Amigos do Judo e Roberto em especial
Como nos submetemos a estes treinamentos na mesma época, obtivemos rendimentos
proporcionais aos métodos utilizados. Como vc mesmo disse fazíamos muito
randori, uchi-komi parado intervalado, peso e corridas longas.
Obviamente as respostas na luta eram transferidas de forma proporcional ao
treinamento. Se nossos colegas ficassem parados na nossa frente, conseguíamos
fazer uma pegada boa que limitava os movimentos do adversário, um entrada forte
que se nao fosse bem encaixada, poderia ser compensada na força. Tínhamos ainda
alguma resistência aeróbia para aguentar a luta, mas não uma resistência
específica bem trabalhada que poderia fazer um grande diferença.
Assim era o treinamento nos melhores centros de treinamento do Rio para os
seniores e juniores. Entretanto, não havia uma preparação específica para
atacar em movimento em várias direções, encadear ataques, esquivar dos ataques
do adversário e contra-atacá-lo, ou seja o leque de opções estava limitado às
possibilidades técnicas que os judocas já possuíam sem que nada tático ou
técnico lhes fosse adicionado no repertório motor. Quando o aversário
pegava o nosso jogo a luta ficava muito complicada por que não se tinha mais
opções de movimento para usar - bagagem técnica era muito, muito limitada. Nào
estou falando apenas de mim, mas de colegas de treino também. Se o oponente
tivesse ainda capacidade de se deslocar bem no Dojô e imprimir um volume de
ataque constante e bem encadeado a gente se perdia e acabava caindo.
Felizmente eu e outros colegas fomos alunos também do Sensei Mehdi que nos
permitiu perceber essa grande diferença e elevar o nosso volume de opções
técnicas no Judô.
Em outras palavras, se um judoca que treina assim como se treinava antigamente,
tem limitadas as opções de ataque frente as pegadas usadas pelos oponentes e
sua forma de movimentação no Dojô (qualidade de movimento, encadeamento, timing
e capacidade de antecipação), assim como a sua capacidade de antecipar,
esquivar e contra-golpear eficientemente.
Os resultados do seu processo de treinamento depende dos métodos usados para
tal. Se determinados métodos forem enfatizados nesse processo os resultados
obtidos estarão relacionados com as características desses métodos. Tudo
depende das opções que são feitas pelos senseis.
Um foete abraço a todos,
Mauro Gurgel
Citando Roberto <rcdosanjos@xxxxxxxxxx>:
> Concordo com vc Haroldo.
> Alguns desses métodos, em minha opinião, dificultam mais do que auxiliam o
> processo de aprendizagem das habilidades técnicas, principalmente se forem
> utilizados em suas formas tradicionais. Quanto a utiliza-las como forma de
> treinamento físico, é preciso ter muito cuidado. Durante as décadas de
> 70/80, utilizou-se muito o uchi-komi como forma de interval training. Para
> conseguir realizar o maior número de repetições e, "supostamente", atingirem
> os objetivos do método de treinamento proposto, sacrificavam a qualidade do
> movimento. Considerando-se o número de repetições realizadas, muitas vezes,
> percebíamos a automatização de habilidades completamente erradas de acordo
> com alguns parâmetros biomecânicos básicos.
> Quanto a sua visão de que "defender uma didática específica para o judô é
> defender um estudo que, centrado no judô como conteúdo sistematizado a ser
> ensinado aos alunos, investigue o processo de transmissão/ assimilação
> buscando construir uma técnica específica que oriente o professor de judô
> em sua tarefa", concordo. Isso não significa, no entanto, engessar o
> processo de ensino-aprendizagem da modalidade, tampouco apontar para a
> necessidade de construirmos um método específico para o ensino de cada
> modalidade. Pelo que entendi de suas palavras, e fique a vontade para me
> corrigir de interpretei errado, o correto seria, partindo de um espectro
> geral, identificarmos as especificidades do Judô e aprofundarmos estudos
> sobre os métodos de ensino de seus conceitos básicos e técnicas, é isso?
>
> Um grande abraço.
>
> Roberto Corrêa.
>
> -----Mensagem original-----
> De: Haroldo de Lima Arouca [mailto:arouca@xxxxxxxxxxxx]
> Enviada em: quinta-feira, 31 de julho de 2003 14:52
> Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
> Assunto: Re: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
>
> Mauro, Amigos da lista.
>
> Pensei que este era o paradigma tradicional que deveria ser questionado...
> quanto a eficiência, validade, forma, para revalidados ( digo/escrevo 're'
> porque também eles tiveram origem em uma revisão anterior da forma
> tradicional de ensinar - no jiu jitsu, de onde o judô foi sintetizado),
> servirem de ferramenta ao ensino... por exemplo ... quais são mais
> eficientes para desenvolver velocidade?, quais são mais eficientes para
> desenvolver potência?, quais são mais eficientes para que o aprendiz adquira
> o tempo da técnica?, o domínio de sequências? Quantas outras formas ou
> variações existem em nossas academias? será que elas são tão ou mais
> eficientes que as tradicionais?
>
> Mauro, demais amigos da lista, gostaria muito da opinião de vocês sobre este
> artigo do Ralf Tits, técnico de um sobre periodicidação dos tipos de
> randori, desculpem mas está em inglês e é um pouco grande ... por isto anexo
> apenas o link ...
> http://judoinfo.com/research19.htm
>
> Um forte abraço a todos
> Haroldo.
> PS. Tô aprendendo ... cortei as outras mensagens ...
>
>
>
>
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> Leia a NETIQUETA das listas do CEV: http://www.cev.org.br/listas/dicas.htm
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