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textos do Verkoshanski da efdeportes ;o)

To: cevjudo-l@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Subject: textos do Verkoshanski da efdeportes ;o)
From: mcgac@xxxxxx
Date: Mon, 4 Aug 2003 15:20:36 -0300
Amigos do Judo 
O Paulo Azevedo me mandou esse texto e estou enviando-o todo na integra para a
lista, espero que gostem. Não consegui mandar a figura junto com o texto, mas
em baixo tem o endereço do site onde se pode conseguir o texto ;o)
Um forte abraço a todos,
Mauro Gurgel

Para uma teoria e metodologia científica do treinamento esportivo.
A crise da concepção da periodização do treinamento
no esporte de alto nível 

Yuri Verkoshanskij 

Verso una teoria e metodologia scientifiche dell' allenamento sportivo. Sds,
Roma, n. 41-42, Gen-Giu, 1998.
Trad. do Prof. Guilherme Locks Guimarães e alumno Lucio Bernard Sanfilippo 
Instituto de Educação Física e Desportos Universidade do Estado de Rio de
Janeiro 

http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 6 - N° 32 -
Marzo de 2001 


Para uma teoria e metodologia científica do treinamento esportivo.
A crise da concepção da periodização do treinamento
no esporte de alto nível 
Comité Olímpico Italiano
(Italia) 
Yuri Verkoshanskij 
Verso una teoria e metodologia scientifiche dell' allenamento sportivo. Sds,
Roma, n. 41-42, Gen-Giu, 1998.
Trad. do Prof. Guilherme Locks Guimarães e alumno Lucio Bernard Sanfilippo 
Instituto de Educação Física e Desportos Universidade do Estado de Rio de
Janeiro 
http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 6 - N° 32 -
Marzo de 2001 
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Nos anos 60 no esporte de alto nível a concepção da periodização de
treinamento foi colocada como um princípio básico para a construção sistemática
do rendimento dos atletas no esporte de alto nível. Porém esta concepção, assim
como também os princípios do treinamento baseados sobre ela, perderam há tempo
a sua importância, seja teórica, seja prática de existirem. E portanto
persistir ainda ancorado as suas idéias já superadas, tem demonstrado ser um
fator de freio ao progresso científico no esporte. Exporemos por isso as
principais causas da crise desta concepção e da necessidade do seu superamento.


1. Introdução 
Atualmente na literatura esportiva encontram-se opiniões diversas sobre o
sistema de treinamento esportivo, como também concepções e escolas diversas de
preparação dos atletas, natural em um fenômeno multiforme como a atividade
esportiva (4, 5, 108, 111). 
Ocorre, porém, olhar com atenção duas circunstâncias: em primeiro lugar, a
evidente carência de trabalhos que resumem os conhecimentos que dizem respeito
aos fundamentos científicos e aos conceitos metódicos da teoria do treinamento
esportivo e, em segundo lugar, a um certo conservadorismo na interpretação da
idéia fundamental do treinamento esportivo e dos princípios da sua organização
que é devido aos conceitos derivantes da concepção da assim chamada
"periodização do treinamento", (de agora em diante CPT) cuja origem está nos
trabalhos sobre a teoria do treinamento do russo L.P. Matveev. 
É evidente, há algum tempo, que a CPT nascida nos anos 60(24) e o texto "Os
fundamentos do treinamento esportivo", baseado naquela concepção(26), perderam
muito do seu valor teórico e prático. Atualmente, o esporte de alto nível e os
métodos da preparação dos atletas de vértice sofreram modificações essenciais e
impor com tenacia à prática esportiva as idéias antiquadas da CPT (27, 28)
representa um fator que impede o progresso dos conhecimentos científicos no
esporte (19, 23, 32, 37, 46, 111, 120). Contemporaneamente, as afirmações de
Matveev de que a sua teoria teria "um reconhecimento em todo o mundo" (27, 29)
não correspondem à realidade. As opiniões de um elevado número de especialistas
e de treinadores confirmam o contrário e, em definitivo, são indicações da
necessidade de substituir a antiga concepção da periodização com uma moderna
teoria e metodologia de treinamento esportivo. 
De fato, a enorme experiência prática acumulada na preparação dos atletas de
alto nível, os progressos científicos da fisiologia e da bioquímica da
atividade muscular, da medicina esportiva, da biomecânica dos movimentos
esportivos, e, enfim, dos estudos fundamentais sobre a metodologia do
treinamento no esporte de alto nível, tem criado pressupostos objetivos para a
formulação de uma moderna teoria e metodologia de treinamento esportivo e das
suas principais bases cientificas. Entretanto, é necessário ter sempre presente
( e a negativa experiência da CPT o confirma) que não pode existir uma formula
universal de organização do treinamento, como parecia a Matveev. Porém, existe,
ou melhor, deve existir, um único modo metodológico, cientificamente
argumentado, para a interpretação da essência do processo de treinamento e,
portanto, também dos objetivos da teoria do treinamento esportivo, em cuja base
se pode (se deve) construir o sistema concreto do treinamento em cada
disciplina esportiva. 
Em um sucessivo artigo, prometemos propor à atenção dos especialistas a
análise de um modelo de teoria do treinamento. Porém, visto que não se deve
iniciar vida nova com um hábito velho, antes, é oportuno dedicar a nossa
atenção à análise dos defeitos metodológicos e dos erros típicos da antiquada
CPT, afim de que sejam evitados no futuro. 

2. O problema 
Os principais conceitos metodológicos do moderno sistema de treinamento
esportivo foram elaborados no inicio dos anos 50 pelos treinadores russos,
estimulados pelas exigências de preparação da esquadra nacional soviética para
os Jogos Olímpicos de Helsinky, em 1952 e a outras competições internacionais.
Sucessivamente as experiências práticas acumuladas foram generalizadas pelo
professor de teoria da educação física do instituto superior de cultura física
de Moscou, L.P.Matveev, um estudioso do esporte de alto nível, e foram
apresentadas na forma de teoria da "concepção da periodização do treinamento
esportivo" (24). Visto que, naquela época, os problemas da teoria do
treinamento não eram objeto da atenção de especialistas do setor e que os
atletas russos tinham conseguido alcançar resultados importantes nas
competições internacionais, esta concepção, que representava a primeira
tentativa de resumir os conhecimentos acumulados no campo da teoria do
treinamento realizado na União Soviética, naturalmente suscitou a atenção dos
especialistas estrangeiros e por longo tempo, o seu autor foi considerado um
grande teórico do treinamento esportivo. 
O conceito de periodização do treinamento foi se transformando,
gradualmente, em sinônimo de planificação do treinamento, e um elevado número
de especialistas e treinadores soviéticos (14) e estrangeiros (49, 55, 56, 62,
64, 65, 83, 84, 114, 117) utilizam, ainda hoje, o corpo conceptual artificioso,
teórico, da CPT, procurando adaptar a essa as suas idéias sobre a organização
do processo de treinamento que, normalmente, são muito mais avançadas. 
Porém, excetuando-se alguns fatores desta concepção (27, 28, 41, 56, 62,
117), a CPT não só não encontrou uma ampla sustentação da parte prática, mas
foi criticada seja na ex União Soviética (12,17, 19, 21, 34, 40), seja nos
outros países (54, 58, 63, 76, 79, 91, 93, 102, 103, 108, 120). 
Existem especialistas que sustentam que os conceitos antiquados da CPT não
correspondem às exigências do esporte moderno (17,46, 50, 68, 69, 72, 75, 87,
93, 118), não favorecem o aumento das reservas funcionais do organismo do
atleta (32, 42, 50, 92, 102, 115) e impedem o progresso do resultado esportivo
(12, 15, 19, 32, 46, 92, 102). Afinal, tudo o que nos últimos anos tem
provocado o afastamento dos especialistas desta concepção (46, 51, 66, 69, 87,
91, 92, 93, 102, 105, 120). 
Existem opiniões segundo as quais a CPT não representa um modelo do sistema
de treinamento para os atletas de vértice e, portanto, não deve ser levada em
consideração ou então modificada de acordo com as particularidades do atual
calendário de competições e das tendências de desenvolvimento do esporte atual
(16, 17, 69, 72, 73, 102, 120). No melhor dos casos alguns conceitos desta
teoria poderiam ser utilizados nas etapas iniciais da preparação dos atletas
(54, 68, 91, 93, 108). 
É importante salientar também que a sub-divisão formal, mecânica do
treinamento anual em períodos e em "mesociclos", aconselhada pela CPT, não é
típica da prática esportiva (17,33, 38, 41, 69, 73, 89, 108), e que os
princípios da "periodização" formulados, tomando como base um estudo
relativamente breve da preparação dos atletas, no período inicial da formação
do sistema soviético de treinamento (anos 50) e, sobretudo, tendo como base
exemplos tirados de três esportes (natação, levantamento de peso e atletismo)
não podem ser nem confiáveis nem universais (32, 33, 54, 61, 108). 
Ocorre, também, salientar que o sistema de treinamento deve ser baseado não
tanto sobre a lógica ou experiência empírica, mas sobre os conhecimentos de
fisiologia (1, 48, 50, 58, 60, 67, 78, 90, 109). 
Em muitas publicações, salienta-se o fato de que os princípios e conselhos
metodológicos da CPT não são concretos e não correspondem às modernas
tendências de desenvolvimento do esporte de alto nível (66, 87, 105, 109, 118),
em particular às condições reais da preparação de atletas para os jogos
esportivos (3, 36, 42, 52, 70, 88, 89, 92, 97, 104, 108, 118), nos esportes de
resistência (17, 46, 59, 66, 71, 74, 102, 107), na ginastica artística (2, 43),
no atletismo (4, 5, 61, 80, 96) e, em outras disciplinas esportivas. Além
disso, a CPT não prevê soluções metódicas eficazes para os problemas da
preparação especializada para as competições e para a preparação física
especifica dos atletas das diversas disciplinas esportivas (49, 50, 55, 61, 73,
86, 98, 112, 115). 
Os treinadores que operam na prática viram a inconsistência da CPT na
acentuação equivocada das prioridades dos objetivos, dos princípios, das idéias
e das tendências do processo de treinamento. Em vez de construir as idéias a
respeito do processo de treinamento sobre a pesquisa da sua natureza biológica,
esta concepção se acontenta do caráter ilusório que têm os fenômenos evidentes,
bastante notos, baseando sobre estes os seus conselhos práticos (23, 32). 
A crítica maior à concepção da "periodização" provém dos especialistas dos
esportes cíclicos, que chamam à atenção que os princípios antiquados desta
teoria não correspondem as exigências atuais do esporte (16, 17, 32, 33, 38,
46, 66, 69, 72, 78, 118). De fato, hoje, a característica peculiar da
planificação do treinamento, em particular do treinamento dos esportes de
resistência, consiste em uma organização mais dinâmica das cargas de
treinamento no ciclo anual e no gradual desaparecimento dos elementos da
periodização tradicional (102). Porém, os próprios especialistas dos esportes
cíclicos da ex-URSS, seguindo a CPT, utilizaram por muito tempo uma metodologia
de treinamento superada, e isto tem impedido, há muitos anos, uma melhora dos
resultados em alguns esportes de resistência. Esta metódica não é
suficientemente argumentada cientificamente e, consequentemente, não é em grau
de garantir uma preparação dos atletas que preveja a obtenção de resultados
elevados não somente nos "picos de forma", mas por toda a estação agonística.
Como se faz necessário no moderno calendário de competições (17, 32, 38, 46,
66, 69, 72, 98). 
É importante lembrar que os sucessos dos atletas africanos (principalmente
os quenianos) podem ser explicados, não com o fato de que " treinam em altitude
e são predispostos geneticamente", como era apregoado através dos especialistas
soviéticos, mas sobretudo porque não adotaram as idéias da CPT na organização
do processo de treinamento e compreenderam em tempo que: "os atletas africanos
não devem copiar os atletas europeus (46, 77, 101, 108). 
Em um artigo - Periodization - plausible or piffle? o especialista
australiano, Herwill analisa os motivos pelos quais a concepção da periodização
baseada na teoria de Matveev não pode ser utilizada no treinamento moderno da
corrida, e um outro artigo do mesmo autor desaprova " a veneração servil a
respeito da a teoria da periodização típica dos corredores dos países do leste
europeu" (73), afirmando que nos últimos trinta anos nem corredores soviéticos,
nem do leste europeu têm melhorado records mundiais na distância de meio fundo
ou ganharam medalha de ouro no jogos olímpicos, enquanto os corredores
britânicos que não adotaram a idéia russa obtiveram esses sucessos. Os
corredores britânicos começaram a utilizar o esquema da periodização elaborado
por Matveev , após 1980, e desde então os seus resultados manifestam uma
preocupante tendência a piorar. 
É interessante notar que, se nos países do leste europeu a CPT foi adotada
sem hesitação, na maior parte dos outros países não foi empregada de modo assim
tão amplo. 
Uma revista esportiva Italiana publicou recentemente uma entrevista com S.
Zanon, um 'expert' italiano de teoria do treinamento, que, no período
compreendido entre 1960 e 1980, fez conhecer ao mundo esportivo italiano um
conjunto de noções que tinham sido elaboradas no campo do treinamento esportivo
na URSS e nos países que se encontravam sobre a sua influência política, na
qual insiste sobre a necessidade de abandonar aquela teoria, e substitui-la por
uma mais adequada do ponto de vista científico (75). Zanon julga que, se a
concepção do treinamento é elaborada não à base de determinantes biológicas e
sim, como propõe a teoria soviética, à base de conceituações que não tem
nenhuma relação com as condições reais do progresso esportivo, os programas de
treinamento assumem um significado, absolutamente casual, com possibilidade
muito elevada de dispersão dos talentos esportivos (75, 120). E afirma que, a
teoria de organização do treinamento baseada na doutrina soviética da
periodização não teria nada a ver com os resultados obtidos pelos atletas
modernos, e, também, se a esta teoria se atribui o mérito dos progressos
esportivos, não consegue dar provas, cientificamente convincentes desta
paternidade, e nem se sente na obrigação de fazê-lo (75, 120). 
Outro teórico do treinamento, o alemão Tschiene, analisou uma série de
modernas teorias de treinamento (108), notando que a concepção da periodização
do treinamento não foi mudada desde o momento em que foi exposta pela primeira
vez (1965), ainda que, daquele momento, a prática do esporte de alto nível
tenha progredido muito e tenham sido alcançados notáveis progressos no âmbito
das ciências do esporte. Muitas doutrinas de treinamento não superaram a prova
e foram substituídas por outras de nova concepção, mais avançadas (109, 110). A
este propósito, escreve Tschiene, é muito difícil entender porque Matveev não
reconheceu ou não quis reconhecer estes processos, não obstante, já há muito
tempo, fossem evidentes as dificuldades devido à utilização do seu esquema
estrutural, por exemplo, nos jogos esportivos e em outros esportes. Portanto,
ocorre que a teoria da periodização do ciclo anual proposta por Matveev seja
modificada ou então substituída, com uma doutrina mais moderna, que tenha por
base princípios mais concretos e mais argumentados, cientificamente, que
prevejam o aumento do papel do exercício de competição e a individualização do
treinamento, de acordo com as mudanças na prática agonística internacional. 
Na Itália o texto fundamental sobre a CPT (26) não foi somente traduzido,
mas, no ano da 1978 (54), foi submetido a uma análise crítica muito seria em um
opúsculo publicado e difundido às federações. E, neste, foram analisados e
estudados do ponto de vista crítico, os conceitos principais da CPT para
entregar ao treinador um material informativo já filtrado e adaptado às
características do treinamento moderno (54). Nesta publicação são colocados em
dúvida a credibilidade e a eficácia prática de uma concepção que toma por base
somente dados do treinamento de nadadores, levantadores de peso e atletas de
atletismo que cobriam o período entre 1950 e 1960. E salienta-se o fato que,
desde 1965, data da publicação do texto de Matveev sobre a CPT, os métodos de
treinamento haviam sofrido uma transformação enorme (vinte anos significam
cinco olimpíadas), e com o conseqüente melhoramento de muitos records, e que
houvera uma alternância entre diversas escolas no papel principal, e que estas
serviam de referência aos especialistas do treinamento esportivo para modificar
suas próprias idéias. Entre outras tantas observações que serão feitas neste
artigo, ocorre recordar aquela sobre a artificialidade e a estrutura complexa
da classificação dos diversos "micro" e "mesociclo"; e a incompreensão de que
durante os diversos microciclos de recuperação do mesociclo precedente, por
efeito deste, o organismo se encontra em condições de super compensação . Este
estado de super compensação, porém, não é utilizado, e, isto transforma as
pequenas e médias ondas da carga em uma ação caótica sobre o organismo do
atleta. Em conseqüência disto, os autores chegam à conclusão que: a organização
proposta por Matveev pode ser utilizada somente por atletas de baixa
classificação. 
No passado, os dirigentes do esporte soviético fizeram observações ainda
mais criticas no que concerne às idéias de Matveev. Assim, Koslesov, um dos
maiores conhecedores de todos os problemas teóricos e práticos da preparação do
esporte de alto rendimento e do valor de todos os tipos de concepção do
treinamento, escreveu no jornal Sovetskij Sport do dia 24/07/91: "quem trabalha
no campo do esporte de alto nível não deve seguir o sistema antiquado do nosso
teórico, o prof. Matveev (20). Portanto, atualmente, a utilização da CPT dá a
impressão de um relógio parado, ainda que o seu criador continue a afirmar que
este relógio funcione bem porque segue as "leis da formação da forma
esportiva", por ele mesmo formuladas. Matveev continua com tenacidade a não
reconhecer as críticas, dizendo que os conceitos positivos da sua teoria são
eficazes seja do ponto de vista teórico, seja dos aplicativos e metodológicos e
que isto é confirmado pela ampla aprovação internacional (26, 28, 29). 
Ao mesmo tempo, lamenta que em algumas publicações atuais, ignorar e
analisar de modo destorcido a sua teoria é quase uma moda (28). Não obstante os
inúmeros convites a uma discussão útil, criativa e critica das suas idéias (28,
29) Matveev considera a CPT como uma estrada de mão única, que pode ser
controlada somente por ele. Todas as tentativas de andar contra esta corrente
são rapidamente freadas, sem muita cerimônia, e são definidas invenções bobas,
inovações que seriam exceções a regra estabelecida pela lógica e da metodologia
do conhecimento científico, contrapeso a idéias bem aceitas, ou ainda,
repetições de conceitos notos há muito tempo, etc... (25, 28, 29). Segundo
Tschiene, assim é impossível uma discussão criativa dirigida para um
aprofundamento da teoria do treinamento esportivo (110, 111). 
Não é difícil entender que tal posição representa uma das causas principais da
crise da CPT de Matveev. 

Por que parou o relógio da CPT ? 
Atualmente não vale a pena analisar os defeitos teóricos e os evidentes
absurdos metódicos da CPT. Em vez disso, ocorre voltar a nossa atenção
sobretudo para a inconsistência cientifica e metódica desta concepção para
evitar esta situação no futuro. 

1
O mais importante defeito da CPT, que a priva de valor teórico e prático,
consiste no fato de que esta ignora os conhecimentos da biologia e os
progressos da biologia do esporte. 
Atualmente não é necessário convencer sobre a necessidade de desenvolver a
componente biológica da teoria do treinamento esportivo (6, 7), muitas vezes
salientada por vários especialistas (10, 38, 47, 48, 57, 60, 67, 85, 90, 110,
111, 113). Porém, o autor da CPT não esconde a sua posição negativa em relação
às noções da biologia e afirma que as leis biológicas não determinam a macro
estrutura do treinamento que, segundo ele, é determinada geralmente pelas leis
que controlam a forma esportiva (27). Além de tudo, parece que dramatiza todas
as tentativas de analisar o processo de melhora do atleta do ponto de vista da
teoria da adaptação e de reconhecer a prioridade da componente biológica na
teoria de treinamento esportivo. Segundo Matveev, a teoria da adaptação é
interpretada por todos de modo simplificado, e isto leva a uma interpretação
errada das idéias sobre o desenvolvimento da forma desportiva e representa a
biologização e a desumanização da teoria do esporte (28, 29) 
Devemos dizer, porém, que Matveev às vezes se inclina diante da teoria da
adaptação, admitindo que as leis dos processos de adaptação têm um determinado
papel nas transformações do organismo produzidas pela atividade esportiva.
Porém, afirma imediatamente que a adaptação é só uma pequena parte do caminho
do atleta em direção ao sucesso. 
Segundo ele, a teoria da adaptação deve ser somente um acessório da teoria
do treinamento e provar de modo argumentado os seus princípios (30). Diz ainda
que : "o papel prioritário na interpretação do processo de aperfeiçoamento
esportivo e dos fenômenos a esse ligados deve ser protagonizado não pela teoria
da adaptação, mas sim pela teoria do desenvolvimento" (27). 

2
Uma conseqüência (e ao mesmo tempo uma confirmação) da escassa consistência
metodológica e cientifica da CPT consiste na confusão conceptual entre lei,
princípios, conceitos principais, características naturais, etc... Isto é uma
confusão devida a uma tentativa singular e privada de perspectiva de conseguir
obter leis da experiência da organização do treinamento esportivo (26, 28). 
Segundo Matveev, os princípios do treinamento esportivo representam "a
generalização do grande material empírico acumulado no esporte e espelham as
leis biológicas da adaptação e do treinamento esportivo" (30). Trata-se de uma
afirmação estranha porque o processo de treinamento é organizado ainda com base
em idéias subjetivas sobre os conteúdos, a estrutura e sobre a sucessão no seu
desenvolvimento . E aqui não existe alguma "lei" (no senso científico da
palavra). No melhor dos casos, pode-se falar somente de algumas regras
metódicas da organização do processo de treinamento formuladas com base em
processos empíricos, mas que têm uma origem subjetiva. As leis têm caráter
objetivo, e, é necessário procurá-las em uma outra esfera de fenômeno e
processos (que é ignorada pela CPT) em cuja base existem fatores e ligações
objetivas que determinam os mecanismos do seu desenvolvimento, por exemplo: na
esfera da adaptação do organismo a uma atividade intensa, ou naquela do
processo de especialização morfo - funcional do organismo durante a preparação
pluri-anual (4, 5, 6, 9, 48, 113). 
O caráter lógico e especulativo das idéias sobre a atividade esportiva
privada de objetividade, tem levado a CPT a afirmar que uma das leis
fundamentais do treinamento esportivo consiste nos laços indissolúveis entre
preparação geral e especial do atleta (28). Entre estas leis fundamentais se
enumeram outras formuladas sem se levantar da escrivaninha (sic) por exemplo, a
lei da continuidade e da ciclicidade do processo de treinamento, aquela da
unidade entre gradualidade e a tendência às cargas máximas, aquela da dinâmica
à ondas das cargas, etc...(26, 30). Em contraposição a estas , sabemos que no
esporte de alto rendimento, a evolução dos resultados é fruto de leis mais
profundas a respeito daquelas formuladas pelas CPT (4, 9, 18, 32, 38, 47, 67,
81, 110, 113). 
É muito natural que esta confusão, sem princípios, entre leis,. tenha
provocado uma outra entre os princípios do treinamento esportivo. Assim, a
análise de dezessete manuais de diversas disciplinas esportivas dos institutos
de educação física da URSS, demonstraram que os seus autores não veem as
diferenças na variedade de princípios existentes, isto é, as diferenças entre
os princípios do sistema soviético de educação física, os princípios
pedagógicos gerais e os princípios especiais do treinamento esportivo,
reduzindo-os todos a um grupo de princípios deste último (14). 
Portanto, na falta de uma sólida base cientifica da CPT, os seus conceitos
são caracterizados por contradições internas e resultam, notavelmente,
artificiosos e pseudo-científicos e não só não podem representar e servir de
instrumento de trabalho eficaz, mas representam, sobretudo, o fator que limita
o desenvolvimento das idéias sobre este mesmo processo, destorcendo os
princípios práticos da sua organização e oferecendo um péssimo serviço à
preparação dos treinadores (!7, 37, 46, 54, 58, 62, 64, 73, 120, 123). 

3
A base especulativa da CPT parte das, assim denominadas, fases de formação
da forma esportiva (24, 27). O conceito de dinâmica da forma esportiva foi
mudado pelos trabalhos de Leutunov (22) e de Prokop (95), que foram os
primeiros a formular a idéia de que à base do aumento do nível de treinamento
do atleta existiriam as leis biológicas que determinam o desenvolvimento do
processo de adaptação às condições da atividade esportiva. Estes autores
individualizam três fases deste processo: 
LEUTNOV 
 fase do aumento do nível de treinamento; 
 fase da forma desportiva; 
 fase da diminuição do nível de treinamento. 
PROKOP 
 fase de adaptação esportiva 
 fase de máxima capacidade de trabalho; 
 fase de readaptação. 
Porém, nos parece que, sem conseguir entender e a desenvolver o profundo
conteúdo biológico das idéias de Prokop e Leutunov, o autor da CPT não foi em
grau de ir além de uma interpretação pedagógica do treinamento (26, 27, 29),
limitando-se a discursos, não fundamentados seriamente, sobre as leis da
formação esportiva, modificando somente os nomes das fases (24, 26, 27) e,
assim afirmou que: "O primeiro pressuposto natural da periodização do processo
de treinamento consiste no desenvolvimento (andamento) por fases da forma
esportiva". Formação, manutenção e perda temporânea da forma são determinadas
por efeitos de treinamento bem determinado, cujo caráter regular muda de modo
natural de acordo com a fase de desenvolvimento da forma esportiva"(26). A
forma esportiva que se adquire nesse ou naquele nível do processo de
aperfeiçoamento representa o estado ótimo somente por um dado nível de
preparação esportiva (e somente para este). Para continuar progredindo ocorre
que desapareça a velha forma e que se conquiste uma nova (26). 
É fácil notar que esta idéia sobre a natureza do treinamento baseada sobre a
dinâmica da forma esportiva fornece somente uma imagem superficial de um
fenômeno pluri dimensional. Idéias semelhantes que, nos anos 60, podiam passar
por descobertas científicas, atualmente, é evidente, parecem bastante ingênuas
( 17, 54, 110, 113, 120). Hoje, é claro que a aquisição da forma esportiva
ofuscou por muito tempo a principal condição para o progresso da maestria
esportiva, isto é, a necessidade de aumento contínuo das possibilidades
funcionais do organismo do atleta (5). Por exemplo, se de ano em ano o atleta
atinge a sua forma esportiva e depois, a perde sem pensar no aumento do nível
de capacidade específica do trabalho, não se poderá falar de algum progresso (
4, 5, 9, 34, 40). 
Ao mesmo tempo, Matveev continua a ignorar tenazmente os inúmeros trabalhos
sobre a adaptação do ser humano a uma atividade muscular intensa, típica do
esporte (9, 10, 18, 31, 47, 48, 113), os resultados do estudo das leis do
processo de formação da maestria esportiva e da especialização morfo funcional
no processo pluri-anual do treinamento (4, 5), das tendências da dinâmica do
estado funcional do atleta em função à carga de treinamento estabelecida ( 8,
13, 35, 39, 44, 45); isto é, os trabalhos em que são analisadas as essências
objetivas, as origens, as dinâmicas e as características quantitativas do
desenvolvimento do processo de melhoramento da capacidade específica de
trabalho do atleta. 
Apesar disto, o conceito de forma esportiva foi transformado em dogma, em
uma espécie de coisa que se resolve em si mesmo, porque mesmo com os discursos
infinitos sobre a dinâmica, sobre as fases de formação, sobre as leis de
desenvolvimento, sobre a diminuição da forma esportiva, etc..., em nenhuma
parte se encontra uma explicação compreensível da natureza biológica de todos
estes misteriosos atributos. Por causa desta teorização o autor da CPT reduziu
a proposição de Letunov e de Prokop, muito avançada para o seu tempo, a uma
formal concepção da teoria da periodização de treinamento sem qualquer base
cientifica e perspectiva de desenvolvimento ( 17, 37, 75, 110, 120). Portanto
Matveev não só prefere continuar nos anos 50-60, mas, exaltando os valores do
conceito de forma esportiva (25,27), procura transportar para o passado passado
remoto os especialistas modernos. 

4
Como já dissemos anteriormente, a inconsistência prática e teórica da CPT e
dos fundamentos da teoria de treinamento baseado sobre esta, foi determinada
por ignorar desde o início os conhecimentos biológicos e da aspiração de
torná-la uma pedagogia geral (26, 30). Sem dúvida, esta tem relação com a
teoria do treinamento esportivo, porém não tendo fundamentos nas ciências da
natureza, nem critérios quantitativos objetivos sobre o seu objeto, nem um
método científico certo, não pode absolutamente representar o fundamento
teórico-metodológico da teoria do treinamento esportivo. Porém, o assim dito
"modus" pedagógico da teoria de treinamento esportivo liberou Matveev da
exigência da impecabilidade e da não contrariedade do corpo conceptual, da
preparação de um exame minucioso da literatura que diz respeito aos problemas
científicos da concepção e da pesquisa e da utilização de dados qualitativos
exatos e, sobretudo lhe deu, amplas possibilidades de teorização, através de
discursos infundados e construções especulativas. 
É importante notar que em vez de conceitos de desenvolvimento e de
melhoramento das capacidades motoras, que são utilizados normalmente, Matveev
escreve ( e seriamente) sobre educação da força ou da resistência, sobre
educação da rapidez dos movimentos e da flexibilidade, etc... Porém não se
trata de um evidente não senso, mas de um artifício destinado a aumentar o
"senso pedagógico" a CPT. 

5
O método da CPT e dos "Os fundamentos do treinamento esportivo" é bastante
primitivo. Este método compreende as chamadas observações pedagógicas, o
registro de dados em algumas disciplinas, o princípio analítico-sintético
superado há muito, e, enfim: "a generalização das experiências da prática
esportiva que são parcialmente confirmadas pelo material (pelos dados)
experimentais e são completadas através de reflexões teóricas" (25, 26). 
Para vestir estes métodos de uma forma pseudo-científica afirma-se, por
exemplo, que, para superar idéias subjetivas sobre a forma esportiva e para
formar idéias corretas sobre a mesma, baseadas em dados dos resultados
esportivo, são necessários uma análise acurada quantitativa, bem como uma
análise lógico-conceitual (27). 
Esta análise se expressa em calcular um limite inferior, muito rigoroso, da
zona que representa o critério da forma em resultados esportivos que não devem
ser inferiores ao 1,5 a 2% de desvio dos records individuais nos esportes
cíclicos e de 3 a 5% nos esportes acíclicos (esporte de força rápida). Aqui,
Matveev , como sempre, não dá uma palavra sobre como é definida a forma
esportiva nos jogos esportivos e em outros esportes nos quais não existe um
método objetivo de avaliação do resultado esportivo. Isto quer dizer que se o
atleta realiza resultados que são inferiores a esta zona, não atingiu a forma
esportiva. 
No que toca à dinâmica da forma esportiva, o cálculo analítico consiste em
traçar uma curva que reúne os melhores resultados expressos em percentual do
resultado máximo (26, 27). Este método é ilustrado com curvas que são como se
fossem traçadas a mão, como devem ser, para tirar as leis da dinâmica a ondas
da forma esportiva (27)(figura 1). Porém Matveev prefere não observar o fato
que no momento da máxima forma esportiva a maior parte dos resultados se
encontra abaixo do limite da zona por ele estabelecida. 
Não creio que atualmente valha a pena afirmar que orientar-se sobre o fato
esportivo e sobre a dinâmica da forma esportiva que se esconde no seu andamento
a ondas, possa ser considerado seriamente como método de estudo das leis do
treinamento esportivo ( 8, 17, 54). E mesmo se Matveev (e nisto lhe deve ser
dado o mérito) fala da importância do estudo das relações entre a entidade da
carga de treinamento e o nível de transformação de adaptação que se processam
no organismo (30), em nenhuma das suas publicações, mostra algum exemplo de
maior validez, apesar de existirem inúmeros, basta somente consultar livros e
revistas. Ao mesmo tempo é evidente que dar juízos sobre as causas do andamento
a ondas dos resultados esportivos e, portanto, da forma esportiva, sem ter
informações sobre os conteúdos e a organização da carga correspondente de
treinamento e sobre a importância que tem para o atleta esta ou aquela
competição, e mais ainda, deduzir de tudo isto determinadas leis, é ao menos,
ingenuidade. Ainda mais ingênuo é buscar a confirmação dos denominados picos de
forma esportiva em só dois exemplos e de atletas de meio-fundo Clark e Rono
(27). 

(faltou a figura) :o( 
Figura 1 

Sabemos muito pouco sobre a organização dos seus treinamentos. E além
disso, estes atletas não tinham conhecimento de periodização do treinamento e
das "leis do controle da dinâmica da forma esportiva" (46, 77, 101, 108) 

6
Outro ponto débil do método de Matveev é devido ao fato de que os dados
sobre os quais se baseavam as generalizações e a formulação dos princípios e
das "leis" era caracterizado por um valor científico, por um nível informativo
e por uma fidedignidade escassa. Trata-se sobretudo da análise dos dados sobre
o volume e sobre a dinâmica das cargas de treinamento utilizados por atletas,
extraídos não se sabe como. Esta forma simples de análise de dados empíricos,
isto é, a generalização da experiência prática, produziu um gênero de trabalhos
que tem desenvolvido sem dúvida, um papel importante, seja para um posterior
desenvolvimento dos princípios empíricos e da metodologia do treinamento, seja
para a solicitação do pensamento criativo dos treinadores. Mas quando com base
nestes dados se quis formular "leis" da organização do treinamento (26, 28), o
valor científico dos princípios e dos conselhos (baseados nestes) é muito
diminuído (4). 
Portanto, atualmente devemos constatar, infelizmente, que não obstante
inúmeras afirmações "sobre uma ampla argumentação baseada em fatos e na
concretização tecnológica em forma de sistemas metodológicos e de regras com
caráter aplicativo" (24, 26, 28) que se afirma serem contidas na CPT, esta não
tinha, e não dispõe, de um método objetivo, e de uma base experimental séria.
Por isso, idealizada como meio para ajudar o treinamento no esporte de alto
nível (24), foi transformada, em uma disciplina escolar (26) que tem separado o
seu autor da ciência e da prática esportiva que continuam a andar avante. Por
esse motivo, os sucessivos trabalhos de Matveev (27, 30) destinados a convencer
um leitor pouco esperto da excepcionalidade e universalidade das suas idéias
não trouxeram nenhuma modificação à idéia original. 
A argumentação de Matveev é muito simples: visto que o aperfeiçoamento
esportivo não pode acontecer fora da sucessão das fases de aquisição, da
manutenção e da perda momentânea da forma esportiva, o processo de treinamento
deve ser organizado de modo (tal) a poder garantir o controle ótimo do
desenvolvimento destas. Em conseqüência, no treinamento são individualizados os
seguintes períodos: preparatório, o de competição e o de transição; enquanto a
organização dos macrociclos de treinamento, em definitivo, são determinadas
pelas leis do controle Além disso, é peremptoriamente afirmado que "todas as
outras formas de organização do treinamento, ainda que possam parecer boas, se
não têm relação com as leis objetivas deste processo, inevitavelmente
falirão"(25). Porém, a subdivisão mecânica do processo de treinamento e a
sucessiva reunificação de suas partes em um todo, antes de tudo tem pouco em
comum com a real organização do processo de treinamento na maior parte dos
esportes (2, 17, 41, 51, 54, 63, 92, 102). Em segundo lugar, por causa desta
subdivisão, não só é perdida a integridade do processo de treinamento
determinada objetivamente pela natureza biológica do processo de adaptação,
como também é alterado o andamento natural deste processo, perdendo-se assim a
possibilidade de controle ótimo do seu desenvolvimento, porque este controle se
transfere no âmbito da escolha de variante diversas da organização do
treinamento com base em ensaio e erro (4, 5, 8, 9, 32, 34, 40). Nesta situação
praticamente são possíveis dezenas de variantes de solução, sem porém que a CPT
proponha razões objetivas para a escolha da variante ótima. 
Seguir de modo formal "as leis da formação da forma esportiva" têm levado a
idéias erradas sobre os objetivos e sobre os conteúdos do período preparatório
e o de competição que são utilizados há muito tempo no desporto (12, 15, 19). A
lógica linear da explicação dos seus objetivos (primeiro a preparação e depois
a competição) não correspondem à realidade dos dias de hoje, mas desorienta
também treinadores e pesquisadores que trabalham no campo dos esportes. 
Assim, o período preparatório é reduzido à construção e à verificação da
forma esportiva através de um intenso trabalho puramente preparatório, enquanto
o outro período, o de competição, é destinado às mesmas e à estabilização ou
manutenção da forma esportiva e é composto pelos mesociclos de competição e
pelos chamados mesociclos de transição (mesociclos recuperativos e de
manutenção e mesociclos preparadores de recuperação) (25). Então, no período de
competição o nível do treinamento dos atletas era somente mantido e não
desenvolvido (17). Segundo os especialistas, uma interpretação assim primitiva
da periodização não corresponde nem de longe à realidade (16, 32, 51, 63, 72).
De fato na maior parte dos esportes cíclicos e dos jogos esportivos, o nível de
treinamento precedentemente atingido não só é mantido, mas também desenvolvido
no período competitivo.(9, 10, 17, 54, 113). E se é utilizada a teoria da
adaptação, então o objetivo principal do período de competição consiste
propriamente em concluir o ciclo atual de adaptação a longo prazo do organismo
ao regime motor específico e em levar o organismo a um novo e estável nível de
possibilidades funcionais específicas. (4, 5, 9, 10, 47, 113) 
Aqui, ocorre também levar em consideração a tendência ao aumento de duração
do período competitivo durante o ano de treinamento e a intensificação do
calendário de competições típico do esporte moderno (16, 32, 54, 56, 69, 98,
109, 120). Por exemplo, no ciclismo de nível internacional a duração do período
de competições é de oito a oito meses e meio por ano. 
Naturalmente, o período preparatório não é suficientemente longo para
realizar a chamada preparação de base. Pelo que o desenvolvimento principal do
nível de treinamento acontece durante o longo período de competições (16, 17,
32, 33, 71, 98). 
Portanto, a separação mecânica entre período preparatório e de competições e
a correspondente interpretação dos seus objetivos têm seriamente desorientado a
prática esportiva, não garantiu as condições ótimas e a necessária sucessão na
solução dos problemas da preparação no âmbito do ciclo anual, alterou toda a
estratégia da organização do treinamento, e como conseqüência, alterou também o
andamento do processo natural de adaptação que representa a base do progresso
da maestria esportiva. 
Atualmente, seguir os processos de uma similar periodização é como se na
partitura de uma peça musical se transpusesse a parte do instrumento principal
em uma tonalidade diversa. Se por hipótese nos dispuséssemos a escutar
semelhante absurdo, o seu resultado pode ser considerado a "sonorização" do
efeito da CPT sobre o esporte moderno. 

7
A parte mais rudimentar da CPT é a tecnologia do processo do treinamento. 
Segundo Matveev, a idéia da periodização consiste simplesmente no colocar em
fila as partes do processo de treinamento em uma sucessão linear. A principal
unidade estrutural (o tijolo) do treinamento é o microciclo. O processo de
treinamento é representado como uma soma de microciclos colocados em fila
formando uma cadeia. A lógica da sucessão linear desta cadeia é determinada de
modo puramente especulativo (sobretudo porque segue o princípio de que se pode
fazer assim ou assado) (sic) (25, 26). Servindo-se de vários microciclos
standart com nomes diversos como em um jogo de construções, são construídos
componentes diversos, maiores, do processo de treinamento, denominados
mesociclos que, por sua vez, são reunidos (segundo o mesmo processo) em
macrociclos (25, 26). Para a realização deste principio linear Matveev propõe
"vários tipos" de mesociclos com nomes diversos, por exemplo: de base,
preparatórios com caráter de controle, de polimento, preparatórios com caráter
de recuperação, de recuperação e de manutenção, etc... Cada um destes
mesociclos (não se sabe porque razão) compreende de 3 a 6 mesociclos. A
variabilidade real da estrutura do treinamento se obtém através das combinações
e deslocamentos diversos na sucessão linear dos mesociclos que citamos. 
Por exemplo, nos esportes de resistência, no período preparatório é
aconselhada esta cadeia de mesociclos: de adaptação, de base com caráter de
desenvolvimento, de base com caráter de estabilização, de base com caráter de
choque, preparatório com caráter de controle, polimento e pré-competição. Um
dos exemplos de organizar o chamado "período preparatório reduzido" nos
esportes de força rápida, assim se apresenta: mesociclo de adaptação, de base,
preparatório com caráter de controle, de polimento com elementos de mesociclo
de pre-competição. Nos períodos de competição as cadeias de mesociclos são
construídas de modo análogo (26, 27) 
Não vale a pena aprofundar o estudo destas cadeias com os seus exemplos
evidentemente teóricos que não tem nenhum valor pratico. Porém, ocorre lembrar
que Matveev jamais propôs, em nenhuma parte, alguma explicação, argumentação ou
conselho para aquilo que diz respeito à "construção" de tais cadeias de
mesociclo ou o seu tempo de duração ótima. 
Porém, outras pesquisas (41) destinadas a confirmar a onipotência (sic) da
CPT têm desiludido esta esperança, e tem revelado em toda a sua evidência
quanto é primitiva esta tecnologia de planificação e, ao mesmo tempo, tem
demonstrado de modo convincente que: 
a. na prática, vêm utilizadas modalidades de organização de treinamento muito
diversas dos conselhos especulativos de Matveev; 
b. a interpretação do processo de treinamento como combinação linear de
componentes standart é pouco seria; 
c. se fossem seguidos os conceitos teóricos da CPT a probabilidade de êxito da
preparação dos atletas não seria assim tão elevada como se pensa (e isto
confirma a opinião dos especialistas) (16, 17, 19, 32, 34, 42, 46, 51, 68, 91,
102). 

8
Os maiores defeitos da CPT, atualmente, diante das ciências biológicas, são
representados pelo fato de que esta concepção prevê somente duas modalidades de
regulação do efeito do treinamento, isto é, o volume e a intensidade da carga.
Visto que esta concepção não prevê outras modalidades (salvo, talvez, o
andamento a ondas do volume total da carga, interpretado de modo primitivo), em
todos os anos em que predominou a CPT, o fator principal do aumento da eficácia
do processo de treinamento foi uma orientação em direção ao incremento global
do volume das cargas (12, 21, 32, 54, 61, 108) que, por sua vez, foi também a
causa do desenvolvimento baseado no volume, não só da metodologia do
treinamento, mas também do inteiro sistema de preparação dos atletas de elevada
qualificação (15, 109, 110). 
Então, a característica mais importante do processo de adaptação que é a
transformação das características qualitativas dos estímulos externos que agem
sobre o organismo em característica interna ao próprio organismo, esta fora da
ótica da CPT (4, 5, 9, 10, 47). Ter ignorado (ou melhor dizendo, não ter
entendido) o problema da especificidade das transformações de adaptação do
organismo levou o autor da CPT a reflexões prolixas sobre o chamado "transfer"
das habilidades e das capacidades motoras (28), isto é, sobre um fenômeno real,
mas típico sobretudo da educação física, mas não do esporte de alto nível (4,
5). E se, por exemplo, durante um exame, um estudante de um instituto de
educação física afirmasse que: "muitos exercícios cíclicos (locomoção),
diversos pela sua forma (natação, corrida, ciclismo, etc...), podem, porém, ser
muito vizinhos ao exercício de competição no que toca ao caráter da expressão
da resistência e de outras qualidades físicas" (28), seguramente ele obteria
uma nota baixa. 
A CPT é impotente diante desses problemas, mas, bastaria consultar alguns
livros para descobrir facilmente que o fenômeno do caráter seletivo,
específico, das reações de adaptação do organismo segundo o regime do trabalho,
é conhecido há tempo e representa um dos critérios mais importantes da escolha
dos conteúdos e da organização das cargas de treinamento, dos fins prevalentes
do seu efeito de treinamento e da sua composição geral (4, 5, 10, 11, 47, 48,
113). 
Atualmente, quando a possibilidade de descobrir novos meios de preparação
física especial é diminuída consideravelmente, pois os volumes de sobrecarga
alcançaram um limite que é ainda razoável, mas dificilmente superável, o
controle da especificidade do efeito de treinamento dos estímulos representa a
única estrada para o aumento da eficácia do sistema de treinamento para atletas
de alto nível. Em vez disso, as reflexões sobre o "transfer", como também
aquelas sobre o papel da preparação física geral no treinamento, significa
retornar aos anos 50. 
Na literatura encontram-se muitos dados que dizem respeito aos mecanismos
fisiológicos da especificidade dos efeitos de treinamento (4, 5, 10, 47, 53,
99, 106, 113, 119). Tê-los ignorado é um outro defeito muito serio da CPT que,
na prática, é expresso em uma enorme, e quase sempre improdutiva, perda de
tempo e de energia por parte dos atletas para realizar um trabalho global de
treinamento caraterizado por uma eficácia escassa. Para terminar, na União
Soviética e em outros países foi a causa da falência de muitos planos da
preparação de muitos atletas destinados a alcançar o vértice da maestria
esportiva. (32, 46, 67, 73, 108, 109, 120). 

3. Conclusão 
Estes são os quatro defeitos importantes que privaram de qualquer valor
teórico e prático a CPT: 
1. Uma idéia aproximativa sobre a atividade esportiva, sobre a tecnologia da
preparação dos atletas de alto nível e sobre a especificidade da maestria
profissional do treinador. 
2. A primitividade da concepção metodológica; um aparato conceptual somente
fruto de teoria, não fundada em bases objetiva; princípios metodológicos
puramente especulativos, absoluta falta de conselhos práticos científicos
fundados. 
3. Ter ignorado o conhecimento biológico. 
4. Não ter levado em consideração os progressos das ciências afins e dos
resultados das pesquisas experimentais desenvolvidas no âmbito do treinamento
esportivo. 
A atividade esportiva leva o homem ao máximo nível das possibilidades
funcionais previstas pela natureza. Isto demanda uma mudança radical de todos
os sistemas fisiológicos do inteiro complexo das interações internas e externas
do organismo. Por esse motivo, o treinador que organiza este processo, e
controla o seu desenrolar tem uma grande responsabilidade moral no tocante à
saúde e ao futuro do atleta. E se não dispõe de profundos conhecimentos sobre o
que advém no organismo do atleta, e segue somente discursos pseudo-pedagógicos
sobre a periodização do treinamento ou sobre as leis do controle da dinâmica da
forma esportiva, o progresso do esporte de alto nível torna-se imprevisível. 

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