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Planejamento de Um Programa Competitivo para o Judô

To: "CevJudo" <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Planejamento de Um Programa Competitivo para o Judô
From: "Paulo Azevedo" <paulopersonal@xxxxxxxxxx>
Date: Wed, 20 Aug 2003 15:30:32 -0300
Planejamento de Um Programa Competitivo para o Judô
Marinho Esteves


RESUMO

Ao planejar um programa de treinamento deve-se observar as fontes
energéticas utilizadas na modalidade em questão, neste caso, o Judô,
que por sua vez apresenta características anaeróbia lática e aeróbia.
Além dessas capacidades o Judô precisa treinar também a coordenação
motora, a força dinâmica e a força isométrica. A coordenação motora
nessa modalidade é treinada na entrada de golpes (uchi-komi). A força
dinâmica (solicitada principalmente quando é preciso movimentar o
adversário para a entrada de golpe) e a força isométrica (que é exercida
principalmente no ato da pegada) têm importância fundamental no
desempenho do judoca. O treinamento com pesos trabalhados em
circuito, tem apresentado excelentes resultados quanto ao
desenvolvimento da capacidade "força", principalmente após a terceira
passagem, onde a demanda metabólica é semelhante às obtidas em
luta. Ao que diz respeito à fase de combate (handori) pode-se concluir
que dependendo da quantidade (tempo total das lutas em treinos) é
produzido lactato sangüíneo semelhante ao obtido após lutas em
situações de competição. E também não se pode esquecer que uma
periodização adequada pode proporcionar ao atleta melhores resultados
nas competições mais importantes.

REVISÃO DA lITERATURA

O Judô é um Esporte Olímpico que surgiu no Japão em 1882, criado pelo
Professor japonês Jigoro Kano, onde é necessário, como todos os
esportes de alto nível, que seja feita uma preparação adequada para se
obter resultados satisfatórios.
Ao planejar um programa de treinamento deve-se observar as fontes
energéticas utilizadas na modalidade em questão, neste caso, o Judô,
por sua vez, apresenta características anaeróbia lática e aeróbia, onde
além de desenvolver essas duas capacidades deve haver uma harmonia
entre elas.
As capacidades aeróbia e anaeróbia lática podem influenciar
decisivamente no resultado final do combate e na estratégia a ser
definida pelos lutadores. Os atletas com uma condição aeróbia
avantajada pode optar por fazer uma luta com o objetivo de cansar o
adversário do começo ao meio da luta e atacar sucessivamente do meio
para o final buscando a melhor pontuação (ippon), já os atletas com a
capacidade anaeróbia lática melhor treinada podem escolher por lutar
mais ofensivamente desde o início do combate, mas o melhor é ter uma
mescla das duas capacidades, porém, o grande desenvolvimento da
capacidade aeróbia implica em um decréscimo na capacidade anaeróbia
lática, por isso há a necessidade de uma interação perfeita das duas
capacidades para atingir o melhor desempenho. Devemos estar atentos
também para a coordenação, segundo a definição, é a ação sinérgica do
sistema nervoso central e da musculatura esquelética dentro de uma
determinada seqüência de movimentos (Hollmann e Hettinger, 1983).
Quanto melhor for a qualidade da coordenação mais fácil será realizado
o movimento, a realização torna-se mais flexível e econômica,
diminuindo o consumo de energia baixando assim, o nível de fadiga.
A entrada de golpe (uchi-komi) é onde pode ser bem treinada a
coordenação para se obter um excelente desenvolvimento técnico no
Judô, e pode ser adotado diferentes meios para treina-lo dependendo do
objetivo.
Com o objetivo de aperfeiçoar a técnica, deve-se adotar um treino com
intervalos maiores, para ativar o metabolismo anaeróbio (com
movimentos específicos dos golpes) adota-se intervalos menores
(Amorim et alii, 1994, citado por Franchini, 1999), mas mesmo com
intervalos menores a coordenação também será treinada.
Quando falamos em treinamento físico não podemos nos esquecer de
que este é baseado nos princípios biológicos: o da Especificidade, o da
Sobrecarga e o da Reversibilidade (Barbanti, 1996). O princípio da
sobrecarga estipula que as mudanças funcionais no corpo ocorrem
somente quando a carga é suficiente para causar uma ativação
considerável de energia e mudança plástica nas células relacionadas à
síntese de novos tecidos, sobre o princípio da especificidade é entendido
que o organismo sempre se adapta de modo específico ao que lhe for
oferecido e o princípio da reversibilidade assegura que as mudanças
corporais conseguidas pelo treinamento são de natureza transitória, ou
seja, com a interrupção do treinamento, as mudanças funcionais e
morfológicas retornam aos estados iniciais (Barbanti, 1996).
A respeito da força relacionada ao Judô, podemos dizer que a força
dinâmica é importantíssima na luta no que diz respeito à movimentação,
quando se está buscando mexer o adversário para encontrar o melhor
momento para executar o melhor ataque o uso da força dinâmica é
imprescindível, já a força isométrica é utilizada constantemente durante
o combate no ato da pegada, para a manutenção da mesma e para o
controle do adversário, onde a prensão manual é realizada, pois quem
tiver domínio da pegada terá mais chances de atacar com maior
eficiência e se defenderá com melhor precisão.
Ficou evidenciado que o treinamento com pesos no sistema de circuito,
mais precisamente após a terceira passagem, apresentou demanda
metabólica semelhante aos obtidos em competição, o que significa que é
um excelente complemento ao treinamento de Judô, já que o
metabolismo é o mesmo utilizado em uma competição.
Quando se tratar de trabalho com pesos é importante adotar
movimentos o mais próximo possível do movimento do golpe, ou que
utilize o mesmo grupo muscular com movimento semelhante, já que a
obtenção de uma máquina para a realização de entrada de golpes não é
algo muito simples.
Com relação aos treinamentos de luta propriamente dita, períodos de 1
hora têm mostrado valores de lactato sangüíneo semelhantes ao obtido
após lutas em situação de competição (Cavazani, 1991, citado por
Franchini, 1999). Esse treinamento pode também ser feito simulando-se
as estratégias de competição, realizando-se lutas de 5 minutos de
duração com 10-15 minutos de descanso (Franchini, 1999). Para se ter
um melhor aproveitamento pode-se utilizar esse mesmo treino trocando
o adversário a cada minuto, assim os adversários estarão sempre
descansados e o atleta que realiza os 5 minutos de luta em seu período
integral enfrenta somente oponentes descansados.
Contudo, é preciso lembrar que além dos fatores citados acima é muito
importante que haja uma periodização com o objetivo específico de se
alcançar um alto rendimento através de uma preparação sistemática,
que vai proporcionar ao atleta melhores resultados e que esses
resultados sejam alcançados nas competições mais importantes.

CONCLUSÃO

A partir da literatura pesquisada, pode-se verificar que um treinamento
quando, devidamente planejado apresenta resultados eficazes, que
podem ser programados para serem atingidos nas competições mais
importantes. O Judô, como modalidade esportiva anaeróbia lática e
aeróbia apresenta como forma predominante de treinamento, a
musculação em forma de circuitos, os treinos de luta com mais de uma
hora de duração e em treinos mais específicos de competição, pois o
metabolismo utilizado é o mesmo solicitado no momento do combate.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HOLLMANN, W.; HETTINGER, Th., "Medicina do Esporte". Editora Manole
Ltda, São Paulo, 1983.

WEINECK, J., "Biologia do Esporte". Editora Manole Ltda, São Paulo,
1991.

MAcARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L., "Fisiologia do Exercício,
Energia, Nutrição e Desempenho Humano". Editora Guanabara Koogan
S/A, Rio de Janeiro, 1998.

BARBANTI, VALDIR, "Treinamento Físico: bases científicas". Editora CLR,
São Paulo, 1996.

BARBANTI, VALDIR, "Teoria e Prática do Treinamento Esportivo". Editora
Edgar Blucher, São Paulo, 1996.

FRANCHINI, E., "Bases para a detecção e promoção de talentos na
modalidade Judô". Publicações INDESP, Brasília, 1999.

Abraços,
Paulo Azevedo



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