Boa noite aos listeiros ! Como estão ?
Primeiro de tudo: Fabrício, é bem estranho o meu apelido mesmo... pode me
chamar como quiser, num dá nada, é só meio estranho para os professores! E
apelido de faculdade pega mesmo !
Paulo, tô gostando de trocar essas idéias contigo. Tá sendo legal... então,
vamo lá ! (ah, e professores, vamos colaborar pra essa discussão !!! Vamos
colher bons frutos desse debate !)
A bioquímica tem ainda um papel a ser trabalhado: estamos pensando sobre o
uso dos marcadores como lactato e hipoxantina pra avaliação do estado
funcional do atleta... ainda estamos engatinhando na idéia, mas isso não tem
um modo específico citado na teoria das cargas de força... imaginar que
existe um processo de subcompensação no atleta, será que o sistema imune
pode ser um bom modo de avaliar tbm essa funcionalidade ? (vamo pensar...)
Bom, agora sobre da onde vem os 25% da concentração de carga no bloco A: tá
na teoria do Verkoshansky... aí, já dá pra se pensar, pq ele desenvolveu a
teoria com atletas de desportos de força rápida (saltadores e triplistas), e
essa afirmação vem carregada no texto qdo. ele descreve o EPDT...
questionável pois será o judô pode ter um acúmulo maior ??
Sobre as subdivisões do bloco A, para o A1 correspondem essas capacidades e
suas manifestações contrastantes, conforme seu exemplo. Certo ! Mas as
dúvidas são de como distribuir tais cargas no período... uma idéia por
exemplo sobre a organização é a de que uma unidade de treino de resistência
de força, com certeza, provocará uma menor qualidade do treino seguinte, por
exemplo, na força máxima, já que a acidose provocada pelo treino de
resistência pode estar ainda prejudicando a funcionalidade do sistema
neuromuscular... é um termo que seria a fadiga neural, não dá pra querer um
trabalho de recrutamento máximo muscular, se o sistema não codifica essa
mensagem, já que existe a fadiga. Por isso, devem existir momentos de
repouso dessas cargas para que não haja interferências tão abruptas na
homeostase que o atleta se encontra.
Quanto ao bloco A2, as cargas não tem a característica de queda repentina, é
um volume um pouco menor, pois os exercícios específicos estarão sendo
inseridos... imagine os fatos que estão sendo discutidos sobre as propostas
didáticas do judô (tenho lido sobre essa discussão entre vcs): treino
técnico com elevada carga produz um efeito que gera uma deficiência do
movimento (maior lentidão), mas imagine esse recrutamento muscular no gesto
técnico, e o efeito de subcompensação estando a piorar durante esse período
ainda mais que no bloco A1... devemos pensar nas estruturas interconexas de
treino: cada tijolo tem seu cimento unindo aos demais pra formar a parede !
No momento certo, a carga manifesta sua transferência.
Sobre o A3, Paulo, é exatamente essa funcionalidade: o potencial elástico
gerado durante o regime pliométrico acentua a queda funcional do organismo
(o stress é muito forte: imagine que em um saltador, que usa uma queda de
salto que pode elevar a força de impacto em 10 vezes o seu peso corporal...
isso estressa demais as articulações), mas prepara o organismo para a
velocidade específica... os tijolos !
Passando para o bloco B (ufa, o A é o mais difícil !), vemos essa transição
para regimes mais velozes de ação motora específica, e os trabalhos com os
componentes da força (máxima, rápida e explosiva) e resistência (de força,
de força rápida, anaeróbio e aeróbio) continuam, mas dentro de uma maior
especificidade dos meios de treino.
No bloco C, entende-se pela tonificação muscular sessões de treino bem
curtos, onde os exercícios com pesos tem intensidade em torno de 80-90% 1RM,
as séries são 2-3 para cada exercício, e as repetições são de 6-8 repetições
NO MÁXIMO ! O treino é intenso, mas breve... o músculo mantem um "estado de
prontidão" com tal estímulo.
Pra gente finalizar essa rodada, sobre o tempo de estímulo: temos uma grande
dúvida, pois os tempos podem até ser condizentes, mas como será a
intensidade dentro desse tempo de estímulo... ? Outra grande questão, que
coloco na nossa roda de debates, pra gente pensar num modo de avaliar essa
intensidade !
Bom, gente, vou encerrando por enqto. essa rodada, e assim, vamos tocando a
bola que tá ficando um jogão !!! :-)
Um abraço a todos... até mais !
Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa "Covil"
FEF-UNICAMP
From: "Paulo Azevedo" <paulopersonal@xxxxxxxxxx>
Reply-To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
Date: Tue, 5 Aug 2003 15:06:49 -0300
Olá Rodrigo,
pelo que entendi aqui, o Período A1 é destinado ao aumento da força,
resistência e velocidade, e suas subcategorias (resistência de força, força
rápida...), é isso? Quais as variáveis bioquímicas utilizadas e como são
utilizadas para controlar essa subcompensação?
A2, começa a ser inserido no programa exercícios especificos da modalidade,
com diminuição das cargas. Por que diminui as cargas? Ou o treino já é
visando a especificidade fisiológica-metabólica da modalidade?
A3, o treino pliométrico tem destaque. Isso seria por causa de um treino
mais intenso de velocidade no Bloco B?
"Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estar em
torno
de 25% da carga total de treino do macrociclo". Por que 25%?
Bloco B, é feita apenas uma manutenção dos níveis de força? De qual força
(máxima, resistência, etc)?
Bloco C, "As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular, para
otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos resultados".
Como é deve ser um trabalho para conseguir essa tonificação (de um
exemplo)?
Rodrigo, isto são duvidas minhas mesmo, li 2 artigos do prof. Verkoshansky,
mas mesmo assim, não foram sanadas!
O exemplo de transferência da carga de força para a carga especial, com
tempo de 1 minuto e 30 segundos, não foge à especificidade do judô? Esse
exemplo seria utilizado no período A2, mais especificamente?
Sobre como transferir a carga, pode ser o mais difícil, mas creio que será
o mais prazeroso tb, onde toda a criatividade vem à tona e, descobrisse
muitas coisas novas e inovadoras tb!
To adorando o assunto!
Abraços,
Paulo Azevedo
----- Original Message -----
From: Rodrigo Ribeiro Rosa
To: cevjudo-l@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Sent: Monday, August 04, 2003 5:21 PM
Subject: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
Boa tarde aos professores e participantes da lista !
Antes de tudo, vou deixar claro que o Fabrício coloca meu nome sempre
pelo
apelido de faculdade ("Covil"), então nas últimas vezes que ele
solicitou
minha ajuda, me chamou pelo apelido... Fabrício, chama pelo nome !!! ;-)
Bom, nossa discussão está recheada de muitas idéias ótimas e surgiram
algumas dúvidas quanto ao processo de desenvolvimento das cargas
concentradas de força aplicado ao judô. Para que possamos ter um ponto
fechado de início: é fato que o atleta brasileiro tem diferenças notadas
de
um atleta russo, sujeito da pesquisa inicial com as cargas concentradas
de
força... isso remonta desde a EF Escolar de cada um (na Rússia, crianças
fazem agachamento com cargas leves, porém isso é questionável qto. a
própria
aplicação da carga... acho que deve tem sobrecarga sim, respeitando ao
máximo o organismo da criança, que possui notada plasticidade), e por
isso,
atletas russos podem suportar cargas muito intensas devido ao acúmulo de
carga e os processos adaptativos do organismo ao longo de sua vida, que
foi
planejada devido ao programa bem desenvolvido de acompanhamento das
crianças
que eles tem (ou tinham) lá na Rússia (na época da pesquisa, URSS). Como
aplicar carga concentrada no atleta brasileiro, dentro dessa realidade
desportiva que temos durante o processo de formação do indivíduo
(leia-se EF
Escolar comprometida)? Categoricamente, não sei dizer, mas temos pistas,
que
podem ajudar a solucionar essa questão...
Assim, o conceito de concentração de carga no judô deve partir do já
preconizado pelo prof. Verkoshansky, no que diz respeito à organização
dos
períodos de treino, ou seja, bloco A terão cargas de força (acúmulo),
que
desencadeará o processo de subcompensação. O atleta piora, mas
devidamente
controlado através de variáveis biomotoras e bioquímicas (respostas
metabólicas). A queda, de acordo com o reportado na literatura, está em
torno de 10-15% da capacidade funcional máxima.
No bloco A tem-se a divisão em três períodos: A1, cargas de força,
resistência e velocidade, dentro de conteúdos interconexos das
capacidades
(resistência de força é um exemplo de contraste), A2, onde a
transferência
da carga de força para o movimento específico ocorre, com a diminuição
da
concentração da carga e o desenvolvimento da força especial através de
meios
específicos de treino do gesto motor da modalidade, A3, onde o regime
pliométrico tem destaque, e as outras cargas diminuem consideravelmente.
Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estar em
torno
de 25% da carga total de treino do macrociclo.
No bloco B, ocorre o treinamento da técnica, e o acúmulo das cargas
passa a
ser conteúdo secundário. O que se espera nesse período é que o organismo
responda ao processo de supercompensação devido à diminuição gradativa
da
concentração da carga, e que o desenvolvimento da técnica competitiva
seja
acentuado, aproveitando o EPDT (efeito posterior duradouro de
treinamento,
expressão traduzida do russo) gerado pelo stress do bloco A.
O bloco C finaliza o período com a busca da modelação dos aspectos
técnico-táticos, em exercícios pré-competitivos e competitivos
propriamente
dito. As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular (parece
coisa da revista Boa Forma, mas é o termo usado pelo prof.
Verkoshansky),
para otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos
resultados.
Bom, falamos em exercícios específicos: mas quais? como? quanto tempo?
intensidade? volume ?
Inúmeras perguntas que nós vamos responder... e temos que responder ! O
desenvolvimento da Preparação de Força Especial (PFE) aplicado ao judô
tem
dado trabalho pro pensamento nosso, já que a ação motora de ataque é
complexa, visto o número de alavancas passivas que podemos gerar.
Procurou-se transferir a carga de força pra carga especial através de
meios
específicos da seguinte forma, sugerida pelo prof. Paulinho (nosso
orientador):
Exercício: 5 séries de 6-8 repetições de exercício com pesos, cargas
variando em torno de 80-90% 1RM (questionável), logo na sequência
realiza-se
5-6 entradas de golpe resistido (judoca sendo seguro por outro
companheiro
pelas costas, na gola e faixa), e finaliza a série realizando projeção
completa, na máxima velocidade. Tempo de duração do estímulo (série de
pesos
+ projeções): 1,5 a 2 minutos.
Como podem observar, aqui já temos pano pra manga pra conversar:
transferência específica de entrada de golpe parado (lembra que vc
pontuou
isso Fabs ?), a mensuração da carga pela 1RM, número de repetições,
tempo de
estímulo...
Agora a gente tem que parar e pensar: como solucionar esse problema dos
meios de treino especial ?
Quando eu queria transferência pro Seoi nague, fazia um agachamento, pro
tai
otoshi, afundo, e assim vai... tentando criar o treino especial
tupiniquim
aplicado ao judô. E creio que essa será a empreitada mais difícil de
nossa
discussão: como transferir a carga ?
Creio que esse conjunto de idéias já alimentou bem nossa discussão...
listeiros, vamos conversando e pensando o que ser feito dentro dessa
concepção de treinamento para o judô.
Obrigado a todos, e aproveito pra dizer o qto. está sendo bom "botar pra
fora" as idéias !
Até mais pessoal !
Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa (vulgo "Covil", mas deixa o apelido pra
lá...)
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