Oi Roberto e demais amigos do Judô
Que ótimo, eu lecionei a discplina didática para o curso de EF da Estácio de
Campos em 2002 e Pedagogia do Esporte na USP pro bacharelado em Esporte em 1999
e 2000 enquanto dava aula lá. Foi uma ótima experiencia também pq tive alunos
experientes que ja estagiavam na area de Esporte e tinham sido muito bons
atletas. As discusões eram muito ricas. Atualmente continuo na área pedagógica
com avaliação em EF Escolar na UFRJ.
Posto que temos gente dessa área aqui na lista tbm, devo lembra que parte da
minha dissertação de mestrado (CARVALHO, 1995) e outro trabalho posterior
(CARVALHO et al., 2002) foram desenvolvidos abordando também a questão da
lateralidade. Percebi o seguinte:
1) judocas que chutavam com o pé direito tendem a fazer o movimento de
tai-sabaki-3 ou mae-mawari-sabaki pelo mesmo lado, assim como os que chutavam
com o pé esquerdo tendem a fazer o giro mais rapidamente pelo mesmo lado.
Todavia o grupo de voluntários que avaliei eram judocas competidores de 15 a 32
anos da AABB e do Flamengo. E ficou a pergunta: será que o treinamento não
influenciou nesse aspecto?
2) o lado da mao mais usada em nada se relacionava com o lado de giro mais
rápido avaliado no teste.
3) no outro estudo posterior, eu, o Ale Drigo, O Kiki, o Dubas e a Fabiana
avaliamos os alunos dele, de EF, na UNESP de Rio Claro que cursavam a
disciplina Judo. Todos menos eram faixa branca menos um faixa azul e outro
amarela. Percebeu-se que mesmo em iniciantes, havia a msma tendencia em relação
ao pé de chute.
Concluiu-se que se pretendemos dar vazão às tendencias naturais de dominância
no
período de iniciação e que um dos lados deva ser usado nas primeiras vivencias
motoras especificas do Judo, deve-se usar o lado do pé de chute e não o lado da
mao mais usada para que o aluno execute as suas primeiras movimentações
técnicas, ao invés de usar o lado da mão mais usada como grande parte dos
senseis hj em dia ainda usam.
Com isso se quebrou um paradigma pedagogico ha muito adotado no país ;o)
Quando li a sua msg sobre o trabalho desenvolvido com a Patricia, achie-o ótimo
e percebi que vc falou em lado dominante.
Daí como um pesquisador que gosta de verificar os detalhes dos estudos para
saber mais um pouco sobre um assunto tão interessante, sugiram-me na mesma hora
os seguintes pensamentos e perguntas.
Gostaria de deixar bem claro que não quero de modo algum me meter no trabalho de
vcs, ou sequer teria a ousadia de questioná-lo, pois ele foi bem desenvolvido e
obteve resultados relevantes e muito, muito interessantes. O estudo que vcs
fizeram está pronto e concluído, a minha idéia era saber agora se vcs estariam
interessados em dar continuidade à essa pesquisa levando em consideração outros
aspectos também. Não li o trabalho e não soube como vcs avaliaram qual era o
lado dominante. Foi através do pé de chute ou da mão mais
usada?
Eu estava pensando aqui com meus botões: será que se fosse avaliado o lado do pé
de chute os resultados seriam os mesmos? vcs tem como conseguir essa informação
isso com os antigos avaliados da sua amostra?
Se vc conseguir eu me comprometo a tratar os dados e verificar os resultados
pra
vcs e desenvolver um estudo subsequente seguindo na mesma linha. O que vc me diz
a respeito? Pense nisso com calma e me fale depois, sim? pois é uma área de que
gosto imensamentee já desenvolvi alguma coisa nesse sentido também.
Deixo aqui o meu convite para juntarmos forças e ajudarmos o Judô.
Se vc puder me enviar uma copia da monografia da Patricia, eu vou le-la como que
sorvendo um gostoso vinho tinto (adoro vinho tinto suave rs).
Um forte abraço a todos, em especial ao Roberto,
Mauro Gurgel
PS: estou super feliz com a dinamica dessa lista e com o nivel de debates que
tem sido desenvolvidos aqui. Vc, Roberto, Haroldo, Paulo, Ale, Fabricio, Máuri
e todos os demais colegas que tem participado, têm feito colocações de extrema
valia para o nosso desenvolvimento mutuo. Se continuarmos assim, ninguem segura
a gente e nosso trabalho ;o)
Citando Roberto <rcdosanjos@xxxxxxxxxx>:
> Oi Mauro e demais listeiros,
>
> Teria algumas atividades lúdicas para sugerir mas prefiro lançar algumas
> preocupações, discutir alguns conceitos que, aí sim acho eu, facilitarão a
> partir de nossas discussões, o trabalho do treinamento com crianças. Tive a
> oportunidade de ministrar a disciplina Didática do Ensino e Treinamento
> Aplicado ao Judô no Curso de Pós-graduação em Treinamento de Judô da UFRJ.
> Na oportunidade tive o privilégio de travar algumas discussões com colegas
> nossos do mais alto nível como Mataruna, Walter Russo, Mariana Melo e
> outros. Como você bem sabe e me conhece, meu interesse maior sempre esteve
> voltado para essa questão: como ensinar judô para crianças sem limitar suas
> potencialidades, sejam essas competitivas ou não?
> Nesse curso de pós, por exemplo, tive o prazer de desenvolver um trabalho
> junto com uma aluna, judoísta fantástica, Patrícia Beviláqua. Na monografia
> dela discutimos a questão da transferência bilateral. Pra não me alongar
> muito basta dizer que ao experimentarmos duas formas diferentes de ensinar
> habilidades motoras específicas nos deparamos com os seguintes resultados:
> quando ensinamos técnicas simples, onde o movimento é executado com membros
> inferiores e superiores do mesmo lado, não há diferenças significativas em
> ensinar o movimento simultaneamente para o lado dominante e não dominante.
> Quando, ao contrário disso, ensinamos uma habilidade mais complexa, onde a
> perna que golpeia é de um lado, o braço de outro e ainda se insere um giro,
> ensinar primeiro para o lado dominante, permitir um certo domínio do
> movimento para, somente depois, ensinarmos para o lado não dominante,
> mostrou ser mais eficaz. Aí a pergunta: devemos ou não ensinar os movimentos
> para ambos os lados? Se optarmos por responder não, isso não se apresenta
> como um fator limitador ao desenvolvimento motor do aprendiz? Se
> respondermos sim, tendo em vista a transferência bilateral negativa isso,
> igualmente, não estará dificultado o aprendizado das habilidades?
> Essa questão da lateralidade no Judô está muito mal resolvida. Afinal o que
> nos leva a determinar se um judoca é destro ou sinistro é a forma como pega.
> Só que no Judô, embora pegue pela direita muitos movimentos são executados
> com a perna do outro lado, com giros para lados opostos. Comparemos o
> uchi-gari com o de-ashi-harai, ambos sendo executados pelo lado direito, o
> primeiro utiliza a perna direita como alavanca principal, o segundo a perna
> esquerda. É uma confusão só.
> Esse é só um exemplo. E como já da margem à discussão. Essas e outras
> perguntas precisam ser respondidas?
>
> Um grande abraço (só pra variar) Mauro (sempre um prazer e um aprendizado
> discutir com você) e demais listeiros.
>
> Roberto Corrêa.
>
> -----Mensagem original-----
> De: mcgac@xxxxxx [mailto:mcgac@xxxxxx]
> Enviada em: segunda-feira, 4 de agosto de 2003 00:12
> Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Assunto: Re: RES: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
>
> Roberto em especial e demais amigos
> Concordo em muito contigo e acredito sim que tenhamos que começar a
> trabalhar em
> prol de uma didétoca apliada ao Judô como nosso colegas de Cuba e Portugal
> vêm
> fazendo desde a década de 80. Agora somos nós a bola da vez.
> Eu e alguns colegas de lista temos feito a nossa lição de casa tentando
> adequar
> algumas brincadeiras e jogos ao ensino e fixação das técnicas de Judô. Vc
> tem
> alguma a sugerir para que possamos aplicar e depois discutir os resultados?
> Um forte abraço a todos,
> Mauro Gurgel
>
>
>
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