Olá Rodrigo,
pelo que entendi aqui, o Período A1 é destinado ao aumento da força,
resistência e velocidade, e suas subcategorias (resistência de força,força
rápida...), é isso? Quais as variáveis bioquímicas utilizadas e como são
utilizadas para controlar essa subcompensação?
A2, começa a ser inserido no programa exercícios especificos da modalidade, com
diminuição das cargas. Por que diminui as cargas? Ou o treino já é visando a
especificidade fisiológica-metabólica da modalidade?
A3, o treino pliométrico tem destaque. Isso seria por causa de um treino mais
intenso de velocidade no Bloco B?
"Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estar emtorno
de 25% da carga total de treino do macrociclo". Por que 25%?
Bloco B, é feita apenas uma manutenção dos níveis de força? De qual força
(máxima, resistência, etc)?
Bloco C, "As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular, para
otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos resultados". Como é
deve ser um trabalho para conseguir essa tonificação (de um exemplo)?
Rodrigo, isto são duvidas minhas mesmo, li 2 artigos do prof. Verkoshansky, mas
mesmo assim, não foram sanadas!
O exemplo de transferência da carga de força para a carga especial, comtempo de
1 minuto e 30 segundos, não foge à especificidade do judô? Esse exemplo seria
utilizado no período A2, mais especificamente?
Sobre como transferir a carga, pode ser o mais difícil, mas creio que será o
mais prazeroso tb, onde toda a criatividade vem à tona e, descobrisse muitas
coisas novas e inovadoras tb!
To adorando o assunto!
Abraços,
Paulo Azevedo
----- Original Message -----
From: Rodrigo Ribeiro Rosa
To: cevjudo-l@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Sent: Monday, August 04, 2003 5:21 PM
Subject: [cevjudo-L] Cargas concentradas de força
Boa tarde aos professores e participantes da lista !
Antes de tudo, vou deixar claro que o Fabrício coloca meu nome sempre pelo
apelido de faculdade ("Covil"), então nas últimas vezes que ele solicitou
minha ajuda, me chamou pelo apelido... Fabrício, chama pelo nome !!! ;-)
Bom, nossa discussão está recheada de muitas idéias ótimas e surgiram
algumas dúvidas quanto ao processo de desenvolvimento das cargas
concentradas de força aplicado ao judô. Para que possamos ter um ponto
fechado de início: é fato que o atleta brasileiro tem diferenças notadas de
um atleta russo, sujeito da pesquisa inicial com as cargas concentradas de
força... isso remonta desde a EF Escolar de cada um (na Rússia, crianças
fazem agachamento com cargas leves, porém isso é questionável qto. a própria
aplicação da carga... acho que deve tem sobrecarga sim, respeitando ao
máximo o organismo da criança, que possui notada plasticidade), e porisso,
atletas russos podem suportar cargas muito intensas devido ao acúmulo de
carga e os processos adaptativos do organismo ao longo de sua vida, que foi
planejada devido ao programa bem desenvolvido de acompanhamento das crianças
que eles tem (ou tinham) lá na Rússia (na época da pesquisa, URSS).Como
aplicar carga concentrada no atleta brasileiro, dentro dessa realidade
desportiva que temos durante o processo de formação do indivíduo (leia-se EF
Escolar comprometida)? Categoricamente, não sei dizer, mas temos pistas, que
podem ajudar a solucionar essa questão...
Assim, o conceito de concentração de carga no judô deve partir do já
preconizado pelo prof. Verkoshansky, no que diz respeito à organização dos
períodos de treino, ou seja, bloco A terão cargas de força (acúmulo), que
desencadeará o processo de subcompensação. O atleta piora, mas devidamente
controlado através de variáveis biomotoras e bioquímicas (respostas
metabólicas). A queda, de acordo com o reportado na literatura, está em
torno de 10-15% da capacidade funcional máxima.
No bloco A tem-se a divisão em três períodos: A1, cargas de força,
resistência e velocidade, dentro de conteúdos interconexos das capacidades
(resistência de força é um exemplo de contraste), A2, onde a transferência
da carga de força para o movimento específico ocorre, com a diminuição da
concentração da carga e o desenvolvimento da força especial através de meios
específicos de treino do gesto motor da modalidade, A3, onde o regime
pliométrico tem destaque, e as outras cargas diminuem consideravelmente.
Deve-se lembrar que a concentração das cargas no bloco A deve estar em torno
de 25% da carga total de treino do macrociclo.
No bloco B, ocorre o treinamento da técnica, e o acúmulo das cargas passa a
ser conteúdo secundário. O que se espera nesse período é que o organismo
responda ao processo de supercompensação devido à diminuição gradativa da
concentração da carga, e que o desenvolvimento da técnica competitiva seja
acentuado, aproveitando o EPDT (efeito posterior duradouro de treinamento,
expressão traduzida do russo) gerado pelo stress do bloco A.
O bloco C finaliza o período com a busca da modelação dos aspectos
técnico-táticos, em exercícios pré-competitivos e competitivos propriamente
dito. As cargas passam a ter um objetivo de tonificação muscular (parece
coisa da revista Boa Forma, mas é o termo usado pelo prof. Verkoshansky),
para otimização do sistema neuromuscular no período dos máximos resultados.
Bom, falamos em exercícios específicos: mas quais? como? quanto tempo?
intensidade? volume ?
Inúmeras perguntas que nós vamos responder... e temos que responder !O
desenvolvimento da Preparação de Força Especial (PFE) aplicado ao judô tem
dado trabalho pro pensamento nosso, já que a ação motora de ataque é
complexa, visto o número de alavancas passivas que podemos gerar.
Procurou-se transferir a carga de força pra carga especial através demeios
específicos da seguinte forma, sugerida pelo prof. Paulinho (nosso
orientador):
Exercício: 5 séries de 6-8 repetições de exercício com pesos, cargas
variando em torno de 80-90% 1RM (questionável), logo na sequência realiza-se
5-6 entradas de golpe resistido (judoca sendo seguro por outro companheiro
pelas costas, na gola e faixa), e finaliza a série realizando projeção
completa, na máxima velocidade. Tempo de duração do estímulo (série de pesos
+ projeções): 1,5 a 2 minutos.
Como podem observar, aqui já temos pano pra manga pra conversar:
transferência específica de entrada de golpe parado (lembra que vc pontuou
isso Fabs ?), a mensuração da carga pela 1RM, número de repetições, tempo de
estímulo...
Agora a gente tem que parar e pensar: como solucionar esse problema dos
meios de treino especial ?
Quando eu queria transferência pro Seoi nague, fazia um agachamento, pro tai
otoshi, afundo, e assim vai... tentando criar o treino especial tupiniquim
aplicado ao judô. E creio que essa será a empreitada mais difícil de nossa
discussão: como transferir a carga ?
Creio que esse conjunto de idéias já alimentou bem nossa discussão...
listeiros, vamos conversando e pensando o que ser feito dentro dessa
concepção de treinamento para o judô.
Obrigado a todos, e aproveito pra dizer o qto. está sendo bom "botar pra
fora" as idéias !
Até mais pessoal !
Prof. Rodrigo Ribeiro Rosa (vulgo "Covil", mas deixa o apelido pra lá...)
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