cevjudo

Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força

To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
From: "Paulo Azevedo" <paulopersonal@xxxxxxxxxx>
Date: Thu, 7 Aug 2003 19:53:43 -0300
Olá Rodrigo e listeiros,
também estou adorando a discussão, ainda mais agora que o tema esta dentro da 
minha área de estudo!
Sobre os marcadores bioquímicos, acho importantíssimo essa visão que vc's estão 
tendo para o controle funcional do atleta. Penso que vc's deveriam pensar em 
algo não invasivo e, com um maior acesso, tipo lactato. Quem sabe analisar 
amônia tb! Adrenalina, noradrenalina, testosterona, cortisol. São alguns 
parâmetros que seria muito interessante de serem analisados dentro do processo 
de treinamento. Vc's já pensaram em analisar essas variáveis fisiológicas 
durante a planificação dos treinamentos? Alguém já fez isso? Pergunto dentro ou 
fora do judô!
Se não foi feito, teriam interesse nisso? ;o)
Sobre os 25%,creio que poderia ser tentado um acumulo maior do que os 25% 
preconizados pelo prof. Verkoshansky, e serem feitas analises das respostas 
fisiológicas com diferentes % de acumulo. Ta ai mais uma idéia!
Dentro do A1, legal, entendi o que vc explicou!
Agora sobre o exemplo dado, que um treino de resistência de força atrapalharia 
na qualidade de um treino de força máxima no dia seguinte devido à acidose. 
Creio o seguinte, se isso esta acontecendo, o treino de resistência de força 
esta com uma carga muito além do que deveria, pq porprincipio, ela não deveria 
causar acidose. Ai tem-se algumas alternativas: diminuir a carga, diminuir o 
numero de repetições ou ainda aumentar o tempo de recuperação entre uma série e 
outra! Uma pergunta, como vc's programam a carga para o trabalho de resistência 
de força: repetição máxima, carga máxima (1RM)?
Eu tenho aqui um esqueminha de heterocronia das recuperações, para um não 
interferir negativamente no outro, se alguém se interessar, posso mandar!
Bloco A2, tranqüilo!
Bloco B, tranqüilo!
Bloco C, qual o período de intervalo entre séries e exercícios usadospor vc's? 
Pq?
Pra terminar, qual o tempo destinado a cada bloco e sub-bloco utilizado 
porvc's? Por exemplo, em uma planificação de 16 semanas!?
To adorando isso!!!!!!! 

Abraços,
Paulo Azevedo

----- Original Message ----- 
From: Rodrigo Ribeiro Rosa 
To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx 
Sent: Tuesday, August 05, 2003 9:57 PM
Subject: Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força


Boa noite aos listeiros ! Como estão ?

Primeiro de tudo: Fabrício, é bem estranho o meu apelido mesmo... pode me 
chamar como quiser, num dá nada, é só meio estranho para os professores! E 
apelido de faculdade pega mesmo !

Paulo, tô gostando de trocar essas idéias contigo. Tá sendo legal... então, 
vamo lá ! (ah, e professores, vamos colaborar pra essa discussão !!! Vamos 
colher bons frutos desse debate !)

A bioquímica tem ainda um papel a ser trabalhado: estamos pensando sobre o 
uso dos marcadores como lactato e hipoxantina pra avaliação do estado 
funcional do atleta... ainda estamos engatinhando na idéia, mas isso não tem 
um modo específico citado na teoria das cargas de força... imaginar que 
existe um processo de subcompensação no atleta, será que o sistema imune 
pode ser um bom modo de avaliar tbm essa funcionalidade ? (vamo pensar...)

Bom, agora sobre da onde vem os 25% da concentração de carga no blocoA: tá 
na teoria do Verkoshansky... aí, já dá pra se pensar, pq ele desenvolveu a 
teoria com atletas de desportos de força rápida (saltadores e triplistas), e 
essa afirmação vem carregada no texto qdo. ele descreve o EPDT... 
questionável pois será o judô pode ter um acúmulo maior ??

Sobre as subdivisões do bloco A, para o A1 correspondem essas capacidades e 
suas manifestações contrastantes, conforme seu exemplo. Certo ! Mas as 
dúvidas são de como distribuir tais cargas no período... uma idéia por 
exemplo sobre a organização é a de que uma unidade de treino de resistência 
de força, com certeza, provocará uma menor qualidade do treino seguinte, por 
exemplo, na força máxima, já que a acidose provocada pelo treino de 
resistência pode estar ainda prejudicando a funcionalidade do sistema 
neuromuscular... é um termo que seria a fadiga neural, não dá pra querer um 
trabalho de recrutamento máximo muscular, se o sistema não codifica essa 
mensagem, já que existe a fadiga. Por isso, devem existir momentos de 
repouso dessas cargas para que não haja interferências tão abruptasna 
homeostase que o atleta se encontra.

Quanto ao bloco A2, as cargas não tem a característica de queda repentina, é 
um volume um pouco menor, pois os exercícios específicos estarão sendo 
inseridos... imagine os fatos que estão sendo discutidos sobre as propostas 
didáticas do judô (tenho lido sobre essa discussão entre vcs): treino 
técnico com elevada carga produz um efeito que gera uma deficiência do 
movimento (maior lentidão), mas imagine esse recrutamento muscular no gesto 
técnico, e o efeito de subcompensação estando a piorar durante esseperíodo 
ainda mais que no bloco A1... devemos pensar nas estruturas interconexas de 
treino: cada tijolo tem seu cimento unindo aos demais pra formar a parede! 
No momento certo, a carga manifesta sua transferência.

Sobre o A3, Paulo, é exatamente essa funcionalidade: o potencial elástico 
gerado durante o regime pliométrico acentua a queda funcional do organismo 
(o stress é muito forte: imagine que em um saltador, que usa uma queda de 
salto que pode elevar a força de impacto em 10 vezes o seu peso corporal... 
isso estressa demais as articulações), mas prepara o organismo para a 
velocidade específica... os tijolos !

Passando para o bloco B (ufa, o A é o mais difícil !), vemos essa transição 
para regimes mais velozes de ação motora específica, e os trabalhoscom os 
componentes da força (máxima, rápida e explosiva) e resistência (de força, 
de força rápida, anaeróbio e aeróbio) continuam, mas dentro de uma maior 
especificidade dos meios de treino.

No bloco C, entende-se pela tonificação muscular sessões de treino bem 
curtos, onde os exercícios com pesos tem intensidade em torno de 80-90%1RM, 
as séries são 2-3 para cada exercício, e as repetições são de6-8 repetições 
NO MÁXIMO ! O treino é intenso, mas breve... o músculo mantem um "estado de 
prontidão" com tal estímulo.

Pra gente finalizar essa rodada, sobre o tempo de estímulo: temos uma grande 
dúvida, pois os tempos podem até ser condizentes, mas como será a 
intensidade dentro desse tempo de estímulo... ? Outra grande questão,que 
coloco na nossa roda de debates, pra gente pensar num modo de avaliar essa 
intensidade !

Bom, gente, vou encerrando por enqto. essa rodada, e assim, vamos tocandoa 
bola que tá ficando um jogão !!! :-)

Um abraço a todos... até mais !
Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa "Covil"
FEF-UNICAMP

>From: "Paulo Azevedo" <paulopersonal@xxxxxxxxxx>
>Reply-To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
>To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
>Subject: Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
>Date: Tue, 5 Aug 2003 15:06:49 -0300
>
>Olá Rodrigo,
>pelo que entendi aqui, o Período A1 é destinado ao aumento da força, 
>resistência e velocidade, e suas subcategorias (resistência de força, força 
>rápida...), é isso? Quais as variáveis bioquímicas utilizadas e como são 
>utilizadas para controlar essa subcompensação?
>A2, começa a ser inserido no programa exercícios especificos da modalidade, 
>com diminuição das cargas. Por que diminui as cargas? Ou o treino já é 
>visando a especificidade fisiológica-metabólica da modalidade?
>A3, o treino pliométrico tem destaque. Isso seria por causa de um treino 
>mais intenso de velocidade no Bloco B?
>"Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estarem 
>torno
>de 25% da carga total de treino do macrociclo". Por que 25%?
>Bloco B, é feita apenas uma manutenção dos níveis de força? Dequal força 
>(máxima, resistência, etc)?
>Bloco C, "As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular, para 
>otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos resultados". 
>Como é deve ser um trabalho para conseguir essa tonificação (de um 
>exemplo)?
>Rodrigo, isto são duvidas minhas mesmo, li 2 artigos do prof. Verkoshansky, 
>mas mesmo assim, não foram sanadas!
>O exemplo de transferência da carga de força para a carga especial, com 
>tempo de 1 minuto e 30 segundos, não foge à especificidade do judô? Esse 
>exemplo seria utilizado no período A2, mais especificamente?
>Sobre como transferir a carga, pode ser o mais difícil, mas creio que será 
>o mais prazeroso tb, onde toda a criatividade vem à tona e, descobrisse 
>muitas coisas novas e inovadoras tb!
>To adorando o assunto!
>
>Abraços,
>Paulo Azevedo
>
> ----- Original Message -----
> From: Rodrigo Ribeiro Rosa
> To: cevjudo-l@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Sent: Monday, August 04, 2003 5:21 PM
> Subject: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
>
>
> Boa tarde aos professores e participantes da lista !
>
> Antes de tudo, vou deixar claro que o Fabrício coloca meu nome sempre 
>pelo
> apelido de faculdade ("Covil"), então nas últimas vezes que ele 
>solicitou
> minha ajuda, me chamou pelo apelido... Fabrício, chama pelo nome !!! ;-)
>
> Bom, nossa discussão está recheada de muitas idéias ótimas e surgiram
> algumas dúvidas quanto ao processo de desenvolvimento das cargas
> concentradas de força aplicado ao judô. Para que possamos ter um ponto
> fechado de início: é fato que o atleta brasileiro tem diferenças notadas 
>de
> um atleta russo, sujeito da pesquisa inicial com as cargas concentradas 
>de
> força... isso remonta desde a EF Escolar de cada um (na Rússia, crianças
> fazem agachamento com cargas leves, porém isso é questionável qto. a 
>própria
> aplicação da carga... acho que deve tem sobrecarga sim, respeitando ao
> máximo o organismo da criança, que possui notada plasticidade), epor 
>isso,
> atletas russos podem suportar cargas muito intensas devido ao acúmulo de
> carga e os processos adaptativos do organismo ao longo de sua vida, que 
>foi
> planejada devido ao programa bem desenvolvido de acompanhamento das 
>crianças
> que eles tem (ou tinham) lá na Rússia (na época da pesquisa, URSS). Como
> aplicar carga concentrada no atleta brasileiro, dentro dessa realidade
> desportiva que temos durante o processo de formação do indivíduo 
>(leia-se EF
> Escolar comprometida)? Categoricamente, não sei dizer, mas temos pistas, 
>que
> podem ajudar a solucionar essa questão...
>
> Assim, o conceito de concentração de carga no judô deve partir do já
> preconizado pelo prof. Verkoshansky, no que diz respeito à organização 
>dos
> períodos de treino, ou seja, bloco A terão cargas de força (acúmulo), 
>que
> desencadeará o processo de subcompensação. O atleta piora, mas 
>devidamente
> controlado através de variáveis biomotoras e bioquímicas (respostas
> metabólicas). A queda, de acordo com o reportado na literatura, está em
> torno de 10-15% da capacidade funcional máxima.
>
> No bloco A tem-se a divisão em três períodos: A1, cargas de força,
> resistência e velocidade, dentro de conteúdos interconexos das 
>capacidades
> (resistência de força é um exemplo de contraste), A2, onde a 
>transferência
> da carga de força para o movimento específico ocorre, com a diminuição 
>da
> concentração da carga e o desenvolvimento da força especial através de 
>meios
> específicos de treino do gesto motor da modalidade, A3, onde o regime
> pliométrico tem destaque, e as outras cargas diminuem consideravelmente.
> Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estar em 
>torno
> de 25% da carga total de treino do macrociclo.
>
> No bloco B, ocorre o treinamento da técnica, e o acúmulo das cargas 
>passa a
> ser conteúdo secundário. O que se espera nesse período é que o organismo
> responda ao processo de supercompensação devido à diminuição gradativa 
>da
> concentração da carga, e que o desenvolvimento da técnica competitiva 
>seja
> acentuado, aproveitando o EPDT (efeito posterior duradouro de 
>treinamento,
> expressão traduzida do russo) gerado pelo stress do bloco A.
>
> O bloco C finaliza o período com a busca da modelação dos aspectos
> técnico-táticos, em exercícios pré-competitivos e competitivos 
>propriamente
> dito. As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular (parece
> coisa da revista Boa Forma, mas é o termo usado pelo prof. 
>Verkoshansky),
> para otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos 
>resultados.
>
> Bom, falamos em exercícios específicos: mas quais? como? quanto tempo?
> intensidade? volume ?
> Inúmeras perguntas que nós vamos responder... e temos que responder ! O
> desenvolvimento da Preparação de Força Especial (PFE) aplicado ao judô 
>tem
> dado trabalho pro pensamento nosso, já que a ação motora de ataque é
> complexa, visto o número de alavancas passivas que podemos gerar.
> Procurou-se transferir a carga de força pra carga especial através de 
>meios
> específicos da seguinte forma, sugerida pelo prof. Paulinho (nosso
> orientador):
>
> Exercício: 5 séries de 6-8 repetições de exercício com pesos, cargas
> variando em torno de 80-90% 1RM (questionável), logo na sequência 
>realiza-se
> 5-6 entradas de golpe resistido (judoca sendo seguro por outro 
>companheiro
> pelas costas, na gola e faixa), e finaliza a série realizando projeção
> completa, na máxima velocidade. Tempo de duração do estímulo (série de 
>pesos
> + projeções): 1,5 a 2 minutos.
>
> Como podem observar, aqui já temos pano pra manga pra conversar:
> transferência específica de entrada de golpe parado (lembra que vc 
>pontuou
> isso Fabs ?), a mensuração da carga pela 1RM, número de repetições, 
>tempo de
> estímulo...
>
> Agora a gente tem que parar e pensar: como solucionar esse problema dos
> meios de treino especial ?
> Quando eu queria transferência pro Seoi nague, fazia um agachamento, pro 
>tai
> otoshi, afundo, e assim vai... tentando criar o treino especial 
>tupiniquim
> aplicado ao judô. E creio que essa será a empreitada mais difícil de 
>nossa
> discussão: como transferir a carga ?
>
> Creio que esse conjunto de idéias já alimentou bem nossa discussão...
> listeiros, vamos conversando e pensando o que ser feito dentro dessa
> concepção de treinamento para o judô.
>
> Obrigado a todos, e aproveito pra dizer o qto. está sendo bom "botar pra
> fora" as idéias !
>
> Até mais pessoal !
> Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa (vulgo "Covil", mas deixa o apelido pra 
>lá...)
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