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Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força

To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Re: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
From: "Paulo Azevedo" <paulopersonal@xxxxxxxxxx>
Date: Tue, 5 Aug 2003 15:06:49 -0300
Olá Rodrigo,
pelo que entendi aqui, o Período A1 é destinado ao aumento da força, 
resistência e velocidade, e suas subcategorias (resistência de força,força 
rápida...), é isso? Quais as variáveis bioquímicas utilizadas e como são 
utilizadas para controlar essa subcompensação?
A2, começa a ser inserido no programa exercícios especificos da modalidade, com 
diminuição das cargas. Por que diminui as cargas? Ou o treino já é visando a 
especificidade fisiológica-metabólica da modalidade?
A3, o treino pliométrico tem destaque. Isso seria por causa de um treino mais 
intenso de velocidade no Bloco B?
"Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estar emtorno 
de 25% da carga total de treino do macrociclo". Por que 25%?
Bloco B, é feita apenas uma manutenção dos níveis de força? De qual força 
(máxima, resistência, etc)?
Bloco C, "As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular, para 
otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos resultados". Como é 
deve ser um trabalho para conseguir essa tonificação (de um exemplo)?
Rodrigo, isto são duvidas minhas mesmo, li 2 artigos do prof. Verkoshansky, mas 
mesmo assim, não foram sanadas!
O exemplo de transferência da carga de força para a carga especial, comtempo de 
1 minuto e 30 segundos, não foge à especificidade do judô? Esse exemplo seria 
utilizado no período A2, mais especificamente?
Sobre como transferir a carga, pode ser o mais difícil, mas creio que será o 
mais prazeroso tb, onde toda a criatividade vem à tona e, descobrisse muitas 
coisas novas e inovadoras tb!
To adorando o assunto!

Abraços,
Paulo Azevedo

----- Original Message ----- 
From: Rodrigo Ribeiro Rosa 
To: cevjudo-l@xxxxxxxxxxxxxxxxxx 
Sent: Monday, August 04, 2003 5:21 PM
Subject: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força


Boa tarde aos professores e participantes da lista !

Antes de tudo, vou deixar claro que o Fabrício coloca meu nome sempre pelo 
apelido de faculdade ("Covil"), então nas últimas vezes que ele solicitou 
minha ajuda, me chamou pelo apelido... Fabrício, chama pelo nome !!! ;-)

Bom, nossa discussão está recheada de muitas idéias ótimas e surgiram 
algumas dúvidas quanto ao processo de desenvolvimento das cargas 
concentradas de força aplicado ao judô. Para que possamos ter um ponto 
fechado de início: é fato que o atleta brasileiro tem diferenças notadas de 
um atleta russo, sujeito da pesquisa inicial com as cargas concentradas de 
força... isso remonta desde a EF Escolar de cada um (na Rússia, crianças 
fazem agachamento com cargas leves, porém isso é questionável qto. a própria 
aplicação da carga... acho que deve tem sobrecarga sim, respeitando ao 
máximo o organismo da criança, que possui notada plasticidade), e porisso, 
atletas russos podem suportar cargas muito intensas devido ao acúmulo de 
carga e os processos adaptativos do organismo ao longo de sua vida, que foi 
planejada devido ao programa bem desenvolvido de acompanhamento das crianças 
que eles tem (ou tinham) lá na Rússia (na época da pesquisa, URSS).Como 
aplicar carga concentrada no atleta brasileiro, dentro dessa realidade 
desportiva que temos durante o processo de formação do indivíduo (leia-se EF 
Escolar comprometida)? Categoricamente, não sei dizer, mas temos pistas, que 
podem ajudar a solucionar essa questão...

Assim, o conceito de concentração de carga no judô deve partir do já 
preconizado pelo prof. Verkoshansky, no que diz respeito à organização dos 
períodos de treino, ou seja, bloco A terão cargas de força (acúmulo), que 
desencadeará o processo de subcompensação. O atleta piora, mas devidamente 
controlado através de variáveis biomotoras e bioquímicas (respostas 
metabólicas). A queda, de acordo com o reportado na literatura, está em 
torno de 10-15% da capacidade funcional máxima.

No bloco A tem-se a divisão em três períodos: A1, cargas de força, 
resistência e velocidade, dentro de conteúdos interconexos das capacidades 
(resistência de força é um exemplo de contraste), A2, onde a transferência 
da carga de força para o movimento específico ocorre, com a diminuição da 
concentração da carga e o desenvolvimento da força especial através de meios 
específicos de treino do gesto motor da modalidade, A3, onde o regime 
pliométrico tem destaque, e as outras cargas diminuem consideravelmente. 
Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estar em torno 
de 25% da carga total de treino do macrociclo.

No bloco B, ocorre o treinamento da técnica, e o acúmulo das cargas passa a 
ser conteúdo secundário. O que se espera nesse período é que o organismo 
responda ao processo de supercompensação devido à diminuição gradativa da 
concentração da carga, e que o desenvolvimento da técnica competitiva seja 
acentuado, aproveitando o EPDT (efeito posterior duradouro de treinamento, 
expressão traduzida do russo) gerado pelo stress do bloco A.

O bloco C finaliza o período com a busca da modelação dos aspectos 
técnico-táticos, em exercícios pré-competitivos e competitivos propriamente 
dito. As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular (parece 
coisa da revista Boa Forma, mas é o termo usado pelo prof. Verkoshansky), 
para otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos resultados.

Bom, falamos em exercícios específicos: mas quais? como? quanto tempo? 
intensidade? volume ?
Inúmeras perguntas que nós vamos responder... e temos que responder !O 
desenvolvimento da Preparação de Força Especial (PFE) aplicado ao judô tem 
dado trabalho pro pensamento nosso, já que a ação motora de ataque é 
complexa, visto o número de alavancas passivas que podemos gerar. 
Procurou-se transferir a carga de força pra carga especial através demeios 
específicos da seguinte forma, sugerida pelo prof. Paulinho (nosso 
orientador):

Exercício: 5 séries de 6-8 repetições de exercício com pesos, cargas 
variando em torno de 80-90% 1RM (questionável), logo na sequência realiza-se 
5-6 entradas de golpe resistido (judoca sendo seguro por outro companheiro 
pelas costas, na gola e faixa), e finaliza a série realizando projeção 
completa, na máxima velocidade. Tempo de duração do estímulo (série de pesos 
+ projeções): 1,5 a 2 minutos.

Como podem observar, aqui já temos pano pra manga pra conversar: 
transferência específica de entrada de golpe parado (lembra que vc pontuou 
isso Fabs ?), a mensuração da carga pela 1RM, número de repetições, tempo de 
estímulo...

Agora a gente tem que parar e pensar: como solucionar esse problema dos 
meios de treino especial ?
Quando eu queria transferência pro Seoi nague, fazia um agachamento, pro tai 
otoshi, afundo, e assim vai... tentando criar o treino especial tupiniquim 
aplicado ao judô. E creio que essa será a empreitada mais difícil de nossa 
discussão: como transferir a carga ?

Creio que esse conjunto de idéias já alimentou bem nossa discussão... 
listeiros, vamos conversando e pensando o que ser feito dentro dessa 
concepção de treinamento para o judô.

Obrigado a todos, e aproveito pra dizer o qto. está sendo bom "botar pra 
fora" as idéias !

Até mais pessoal !
Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa (vulgo "Covil", mas deixa o apelido pra lá...)

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