Haroldo,
Sempre me deparei com o dilema: se aceito essa "moeda de troca" acabo
contribuindo para a transferência dessa responsabilidade e indiretamente
esvaziando a relação entre pai e filho, onde, ambos devem encontrar os
caminhos para solucionar seus problemas de convivência: não é só o filho que
aprende, o pai também, as vezes mais que os filhos. Por outro lado,
concordando com sua analise sobre a nova estrutura familiar (as mães,
outrora sombras constantes de seus filhos, hoje têm que sair para trabalhar
e complementar a renda familiar, as relações são mais dinâmicas e, por isso,
mais tempestuosas, as crianças amadurecem cada vez mais cedo, etc.) me sinto
um pouco responsável por esse processo de formação das crianças e em dúvida
se devo ou não intervir tão diretamente.
Sempre optei por tentar convencer os pais de encontrarem outros caminhos de
negociarem com seus filhos. Não me sinto muito a vontade de assumir o papel
de uma espécie de "pai paralelo". Mas vejo que também não posso, enquanto
educador, me omitir diante do problema. Acho que falei e não disse muita
coisa mas serviu para expor, pelo menos, um sentimento.
Um abração (para voltar às origens).
Roberto Corrêa.
-----Original Message-----
From: Haroldo de Lima Arouca [mailto:arouca@xxxxxxxxxxxx]
Sent: sexta-feira, 8 de agosto de 2003 12:19
To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Subject: Re: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
Roberto, demais amigos da lista ...
Verdade, acontece sim, vejo que, na maioria das vezes, praticar judô acaba
sendo uma atividade muito que dá muito prazer ao praticante e, acaba virando
moeda de troca na mão dos pais ... na verdade eu apoio esta troca e digo aos
alunos para não darem aos pais motivos para que os suspendam ou retirem da
academia.
A transferência da responsabilidade de educar dos pais para os professores
reflete a dificuldade em estabelecer ou negociar limites com os filhos.
Reflexo da nova organização familiar brasileira, com pais separados, grande
parte do pedido de auxílio vem em socorro de famílias onde está
enfraquecida, por algum motivo a figura paterna, espaço que é ocupado (não
por que queiramos) pelo professor de judô. Não existe uma forma de lidar com
o caso, utilizar o bom senso e encaminhar a auxilio especializado (psicólogo
ou psiquiatra) quando uma boa conversa não resolve, tem sido meu proceder,
sei que está não é minha tarefa mas eu realmente me importo com as
modificações e as dificuldades que o crescer coloca na frente de meus alunos
e, tento, fazer com que refiltam sobre suas dificuldades para que sejam
capazes, por si, de identificarem seus problemas e partindo desta
identificação tentarem soluções ou fazerem as escolhas que julgarem mais
corretas. Os estimulo a encontrar as soluções desde que as busquem.
Abraços a meus senseis virtuais.
Haroldo
----- Original Message -----
From: "UOL" <rcdosanjos@xxxxxxxxxx>
To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Sent: Friday, August 08, 2003 12:43 PM
Subject: RE: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
>
> Haroldo e demais listeiros,
>
> Me preocupa um pouco a transferência de responsabilidade que enfrentamos,
em
> muitos casos, por partes dos responsáveis de nossos alunos. É comum nos
> depararmos com a situação em que os pais, "por não conseguirem controlar
> mais os filhos", apoiam-se nos professores (não é um privilégio do Judô
mas
> acontece muito, principalmente em função da FAIXA PRETA). Pedidos como por
> exemplo: "professor, converse com meu filho pois ele não está querendo
> comer"; ou "ele não quer estudar"; ou ainda "ele anda me respondendo",
> acabam gerando situações em que, muitas vezes, o prazer é transformado em
> medo. Vocês enfrentam esse tipo de problemas com suas crianças? E se
> enfrentam, como os enfrentam?
>
> Um abraço,
> Roberto Corrêa.
>
>
> -----Original Message-----
> From: Haroldo de Lima Arouca [mailto:arouca@xxxxxxxxxxxx]
> Sent: sexta-feira, 8 de agosto de 2003 10:56
> To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Subject: Re: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
>
> Oi, Paulo, Amigos da lista
>
>
> Viva a diferença, pois somente dele que nasce o debate, terreno fértil
onde
> floresce o conhecimento ... não me sinto incomodado, pelo contrário, me
> ofereces oportunidade de respondendo a teus questionamentos reafirmar
minhas
> próprias convicções pessoais e relembrar o que me motiva a atuar nesta
área.
>
> Abraços a meus senseis virtuais.
>
> Haroldo
>
>
>
>
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