Amigos do Judo e Haroldo em especial
Realmente vc está coberto de razão quando diz que muitos do métodos de
aprendizagem e/ou de treinamento técnico que citei vieram originariamente dos
antigos estilos de luta japoneses - usados com outros nomes muitas vezes, mas
os mesmos métodos. Afinal as grandes inovações só surgem quando estruturas
anteriores já fundamentadas lhes dão o suporte necessário para ocorrerem, o que
chamamos de acumulação de conhecimento e desenvolvimento de novos conhecimentos
a partir dos anteriores. Isso nos leva arefletir sobre o antigo jargão:
Na natureza nada se cria, tudo se copia (rs).
Todavia, cabe lembrar que a partir do momento em que o Judo começa a ter vida
própria e a se diferenciar em muitos aspectos das antigas formas, novos
conhecimentos são produzidos e os métodos não deixaram de seguir nesse mesmo
rumo. Do mesmo modo vemos as antigas "ciências mãe" como a física anatomia,
fisiologia e etc. dando margem à criação das novas ciências do esporte (ou do
exercício ou da motricidade humana) como a biomecânica, fisiologia do
exercício, cineantropometria e etc.. Estas novas ciências têm questões próprias
e já desenvolveram seu estatuto epistemológico, métodos e instrumentos de
avaliação adaptados dos modelos das "ciências mãe".
Com a aplicação dos conceitos oriundos da metodologia do treinamentos esportivo
como força, velocidade e resistência na preparação de judocas para a
competição, os antigos métodos de shiai, randori, nague-ai e etc. foram sendo
adequados fundando o que chamamos de treinamento específico onde reunimos
elementos de preparação tática, técnica e física num memso exercício.
Respeitando parâmetros de intensidade, volume, freqüência, complexidade do
exercício, intervalo e repouso, pode-se trabalhar as qualidades físicas (ou
capacidades motoras de condicionamento) força, velocidade e reistência
coerentemente usando os métodos específicos do Judô.
Quanto aos resultados obtidos com este ou aquele métodos de treinamento, penso
que deveríamos documentar todo o trabalho e expô-lo à apreciação de nossos
pares em encontros, congressos e demais eventos científicos, revistas ou
sites.
A partir do momento em que tenhamos tais resultados em nossas mãos, poderemos
comparar os resultados de um ou mais trabalhos com o que estejamos
desenvolvendo com nossos atletas e, daí então, será mais fácil observar quais
produzem melhores resultados ou até mesmo investigar o por que tasi resultados
foram obtidos ou não quando outros trabalhos semelhantes conseguiram resultados
diferentes ;o)
Portanto, temos muito a fazer.
Quanto ao texto do Tits, achei-o bem coerente como receita de bolo pronta para
usar, mas o processo de treinamento demanda outras habilidades de adequação às
condições e características do judoca que não foram sequer comentadas no
trabalho. Por exemplo, num início de preparação física com um judoca iniciante
ele pode ser muito bem usado. Contudo cabe lembrar de dois aspectos:
1) a capacidade de assimilação do judoca a uma ou outra das propostas
aprsentadas nao irá ser a mesma, ou seja, ele poderá ter melhores resultados em
um ou outro momento da periodização em função do trabalho desenvolvido enquanto
que para alguns dos outros trabalhos a resposta não será a mesma em função da
individualidade biológica do judoca. Alguns metodos de treinamento propostos
serao assimilados e transferidos para o combate de forma mais efetiva do que
outros pelo simples fato das pessoas serem diferentes e apresentarem respostas
diferentes.
2) no ano seguinte, esse mesmo judoca não começará o período de treinamento do
memso modo que iniciou o ano anterior. Ele terá na sua bagagem de atleta um
lastro fisiológico e motor já adquirido que o fará diferente do judoca do ano
anterior. Daí vai a pergunta: a periodização deverá ser a mesma do ano
anterior? ele continua com as mesmas necessidades?
O texto não abordou estes aspectos mas pelo menos se tem algo nesse sentido para
se começar a trabalhar e a refletir sobre isso ;o)
Bom, acho que é só isso.
Um forte abraço a todos e espero que gostem do que escrevi tanto como gostei de
escrever.
Mauro Gurgel
Citando Haroldo de Lima Arouca <arouca@xxxxxxxxxxxx>:
> Mauro, Amigos da lista.
>
> Pensei que este era o paradigma tradicional que deveria ser questionado...
> quanto a eficiência, validade, forma, para revalidados ( digo/escrevo 're'
> porque também eles tiveram origem em uma revisão anterior da forma
> tradicional de ensinar - no jiu jitsu, de onde o judô foi sintetizado),
> servirem de ferramenta ao ensino... por exemplo ... quais são mais
> eficientes para desenvolver velocidade?, quais são mais eficientes para
> desenvolver potência?, quais são mais eficientes para que o aprendiz adquira
> o tempo da técnica?, o domínio de sequências? Quantas outras formas ou
> variações existem em nossas academias? será que elas são tão ou mais
> eficientes que as tradicionais?
>
> Mauro, demais amigos da lista, gostaria muito da opinião de vocês sobre este
> artigo do Ralf Tits, técnico de um sobre periodicidação dos tipos de
> randori, desculpem mas está em inglês e é um pouco grande ... por isto anexo
> apenas o link ...
> http://judoinfo.com/research19.htm
>
> Um forte abraço a todos
> Haroldo.
> PS. Tô aprendendo ... cortei as outras mensagens ...
>
> ----- Original Message -----
> From: <mcgac@xxxxxx>
> To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
> Sent: Wednesday, July 30, 2003 9:34 PM
> Subject: Re: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
>
>
> > Oi amigos
> > Só para lembrar, o Judô possui seus métodos específicos que foram
> desenvolvidos
> > visando a aquisição e o desenvolvimento das técnicas, mas eles podem ser
> usados
> > para o treinamento físico específico se forme respeitadas alguns
> parâmetros
> > como: intensidade do esfoço, volume, complexidade, intervalo de
> recuperação e
> > repouso.
> > Os métodos do Judô são:
> > 1 - shiai (luta com pontuação = competição)
> > 2 - randori (luta sem pontuação)
> > 3 - yaku-soku-gueiko (entradas livres em moviemnto)
> > 4 - nague-ai (joga-joga)
> > 5 - uchi-komi (entradas)
> > 6 - kakari-gueiko (esquivas)
> > 7 - renraku-renka-waza-renshu (ataque-sucessivo)
> > 8 - kaeshi-waza-renshu (cntra-golpes)
> > 9 - tendoku-renshu (sombra)
> > 10 - kata (formas ortodoxas)
> > Bom, variando os parâmetros supracitados, podemos fazer um treinamento bem
> legal
> > para diferentes qualidades físicas e aspectos técnicos.
> > Um forte abraço a todos.
> > Mauro Gurgel
> >
> >
> >
>
>
>
> SAIR DA LISTA: mande msg em branco para
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> Leia a NETIQUETA das listas do CEV: http://www.cev.org.br/listas/dicas.htm
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