Oi Mauro e demais listeiros,
Teria algumas atividades lúdicas para sugerir mas prefiro lançar algumas
preocupações, discutir alguns conceitos que, aí sim acho eu, facilitarão a
partir de nossas discussões, o trabalho do treinamento com crianças. Tive a
oportunidade de ministrar a disciplina Didática do Ensino e Treinamento
Aplicado ao Judô no Curso de Pós-graduação em Treinamento de Judô da UFRJ.
Na oportunidade tive o privilégio de travar algumas discussões com colegas
nossos do mais alto nível como Mataruna, Walter Russo, Mariana Melo e
outros. Como você bem sabe e me conhece, meu interesse maior sempre esteve
voltado para essa questão: como ensinar judô para crianças sem limitar suas
potencialidades, sejam essas competitivas ou não?
Nesse curso de pós, por exemplo, tive o prazer de desenvolver um trabalho
junto com uma aluna, judoísta fantástica, Patrícia Beviláqua. Na monografia
dela discutimos a questão da transferência bilateral. Pra não me alongar
muito basta dizer que ao experimentarmos duas formas diferentes de ensinar
habilidades motoras específicas nos deparamos com os seguintes resultados:
quando ensinamos técnicas simples, onde o movimento é executado com membros
inferiores e superiores do mesmo lado, não há diferenças significativas em
ensinar o movimento simultaneamente para o lado dominante e não dominante.
Quando, ao contrário disso, ensinamos uma habilidade mais complexa, onde a
perna que golpeia é de um lado, o braço de outro e ainda se insere um giro,
ensinar primeiro para o lado dominante, permitir um certo domínio do
movimento para, somente depois, ensinarmos para o lado não dominante,
mostrou ser mais eficaz. Aí a pergunta: devemos ou não ensinar os movimentos
para ambos os lados? Se optarmos por responder não, isso não se apresenta
como um fator limitador ao desenvolvimento motor do aprendiz? Se
respondermos sim, tendo em vista a transferência bilateral negativa isso,
igualmente, não estará dificultado o aprendizado das habilidades?
Essa questão da lateralidade no Judô está muito mal resolvida. Afinal o que
nos leva a determinar se um judoca é destro ou sinistro é a forma como pega.
Só que no Judô, embora pegue pela direita muitos movimentos são executados
com a perna do outro lado, com giros para lados opostos. Comparemos o
uchi-gari com o de-ashi-harai, ambos sendo executados pelo lado direito, o
primeiro utiliza a perna direita como alavanca principal, o segundo a perna
esquerda. É uma confusão só.
Esse é só um exemplo. E como já da margem à discussão. Essas e outras
perguntas precisam ser respondidas?
Um grande abraço (só pra variar) Mauro (sempre um prazer e um aprendizado
discutir com você) e demais listeiros.
Roberto Corrêa.
-----Mensagem original-----
De: mcgac@xxxxxx [mailto:mcgac@xxxxxx]
Enviada em: segunda-feira, 4 de agosto de 2003 00:12
Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Assunto: Re: RES: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
Roberto em especial e demais amigos
Concordo em muito contigo e acredito sim que tenhamos que começar a
trabalhar em
prol de uma didétoca apliada ao Judô como nosso colegas de Cuba e Portugal
vêm
fazendo desde a década de 80. Agora somos nós a bola da vez.
Eu e alguns colegas de lista temos feito a nossa lição de casa tentando
adequar
algumas brincadeiras e jogos ao ensino e fixação das técnicas de Judô. Vc
tem
alguma a sugerir para que possamos aplicar e depois discutir os resultados?
Um forte abraço a todos,
Mauro Gurgel
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