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Minhas considerações sobre o Pan

To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Minhas considerações sobre o Pan
From: "Alexandre Drigo" <ADRIGO@xxxxxxxxxxxxxx>
Date: Thu, 14 Aug 2003 17:43:53 -0300
Oi Listeiros, oi Mauro, Paulo, Roberto, Rodrigo, Kátia, Moraes....
Bem, depois de muitas discussões, debates e até mesmo brigas, dentro e
fora desta lista, me permito fazer algumas considerações sobre que nós
debatemos.
Primeiramente penso que estamos cumprindo o objetivo dessa lista que é
debater de forma diferenciada, original, contundente por pessoas que se
relacionam das mais diversas formas com o judô.
Quando fui mais agressivo durante minhas exposições principalmente
quanto à comissão técnica e ao prof. Moraes, queria considerar que:
Graças a meus colegas, Mauro e Roberto conheci o trabalho do prof.
Moraes, que o apresentaram e confiam em seu trabalho, porém desconheciam
sua participação na preparação dos atletas de judô para o Pan. Em
consequência disso reamente penso que nessa função há alguem a ser
respeitado, porém seria interessante a divulgação dos nomes que compõe a
comissão técnica para evitar deslizes como o que cometi. Comento muito isso
em aula: o judô é um esporte, e como esporte é de benefício público, e
assim como a seleção brasileira representa o país é de direito conhecermos
os nomes dos profissionais que estão com essa responsabilidade. Sem essa
"transparência", sempre iremos relembrar a era "Mamede", que infelizmente
existiu no judô.
Quanto a algumas colocações do Mauro sobre esconder o jogo, "faz parte
do jogo"; acredito que há um equívoco provocado por um mal entendimento da
terminologia. Existe uma ciência do esporte voltado ao treinmento físico, e
alguns elementos da fisiologia são invariáveis, por isso há uma "briga
acadêmica" por quem publica mais rápido, ao contrário do que foi exposto
pelo Mauro. Por isso eu e outros da lista perguntamos qual a preparação
física utilizada pela comissão técnica. Esse protocolo já foi publicado
pelos russos, americanos, etc., só queremos saber se há atualização de
componentes modernos (de ponta) utilizados para preparação de nossos atletas
e, de forma nenhuma penso que o Brasil é mais avançado em preparação que os
países acima citados. Amigo Mauro, quanto ao "esconder o jogo" é utilizado
principalmente para a tática, para as estratégias de combate e golpes
adotados para o mesmo, e isso deve ser desenvolvido de forma secreta, porém
isso não foi alvo das perguntas da lista. Essa divulgação de dados,
formulação de congressos técnicos, mesas redondas e debates se fazem
necessários, portanto, para haver congruências das propostas apresentadas ao
treinamento de nossos atletas. Por exemplo, nossos amigos Rodigo e Paulo,
como estão altamente atualizados na preparação física (mais do que eu)
trabalham com cargas concentradas de força, conforme foi discutido aqui na
lista, e se o trabalho desenvolvido na seleção segue os princípios da
periodização, pronto, não são compatíveis. Portanto o encontro entre as
pessoas responsáveis por esses atletas devem estar acontecendo: preparadores
físicos, técnicos e comissão técnica da seleção brasileira.
As críticas que fiz ao Shinorrara, me fizeram refletir um pouco...não
estou desqualificando-o como profundo ou maior conhecedor do judô no país
no momento, e sem sombra de dúvida, se eu estivesse na condição de
presidente da CBJ (não entendam que é uma pré candidatura...rsss) ele faria
parte da minha comissão técnica. Mas percebo a falta de sintonia, minha com
a lista. Estudando autores modernos sobre a função do técnico desportivo e a
uma nova ciência centrada na pedagogia do esporte me permitiram essas
considerações. A função técnica adotada por muitos da lista, pelo que
percebi, é apenas a da exelência em domínio tático-técnico como suficientes
para essa função. Apoiado em Bento (1999), verifico que a função técnica é
mais ampla do que apenas isso: o técnico teria uma função mais de
admistrador do ambiente esportivo, e nisto centro a minha reflexão. O que
estaria faltando é a capacidade de assimilar novas tecnologias, por isso
minha crítica ao isolamento; a capacidade de exposição, que estaria no
contato e trato com os torcedores, mídia, pais de atletas, técnicos dos
adversários e os próprios adveresários, os críticos da lista, etc.
Somando-se a capacidade de lidar com pressões, orientar e comandar uma
equipe multidisciplinar entre outras funções que dão uma grande "cara
administrativa" a essa nova ótica de um ´técnico profissional', e é nisso
que me baseei para crítica que fiz.
Moraes, quanto ao caso Derly, nós observamos o que estava óbvio; o
atleta estava na categoria errada e era complicado insistir no erro, não
quero que isso soe como uma vitória da lista, mas predissemos o que a
comissão técnica adotou como correto, e isso mostra que em muito temos a
colaborar....
Queria terminar minha explanação com a seguinte reflexão: queremos
melhorar o judô, por isso nos dedicamos e estudamos tanto; o que queremos é
transparencia e debate. Prof. Moraes, por exemplo, (não preciso de bola de
cristal para isso) mas posso supor que a prioridade da comissão técnica do
judô foi para o Pan e isso rendeu diversas medalhas. O Pan tem maior
visibilidade pela mídia e a possibilidade de medalhar é maior, correto? Se a
prioridade fosse o mundial, a administração seria outra. É logico que
queremos ir bem nas duas competições, mas isso é muito difícil, tendo em
vista as lesões de alguns atletas (como a Priscila, possivelmente o Sabino),
o período de comemoração-recuperação-volta ao treino que é bem curto então,
estou certo? Não vejo nada de mais que isso seja público: optamos por dar
ênfase ao Pan, pois dá credibilidade e não expõe os atletas e a comissão à
criticas.
Desculpe pelo texto longo,
Alexandre Drigo



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