Oi Paulo,
Gostaria, também, de agradecer as palavras do Drigo e a você pela rolada de
bola.
Em primeiro lugar é preciso contextualizar e para isso vou utilizar uma
comparação, que inclusive já utilizei antes, com a natação. Se a natação é
ensinada como vemos em geral, contribui muito pouco para a tal variabilidade
de prática pois, considerando a limitada quantidade de recursos motores e as
poucas variações desses recursos, após o aprendizado dos 4 estilos, o
nadador passará o resto da vida contando azulejos. Se, ao contrário disso,
aquele que ensina, por ter consciência e conhecimento que lhe permitam criar
procedimentos que favoreçam uma prática multivariada, evolui do ensino
tradicional da natação para uma práxis sustentada pelas teorias do
desenvolvimento, está perfeito. Mas perguntemos: qual das duas formas
encontramos mais habitualmente?
Agora voltando ao Judô. É comum, muito comum mesmo, encontrarmos "senseis"
(com formação acadêmica ou não) que utilizam o uchi-komi como método de
ensino-aprendizagem de novas técnicas para crianças. Penso que, ao tratarmos
de treinamento para crianças (volto a afirmar que não tenho nenhum
preconceito com a expressão "treinamento para crianças"), métodos que se
baseiem em repetições intermitentes, limitam a possibilidade de criatividade
do aprendiz, além de tornarem-se extremamente desinteressantes. Sem falar
que, o objetivo final do ato motor da habilidade, que é derrubar o
companheiro, não é contemplado. Seria algo como ensinar a bandeja do
basquete parando no salto, sem permitir a finalização do arremesso.
Peguemos outro exemplo: o handori em ne-waza: se o treinamento deve, sempre
que possível, aproximar-se ao máximo da realidade de luta, randoris de 3, 4
ou 5 minutos no solo, como também é comum vermos, não reflete uma realidade
da luta a qual raramente acontece por mais de 20 à 30 segundos no solo.
Talvez, handoris combinados de 30 segundos (estou somente hipotetizando),
partindo de uma situação real de luta, prevendo várias formas diferentes de
iniciar (dentro da guarda, montado nas costas, etc), tragam um resultado
melhor do que ficar embromando, porque em geral é isso que acontece, durante
4 minutos no chão.
Agora, se pego todos aqueles métodos, conjugo com conhecimentos científicos
relacionados ao crescimento e ao desenvolvimento infantil, ao treinamento
desportivo, à biomecânica, à fisiologia do exercício, etc, e os adapto a
formas mais equalizadas e otimizadas de trabalho, aí deixei de utiliza-las
da forma tradicional (expressão que usei em minha mensagem) e passei a ter o
cuidado necessário que mencionei com esses métodos, pois, concordo
plenamente com o Haroldo, devemos questiona-los, principalmente no que se
refere ao momento (faixa etária) em que cada um deles pode ser inserido em
meu planejamento.
Isso sem falar na brilhante analogia utilizada pelo Drigo no que tange a
"produção em série" que segmenta o conhecimento e jamais permite que o
executor tenha a visão do todo e sim, somente das partes. Como acredito que
tudo se desenvolve do geral para o específico e não ao contrário...
No final acho que concordamos pois, utilizando suas palavras: "dentro de
pressupostos fisiológicos corretos" e "sabendo o que queremos trabalhar",
acho que podem ser válidos, sob determinadas condições.
Abração Paulo e demais listeiros.
Roberto Corrêa.
-----Mensagem original-----
De: Paulo Azevedo [mailto:paulopersonal@xxxxxxxxxx]
Enviada em: sábado, 2 de agosto de 2003 21:38
Para: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Assunto: Re: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
Olá Listeiros e Roberto!
Gostaria de saber, quais destes métodos (citados pelo Mauro!), vc crê que
dificultam o processo de aprendizagem e o por que disto!?
Utilizar entrada de golpes, de maneira intermitente, dentro dos pressupostos
fisiológicos corretos, não vejo problema algum, basta saber o que se quer
trabalhar!
Abraços,
Paulo Azevedo
From: Roberto
To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
Sent: Thursday, July 31, 2003 6:10 PM
Subject: RES: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
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