Fala Paulo
Eu gosaria de receber esse esqueminha sobre a heterocronia das recuperações
junto com a referência também. Eu acho que te enviei já um semelhante que o
Estélio Dantas usa para a adaptação do organismo às diferentes qualidades
fisicas trabalhadas quando estive aí em Bauru.
No mais um abraço a todos,
Mauro Gurgel
Citando Paulo Azevedo <paulopersonal@xxxxxxxxxx>:
> Olá Rodrigo e listeiros,
> também estou adorando a discussão, ainda mais agora que o tema esta dentro da
> minha área de estudo!
> Sobre os marcadores bioquímicos, acho importantíssimo essa visão que vc's
> estão tendo para o controle funcional do atleta. Penso que vc's deveriam
> pensar em algo não invasivo e, com um maior acesso, tipo lactato. Quem sabe
> analisar amônia tb! Adrenalina, noradrenalina, testosterona, cortisol. São
> alguns parâmetros que seria muito interessante de serem analisados dentro do
> processo de treinamento. Vc's já pensaram em analisar essas variáveis
> fisiológicas durante a planificação dos treinamentos? Alguém já fez isso?
> Pergunto dentro ou fora do judô!
> Se não foi feito, teriam interesse nisso? ;o)
> Sobre os 25%,creio que poderia ser tentado um acumulo maior do que os 25%
> preconizados pelo prof. Verkoshansky, e serem feitas analises das respostas
> fisiológicas com diferentes % de acumulo. Ta ai mais uma idéia!
> Dentro do A1, legal, entendi o que vc explicou!
> Agora sobre o exemplo dado, que um treino de resistência de força
> atrapalharia na qualidade de um treino de força máxima no dia seguinte devido
> à acidose. Creio o seguinte, se isso esta acontecendo, o treino de
> resistência de força esta com uma carga muito além do que deveria, pq por
> principio, ela não deveria causar acidose. Ai tem-se algumas alternativas:
> diminuir a carga, diminuir o numero de repetições ou ainda aumentar o tempo
> de recuperação entre uma série e outra! Uma pergunta, como vc's programam a
> carga para o trabalho de resistência de força: repetição máxima, carga máxima
> (1RM)?
> Eu tenho aqui um esqueminha de heterocronia das recuperações, para um não
> interferir negativamente no outro, se alguém se interessar, posso mandar!
> Bloco A2, tranqüilo!
> Bloco B, tranqüilo!
> Bloco C, qual o período de intervalo entre séries e exercícios usados por
> vc's? Pq?
> Pra terminar, qual o tempo destinado a cada bloco e sub-bloco utilizado por
> vc's? Por exemplo, em uma planificação de 16 semanas!?
> To adorando isso!!!!!!!
>
> Abraços,
> Paulo Azevedo
>
> ----- Original Message -----
> From: Rodrigo Ribeiro Rosa
> To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Sent: Tuesday, August 05, 2003 9:57 PM
> Subject: Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
>
>
> Boa noite aos listeiros ! Como estão ?
>
> Primeiro de tudo: Fabrício, é bem estranho o meu apelido mesmo... pode me
> chamar como quiser, num dá nada, é só meio estranho para os professores! E
>
> apelido de faculdade pega mesmo !
>
> Paulo, tô gostando de trocar essas idéias contigo. Tá sendo legal... então,
>
> vamo lá ! (ah, e professores, vamos colaborar pra essa discussão !!! Vamos
>
> colher bons frutos desse debate !)
>
> A bioquímica tem ainda um papel a ser trabalhado: estamos pensando sobre o
>
> uso dos marcadores como lactato e hipoxantina pra avaliação do estado
> funcional do atleta... ainda estamos engatinhando na idéia, mas isso não
> tem
> um modo específico citado na teoria das cargas de força... imaginar que
> existe um processo de subcompensação no atleta, será que o sistema imune
> pode ser um bom modo de avaliar tbm essa funcionalidade ? (vamo pensar...)
>
> Bom, agora sobre da onde vem os 25% da concentração de carga no bloco A: tá
>
> na teoria do Verkoshansky... aí, já dá pra se pensar, pq ele desenvolveu a
>
> teoria com atletas de desportos de força rápida (saltadores e triplistas),
> e
> essa afirmação vem carregada no texto qdo. ele descreve o EPDT...
> questionável pois será o judô pode ter um acúmulo maior ??
>
> Sobre as subdivisões do bloco A, para o A1 correspondem essas capacidades e
>
> suas manifestações contrastantes, conforme seu exemplo. Certo ! Mas as
> dúvidas são de como distribuir tais cargas no período... uma idéia por
> exemplo sobre a organização é a de que uma unidade de treino de resistência
>
> de força, com certeza, provocará uma menor qualidade do treino seguinte,
> por
> exemplo, na força máxima, já que a acidose provocada pelo treino de
> resistência pode estar ainda prejudicando a funcionalidade do sistema
> neuromuscular... é um termo que seria a fadiga neural, não dá pra querer um
>
> trabalho de recrutamento máximo muscular, se o sistema não codifica essa
> mensagem, já que existe a fadiga. Por isso, devem existir momentos de
> repouso dessas cargas para que não haja interferências tão abruptas na
> homeostase que o atleta se encontra.
>
> Quanto ao bloco A2, as cargas não tem a característica de queda repentina,
> é
> um volume um pouco menor, pois os exercícios específicos estarão sendo
> inseridos... imagine os fatos que estão sendo discutidos sobre as propostas
>
> didáticas do judô (tenho lido sobre essa discussão entre vcs): treino
> técnico com elevada carga produz um efeito que gera uma deficiência do
> movimento (maior lentidão), mas imagine esse recrutamento muscular no gesto
>
> técnico, e o efeito de subcompensação estando a piorar durante esse período
>
> ainda mais que no bloco A1... devemos pensar nas estruturas interconexas de
>
> treino: cada tijolo tem seu cimento unindo aos demais pra formar a parede !
>
> No momento certo, a carga manifesta sua transferência.
>
> Sobre o A3, Paulo, é exatamente essa funcionalidade: o potencial elástico
> gerado durante o regime pliométrico acentua a queda funcional do organismo
>
> (o stress é muito forte: imagine que em um saltador, que usa uma queda de
> salto que pode elevar a força de impacto em 10 vezes o seu peso corporal...
>
> isso estressa demais as articulações), mas prepara o organismo para a
> velocidade específica... os tijolos !
>
> Passando para o bloco B (ufa, o A é o mais difícil !), vemos essa transição
>
> para regimes mais velozes de ação motora específica, e os trabalhos com os
>
> componentes da força (máxima, rápida e explosiva) e resistência (de força,
>
> de força rápida, anaeróbio e aeróbio) continuam, mas dentro de uma maior
> especificidade dos meios de treino.
>
> No bloco C, entende-se pela tonificação muscular sessões de treino bem
> curtos, onde os exercícios com pesos tem intensidade em torno de 80-90%
> 1RM,
> as séries são 2-3 para cada exercício, e as repetições são de 6-8
> repetições
> NO MÁXIMO ! O treino é intenso, mas breve... o músculo mantem um "estado de
>
> prontidão" com tal estímulo.
>
> Pra gente finalizar essa rodada, sobre o tempo de estímulo: temos uma
> grande
> dúvida, pois os tempos podem até ser condizentes, mas como será a
> intensidade dentro desse tempo de estímulo... ? Outra grande questão, que
> coloco na nossa roda de debates, pra gente pensar num modo de avaliar essa
>
> intensidade !
>
> Bom, gente, vou encerrando por enqto. essa rodada, e assim, vamos tocando a
>
> bola que tá ficando um jogão !!! :-)
>
> Um abraço a todos... até mais !
> Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa "Covil"
> FEF-UNICAMP
>
> >From: "Paulo Azevedo" <paulopersonal@xxxxxxxxxx>
> >Reply-To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> >To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
> >Subject: Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
> >Date: Tue, 5 Aug 2003 15:06:49 -0300
> >
> >Olá Rodrigo,
> >pelo que entendi aqui, o Período A1 é destinado ao aumento da força,
> >resistência e velocidade, e suas subcategorias (resistência de força,
> força
> >rápida...), é isso? Quais as variáveis bioquímicas utilizadas e como são
> >utilizadas para controlar essa subcompensação?
> >A2, começa a ser inserido no programa exercícios especificos da
> modalidade,
> >com diminuição das cargas. Por que diminui as cargas? Ou o treino já é
> >visando a especificidade fisiológica-metabólica da modalidade?
> >A3, o treino pliométrico tem destaque. Isso seria por causa de um treino
> >mais intenso de velocidade no Bloco B?
> >"Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estar em
> >torno
> >de 25% da carga total de treino do macrociclo". Por que 25%?
> >Bloco B, é feita apenas uma manutenção dos níveis de força? De qual força
>
> >(máxima, resistência, etc)?
> >Bloco C, "As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular, para
>
> >otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos resultados".
> >Como é deve ser um trabalho para conseguir essa tonificação (de um
> >exemplo)?
> >Rodrigo, isto são duvidas minhas mesmo, li 2 artigos do prof.
> Verkoshansky,
> >mas mesmo assim, não foram sanadas!
> >O exemplo de transferência da carga de força para a carga especial, com
> >tempo de 1 minuto e 30 segundos, não foge à especificidade do judô? Esse
> >exemplo seria utilizado no período A2, mais especificamente?
> >Sobre como transferir a carga, pode ser o mais difícil, mas creio que será
>
> >o mais prazeroso tb, onde toda a criatividade vem à tona e, descobrisse
> >muitas coisas novas e inovadoras tb!
> >To adorando o assunto!
> >
> >Abraços,
> >Paulo Azevedo
> >
> > ----- Original Message -----
> > From: Rodrigo Ribeiro Rosa
> > To: cevjudo-l@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> > Sent: Monday, August 04, 2003 5:21 PM
> > Subject: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
> >
> >
> > Boa tarde aos professores e participantes da lista !
> >
> > Antes de tudo, vou deixar claro que o Fabrício coloca meu nome sempre
> >pelo
> > apelido de faculdade ("Covil"), então nas últimas vezes que ele
> >solicitou
> > minha ajuda, me chamou pelo apelido... Fabrício, chama pelo nome !!!
> ;-)
> >
> > Bom, nossa discussão está recheada de muitas idéias ótimas e surgiram
> > algumas dúvidas quanto ao processo de desenvolvimento das cargas
> > concentradas de força aplicado ao judô. Para que possamos ter um ponto
> > fechado de início: é fato que o atleta brasileiro tem diferenças
> notadas
> >de
> > um atleta russo, sujeito da pesquisa inicial com as cargas concentradas
>
> >de
> > força... isso remonta desde a EF Escolar de cada um (na Rússia,
> crianças
> > fazem agachamento com cargas leves, porém isso é questionável qto. a
> >própria
> > aplicação da carga... acho que deve tem sobrecarga sim, respeitando ao
> > máximo o organismo da criança, que possui notada plasticidade), e por
> >isso,
> > atletas russos podem suportar cargas muito intensas devido ao acúmulo
> de
> > carga e os processos adaptativos do organismo ao longo de sua vida, que
>
> >foi
> > planejada devido ao programa bem desenvolvido de acompanhamento das
> >crianças
> > que eles tem (ou tinham) lá na Rússia (na época da pesquisa, URSS).
> Como
> > aplicar carga concentrada no atleta brasileiro, dentro dessa realidade
> > desportiva que temos durante o processo de formação do indivíduo
> >(leia-se EF
> > Escolar comprometida)? Categoricamente, não sei dizer, mas temos
> pistas,
> >que
> > podem ajudar a solucionar essa questão...
> >
> > Assim, o conceito de concentração de carga no judô deve partir do já
> > preconizado pelo prof. Verkoshansky, no que diz respeito à organização
>
> >dos
> > períodos de treino, ou seja, bloco A terão cargas de força (acúmulo),
> >que
> > desencadeará o processo de subcompensação. O atleta piora, mas
> >devidamente
> > controlado através de variáveis biomotoras e bioquímicas (respostas
> > metabólicas). A queda, de acordo com o reportado na literatura, está
> em
> > torno de 10-15% da capacidade funcional máxima.
> >
> > No bloco A tem-se a divisão em três períodos: A1, cargas de força,
> > resistência e velocidade, dentro de conteúdos interconexos das
> >capacidades
> > (resistência de força é um exemplo de contraste), A2, onde a
> >transferência
> > da carga de força para o movimento específico ocorre, com a diminuição
>
> >da
> > concentração da carga e o desenvolvimento da força especial através de
>
> >meios
> > específicos de treino do gesto motor da modalidade, A3, onde o regime
> > pliométrico tem destaque, e as outras cargas diminuem
> consideravelmente.
> > Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estar em
>
> >torno
> > de 25% da carga total de treino do macrociclo.
> >
> > No bloco B, ocorre o treinamento da técnica, e o acúmulo das cargas
> >passa a
> > ser conteúdo secundário. O que se espera nesse período é que o
> organismo
> > responda ao processo de supercompensação devido à diminuição gradativa
>
> >da
> > concentração da carga, e que o desenvolvimento da técnica competitiva
> >seja
> > acentuado, aproveitando o EPDT (efeito posterior duradouro de
> >treinamento,
> > expressão traduzida do russo) gerado pelo stress do bloco A.
> >
> > O bloco C finaliza o período com a busca da modelação dos aspectos
> > técnico-táticos, em exercícios pré-competitivos e competitivos
> >propriamente
> > dito. As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular
> (parece
> > coisa da revista Boa Forma, mas é o termo usado pelo prof.
> >Verkoshansky),
> > para otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos
> >resultados.
> >
> > Bom, falamos em exercícios específicos: mas quais? como? quanto tempo?
> > intensidade? volume ?
> > Inúmeras perguntas que nós vamos responder... e temos que responder !
> O
> > desenvolvimento da Preparação de Força Especial (PFE) aplicado ao judô
>
> >tem
> > dado trabalho pro pensamento nosso, já que a ação motora de ataque é
> > complexa, visto o número de alavancas passivas que podemos gerar.
> > Procurou-se transferir a carga de força pra carga especial através de
> >meios
> > específicos da seguinte forma, sugerida pelo prof. Paulinho (nosso
> > orientador):
> >
> > Exercício: 5 séries de 6-8 repetições de exercício com pesos, cargas
> > variando em torno de 80-90% 1RM (questionável), logo na sequência
> >realiza-se
> > 5-6 entradas de golpe resistido (judoca sendo seguro por outro
> >companheiro
> > pelas costas, na gola e faixa), e finaliza a série realizando projeção
> > completa, na máxima velocidade. Tempo de duração do estímulo (série de
>
> >pesos
> > + projeções): 1,5 a 2 minutos.
> >
> > Como podem observar, aqui já temos pano pra manga pra conversar:
> > transferência específica de entrada de golpe parado (lembra que vc
> >pontuou
> > isso Fabs ?), a mensuração da carga pela 1RM, número de repetições,
> >tempo de
> > estímulo...
> >
> > Agora a gente tem que parar e pensar: como solucionar esse problema
> dos
> > meios de treino especial ?
> > Quando eu queria transferência pro Seoi nague, fazia um agachamento,
> pro
> >tai
> > otoshi, afundo, e assim vai... tentando criar o treino especial
> >tupiniquim
> > aplicado ao judô. E creio que essa será a empreitada mais difícil de
> >nossa
> > discussão: como transferir a carga ?
> >
> > Creio que esse conjunto de idéias já alimentou bem nossa discussão...
> > listeiros, vamos conversando e pensando o que ser feito dentro dessa
> > concepção de treinamento para o judô.
> >
> > Obrigado a todos, e aproveito pra dizer o qto. está sendo bom "botar
> pra
> > fora" as idéias !
> >
> > Até mais pessoal !
> > Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa (vulgo "Covil", mas deixa o apelido pra
> >lá...)
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