo é bom, porém, 
> gostaria de desenvolver uma linha de raciocínio, pautado no que temos 
> observado na literatura.
> 
> De início, o texto aborda sobre as fontes energéticas predominantes na luta 
> de judô, e que o perfil energético que um judoca pode ter influência 
> decisiva no andamento da luta. De acordo com Gariod et al (1995)*, existem 
> dois perfis de judocas: de resistência e de explosão. Através da 
> espectroscopia dos músculos da perna, observaram que existe uma relação 
> direta da depleção do fosfato inorgânico com o perfil do judoca. Com o 
> aprofundamento da técnica desportiva, o atleta aumenta sua reserva de 
> adaptação, o que permite que ele saiba como economizar tal energia, para 
> aproveitar de maneira direcionada no movimento de ataque e defesa.
> 
> O que atualmente defendemos e que não tinha sido dito por nenhuma pesquisa 
> (tinha, pois será apresentado no Conbrace e no Fórum Olímpico, através de 
> pesquisa realizada por mim, com o auxílio dos colegas da Unicamp), é da 
> implicação do Golden Score na dinâmica da luta.
> 
> Através da análise dos combates da Seletiva desse ano, que formou a Seleção 
> Brasileira, as lutas que foram ao Golden Score (GS) tiveram, na média, uma 
> diminuição do tempo de luta e um aumento no tempo de recuperação dos 
> judocas, apesar de não ter uma significância estatística. A falta de preparo
> 
> físico dos judocas para essa nova realidade ficou evidenciado através da 
> performance de atletas como Leo Leite, Taciana Lima, Flavio Honorato, que 
> literalmente, se arrastaram nas suas lutas que foram para o GS, e tiveram 
> reveses na Seletiva. Então pergunto: será que a capacidade aeróbia é um 
> determinante no sucesso competitivo dos judocas, e em que nível ?
> 
> A capacidade aeróbia, a princípio, é importante, pois auxilia na remoção do 
> lactato sanguíneo pós-lutas, de acordo com as pesquisas do prof. Franchini. 
> Porém, não se tem respondido como será durante o combate, já que o sistema 
> de tamponamento do sangue, realizado pelo fígado e coração, não tem tempo 
> hábil para remover o lactato, já que ele é produzido ininterruptamente na 
> luta ? De acordo com Verkoshansky (1995)**, 70% do lactato produzido pelo 
> organismo será removido pelos próprios músculos esqueléticos, através das 
> mitocôndrias presentes no tecido muscular, em trabalhos onde se utiliza 70% 
> do VO2máx. Dizer que o metabolismo aeróbio pode ser mais importante que o 
> anaeróbio é cedo, por isso, as pesquisas podem andar um pouco nessa direção.
> 
> Por isso, questiono o prof. Marinho: como poder afirmar que o treinamento em
> 
> circuito reproduz a demanda energética semelhante a de um combate de judô 
> após a terceira passagem, já que não existe uma mobilização do complexo do 
> sistema neuromuscular em situação específica do combate ?
> 
> Continuo a bater na mesma tecla: devemos discutir os meios, chegar a dizer 
> categoricamente que tal método reproduz uma luta, e sem a referência de uma 
> pesquisa que mostre isso, através de análise de rendimento, seja por 
> metabolismo, índice de fadiga biomotora, ou outros pensáveis, é ficar no 
> mesmo tratamento que o judô contemporâneo ainda sofre do judô tradicional.
> 
> O próprio professor se contradiz em seu texto, pois ele discute que o 
> aperfeiçoamento da técnica deve ser feito com intervalos maiores... mas em 
> que período da planificação ? No geral, eu até concordo (em certo ponto), 
> mas no específico, deve-se treinar a técnica em estado de fadiga compensada,
> 
> pois será esse o caráter específico encontrado no judô, e logo abaixo, 
> através de Barbanti (1996), ele exalta a Especificidade como um dos 
> princípios básicos do treinamento desportivo. E também deve ser pontuado que
> 
> não adianta mais pensar na luta em 5 minutos, pois agora o combate pode se 
> estender até 10 minutos, e aí, se esvazia, de certo modo, as considerações 
> do prof. Franchini que datam de 1999.
> 
> Professores e colaboradores, começo esse bate-bola com essas indagações. 
> Apesar de haver margem nesse texto, Paulo, é de extrema importância que 
> apareça aqui, pois será assim que poderemos discutir e definir algumas 
> direções para o treinamento específico do judô contemporâneo.
> 
> Bom pessoal, sem rispidez, nem nada. Quero ser crítico, pois será assim que 
> a cientificidade do judô se desenvolverá. E vamos ser críticos !!!
> 
> Um abraço a todos, e até mais.
> 
> Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa
> FEF-UNICAMP
> 
> * Science & Sports (1995) - vol. 10, 201-207.
> ** Verkoshansky (1995) - Preparação de Força Especial
> 
> 
> 
> >From: "Paulo Azevedo" <paulopersonal@xxxxxxxxxx>
> >Reply-To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> >To: "CevJudo" <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
> >Subject: [cevjudo-L] Planejamento de Um Programa Competitivo para o Judô 
> >Date: Wed, 20 Aug 2003 15:30:32 -0300
> >
> >Planejamento de Um Programa Competitivo para o Judô
> >Marinho Esteves
> >
> >
> >RESUMO
> >
> >Ao planejar um programa de treinamento deve-se observar as fontes
> >energéticas utilizadas na modalidade em questão, neste caso, o Judô,
> >que por sua vez apresenta características anaeróbia lática e aeróbia.
> >Além dessas capacidades o Judô precisa treinar também a coordenação
> >motora, a força dinâmica e a força isométrica. A coordenação motora
> >nessa modalidade é treinada na entrada de golpes (uchi-komi). A força
> >dinâmica (solicitada principalmente quando é preciso movimentar o
> >adversário para a entrada de golpe) e a força isométrica (que é exercida
> >principalmente no ato da pegada) têm importância fundamental no
> >desempenho do judoca. O treinamento com pesos trabalhados em
> >circuito, tem apresentado excelentes resultados quanto ao
> >desenvolvimento da capacidade "força", principalmente após a terceira
> >passagem, onde a demanda metabólica é semelhante às obtidas em
> >luta. Ao que diz respeito à fase de combate (handori) pode-se concluir
> >que dependendo da quantidade (tempo total das lutas em treinos) é
> >produzido lactato sangüíneo semelhante ao obtido após lutas em
> >situações de competição. E também não se pode esquecer que uma
> >periodização adequada pode proporcionar ao atleta melhores resultados
> >nas competições mais importantes.
> >
> >REVISÃO DA lITERATURA
> >
> >O Judô é um Esporte Olímpico que surgiu no Japão em 1882, criado pelo
> >Professor japonês Jigoro Kano, onde é necessário, como todos os
> >esportes de alto nível, que seja feita uma preparação adequada para se
> >obter resultados satisfatórios.
> >Ao planejar um programa de treinamento deve-se observar as fontes
> >energéticas utilizadas na modalidade em questão, neste caso, o Judô,
> >por sua vez, apresenta características anaeróbia lática e aeróbia, onde
> >além de desenvolver essas duas capacidades deve haver uma harmonia
> >entre elas.
> >As capacidades aeróbia e anaeróbia lática podem influenciar
> >decisivamente no resultado final do combate e na estratégia a ser
> >definida pelos lutadores. Os atletas com uma condição aeróbia
> >avantajada pode optar por fazer uma luta com o objetivo de cansar o
> >adversário do começo ao meio da luta e atacar sucessivamente do meio
> >para o final buscando a melhor pontuação (ippon), já os atletas com a
> >capacidade anaeróbia lática melhor treinada podem escolher por lutar
> >mais ofensivamente desde o início do combate, mas o melhor é ter uma
> >mescla das duas capacidades, porém, o grande desenvolvimento da
> >capacidade aeróbia implica em um decréscimo na capacidade anaeróbia
> >lática, por isso há a necessidade de uma interação perfeita das duas
> >capacidades para atingir o melhor desempenho. Devemos estar atentos
> >também para a coordenação, segundo a definição, é a ação sinérgica do
> >sistema nervoso central e da musculatura esquelética dentro de uma
> >determinada seqüência de movimentos (Hollmann e Hettinger, 1983).
> >Quanto melhor for a qualidade da coordenação mais fácil será realizado
> >o movimento, a realização torna-se mais flexível e econômica,
> >diminuindo o consumo de energia baixando assim, o nível de fadiga.
> >A entrada de golpe (uchi-komi) é onde pode ser bem treinada a
> >coordenação para se obter um excelente desenvolvimento técnico no
> >Judô, e pode ser adotado diferentes meios para treina-lo dependendo do
> >objetivo.
> >Com o objetivo de aperfeiçoar a técnica, deve-se adotar um treino com
> >intervalos maiores, para ativar o metabolismo anaeróbio (com
> >movimentos específicos dos golpes) adota-se intervalos menores
> >(Amorim et alii, 1994, citado por Franchini, 1999), mas mesmo com
> >intervalos menores a coordenação também será treinada.
> >Quando falamos em treinamento físico não podemos nos esquecer de
> >que este é baseado nos princípios biológicos: o da Especificidade, o da
> >Sobrecarga e o da Reversibilidade (Barbanti, 1996). O princípio da
> >sobrecarga estipula que as mudanças funcionais no corpo ocorrem
> >somente quando a carga é suficiente para causar uma ativação
> >considerável de energia e mudança plástica nas células relacionadas à
> >síntese de novos tecidos, sobre o princípio da especificidade é entendido
> >que o organismo sempre se adapta de modo específico ao que lhe for
> >oferecido e o princípio da reversibilidade assegura que as mudanças
> >corporais conseguidas pelo treinamento são de natureza transitória, ou
> >seja, com a interrupção do treinamento, as mudanças funcionais e
> >morfológicas retornam aos estados iniciais (Barbanti, 1996).
> >A respeito da força relacionada ao Judô, podemos dizer que a força
> >dinâmica é importantíssima na luta no que diz respeito à movimentação,
> >quando se está buscando mexer o adversário para encontrar o melhor
> >momento para executar o melhor ataque o uso da força dinâmica é
> >imprescindível, já a força isométrica é utilizada constantemente durante
> >o combate no ato da pegada, para a manutenção da mesma e para o
> >controle do adversário, onde a prensão manual é realizada, pois quem
> >tiver domínio da pegada terá mais chances de atacar com maior
> >eficiência e se defenderá com melhor precisão.
> >Ficou evidenciado que o treinamento com pesos no sistema de circuito,
> >mais precisamente após a terceira passagem, apresentou demanda
> >metabólica semelhante aos obtidos em competição, o que significa que é
> >um excelente complemento ao treinamento de Judô, já que o
> >metabolismo é o mesmo utilizado em uma competição.
> >Quando se tratar de trabalho com pesos é importante adotar
> >movimentos o mais próximo possível do movimento do golpe, ou que
> >utilize o mesmo grupo muscular com movimento semelhante, já que a
> >obtenção de uma máquina para a realização de entrada de golpes não é
> >algo muito simples.
> >Com relação aos treinamentos de luta propriamente dita, períodos de 1
> >hora têm mostrado valores de lactato sangüíneo semelhantes ao obtido
> >após lutas em situação de competição (Cavazani, 1991, citado por
> >Franchini, 1999). Esse treinamento pode também ser feito simulando-se
> >as estratégias de competição, realizando-se lutas de 5 minutos de
> >duração com 10-15 minutos de descanso (Franchini, 1999). Para se ter
> >um melhor aproveitamento pode-se utilizar esse mesmo treino trocando
> >o adversário a cada minuto, assim os adversários estarão sempre
> >descansados e o atleta que realiza os 5 minutos de luta em seu período
> >integral enfrenta somente oponentes descansados.
> >Contudo, é preciso lembrar que além dos fatores citados acima é muito
> >importante que haja uma periodização com o objetivo específico de se
> >alcançar um alto rendimento através de uma preparação sistemática,
> >que vai proporcionar ao atleta melhores resultados e que esses
> >resultados sejam alcançados nas competições mais importantes.
> >
> >CONCLUSÃO
> >
> >A partir da literatura pesquisada, pode-se verificar que um treinamento
> >quando, devidamente planejado apresenta resultados eficazes, que
> >podem ser programados para serem atingidos nas competições mais
> >importantes. O Judô, como modalidade esportiva anaeróbia lática e
> >aeróbia apresenta como forma predominante de treinamento, a
> >musculação em forma de circuitos, os treinos de luta com mais de uma
> >hora de duração e em treinos mais específicos de competição, pois o
> >metabolismo utilizado é o mesmo solicitado no momento do combate.
> >
> >REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
> >
> >HOLLMANN, W.; HETTINGER, Th., "Medicina do Esporte". Editora Manole
> >Ltda, São Paulo, 1983.
> >
> >WEINECK, J., "Biologia do Esporte". Editora Manole Ltda, São Paulo,
> >1991.
> >
> >MAcARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L., "Fisiologia do Exercício,
> >Energia, Nutrição e Desempenho Humano". Editora Guanabara Koogan
> >S/A, Rio de Janeiro, 1998.
> >
> >BARBANTI, VALDIR, "Treinamento Físico: bases científicas". Editora CLR,
> >São Paulo, 1996.
> >
> >BARBANTI, VALDIR, "Teoria e Prática do Treinamento Esportivo". Editora
> >Edgar Blucher, São Paulo, 1996.
> >
> >FRANCHINI, E., "Bases para a detecção e promoção de talentos na
> >modalidade Judô". Publicações INDESP, Brasília, 1999.
> >
> >Abraços,
> >Paulo Azevedo
> >
> 
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