Boa tarde pessoal da lista !!
Respondendo às dúvidas que podem ser de todos, mas foram encaminhadas pelo
prof. Roberto, creio que esse enfoque do treinamento individualizado, em
virtude das diferenças de categorias de peso, deve ser uma das pesquisas que
temos que desenvolver. Na Unicamp, através da minha pessoa e do Fabrício, já
temos algumas respostas devido a essas diferenças nos tempos de combate e
recuperação. Realmente, existem diferenças nos tempos dos mais leves e mais
pesados, e agora recai a mesma dúvida: como realizar uma estrutura de
treino, que possa contemplar as diferenças ?
Os atletas mais leves realizam maior quantidade de entradas, isso já temos
como afirmar; se eles se deslocam mais no shiai-jo, já não temos como
responder. Então, a nossa discussão terá tais fatores norteadores e que
podem ser discutidas por nós.
Vamos desenvolvendo os debates, e assim, vamos tentando solucionar nossas
dúvidas... criando a ciência do judô !!
Um abraço a todos.
Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa
From: "Roberto" <rcdosanjos@xxxxxxxxxx>
Reply-To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: RES: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
Date: Wed, 6 Aug 2003 06:38:25 -0300
Rodrigo, bom dia.
Embora não seja muito a minha praia (meus estudos estão mais voltados ao
treinamento infantil), vou me aventurar com uma dúvida pra você me ajudar a
crescer um pouco nesse campo. Todas as vezes que discutimos a construção de
um treinamento que seja o mais específico o possível para o Judô, nos
deparamos com o problema, que inclusive você já frisou, da quantidade,
quase
infinita, de diferentes alavancas. Quando apresentaste o exemplo do
seoi-nage, com uma transferência a partir de um exercício de agachamento, o
afundo para o tai-otoshi, etc. fiquei pensando que, além de considerarmos a
biomecânica do gesto para definirmos como apontar para a especificidade,
ainda existe o fato de que, dependendo de por quem esses gestos são
executados, a brincadeira muda de figura. Em outras palavras, uma
determinada técnica aplicada por um atleta de uma categoria com
características de maior velocidade, depende mais da força rápida que a
mesma técnica quando aplicada por um peso pesado onde além da força rápida,
deverá haver um componente de força máxima e talvez de resistência visto
que
dois fatores limitam a "eficiência (o termo não é bem esse) do movimento: a
diminuição da velocidade natural pelo peso do tori e o aumento da inércia
em
virtude do peso do uque. Isso está correto? Assim sendo, além da
especificidade de cada habilidade ainda teríamos que considerar o estilo, o
peso, a velocidade de quem executa? Um treinamento individualizado?
Desculpe-me se minhas dúvidas parecerem muito ingênuas mas, como já disse,
não navego muito (ou navegava pois estou começando a ler mais um pouco
sobre
o assunto motivado por vc, Fabrício e o Paulo) por essas águas.
Um abraço.
Roberto Corrêa.
-----Mensagem original-----
De: Rodrigo Ribeiro Rosa [mailto:ribeiro_rodrigo3r@xxxxxxxxxxx]
Enviada em: terça-feira, 5 de agosto de 2003 21:57
Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Assunto: Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
Boa noite aos listeiros ! Como estão ?
Primeiro de tudo: Fabrício, é bem estranho o meu apelido mesmo... pode me
chamar como quiser, num dá nada, é só meio estranho para os professores! E
apelido de faculdade pega mesmo !
Paulo, tô gostando de trocar essas idéias contigo. Tá sendo legal... então,
vamo lá ! (ah, e professores, vamos colaborar pra essa discussão !!! Vamos
colher bons frutos desse debate !)
A bioquímica tem ainda um papel a ser trabalhado: estamos pensando sobre o
uso dos marcadores como lactato e hipoxantina pra avaliação do estado
funcional do atleta... ainda estamos engatinhando na idéia, mas isso não
tem
um modo específico citado na teoria das cargas de força... imaginar que
existe um processo de subcompensação no atleta, será que o sistema imune
pode ser um bom modo de avaliar tbm essa funcionalidade ? (vamo pensar...)
Bom, agora sobre da onde vem os 25% da concentração de carga no bloco A: tá
na teoria do Verkoshansky... aí, já dá pra se pensar, pq ele desenvolveu a
teoria com atletas de desportos de força rápida (saltadores e triplistas),
e
essa afirmação vem carregada no texto qdo. ele descreve o EPDT...
questionável pois será o judô pode ter um acúmulo maior ??
Sobre as subdivisões do bloco A, para o A1 correspondem essas capacidades e
suas manifestações contrastantes, conforme seu exemplo. Certo ! Mas as
dúvidas são de como distribuir tais cargas no período... uma idéia por
exemplo sobre a organização é a de que uma unidade de treino de resistência
de força, com certeza, provocará uma menor qualidade do treino seguinte,
por
exemplo, na força máxima, já que a acidose provocada pelo treino de
resistência pode estar ainda prejudicando a funcionalidade do sistema
neuromuscular... é um termo que seria a fadiga neural, não dá pra querer um
trabalho de recrutamento máximo muscular, se o sistema não codifica essa
mensagem, já que existe a fadiga. Por isso, devem existir momentos de
repouso dessas cargas para que não haja interferências tão abruptas na
homeostase que o atleta se encontra.
Quanto ao bloco A2, as cargas não tem a característica de queda repentina,
é
um volume um pouco menor, pois os exercícios específicos estarão sendo
inseridos... imagine os fatos que estão sendo discutidos sobre as propostas
didáticas do judô (tenho lido sobre essa discussão entre vcs): treino
técnico com elevada carga produz um efeito que gera uma deficiência do
movimento (maior lentidão), mas imagine esse recrutamento muscular no gesto
técnico, e o efeito de subcompensação estando a piorar durante esse período
ainda mais que no bloco A1... devemos pensar nas estruturas interconexas de
treino: cada tijolo tem seu cimento unindo aos demais pra formar a parede !
No momento certo, a carga manifesta sua transferência.
Sobre o A3, Paulo, é exatamente essa funcionalidade: o potencial elástico
gerado durante o regime pliométrico acentua a queda funcional do organismo
(o stress é muito forte: imagine que em um saltador, que usa uma queda de
salto que pode elevar a força de impacto em 10 vezes o seu peso corporal...
isso estressa demais as articulações), mas prepara o organismo para a
velocidade específica... os tijolos !
Passando para o bloco B (ufa, o A é o mais difícil !), vemos essa transição
para regimes mais velozes de ação motora específica, e os trabalhos com os
componentes da força (máxima, rápida e explosiva) e resistência (de força,
de força rápida, anaeróbio e aeróbio) continuam, mas dentro de uma maior
especificidade dos meios de treino.
No bloco C, entende-se pela tonificação muscular sessões de treino bem
curtos, onde os exercícios com pesos tem intensidade em torno de 80-90%
1RM,
as séries são 2-3 para cada exercício, e as repetições são de 6-8
repetições
NO MÁXIMO ! O treino é intenso, mas breve... o músculo mantem um "estado de
prontidão" com tal estímulo.
Pra gente finalizar essa rodada, sobre o tempo de estímulo: temos uma
grande
dúvida, pois os tempos podem até ser condizentes, mas como será a
intensidade dentro desse tempo de estímulo... ? Outra grande questão, que
coloco na nossa roda de debates, pra gente pensar num modo de avaliar essa
intensidade !
Bom, gente, vou encerrando por enqto. essa rodada, e assim, vamos tocando a
bola que tá ficando um jogão !!! :-)
Um abraço a todos... até mais !
Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa "Covil"
FEF-UNICAMP
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