Ola Drigo
É noosa área, tá bem assim?
Pessoal, vcs não podem imaginar como me faz bem ler o que escreve o Drigo.
Penso, mais que dantes, que precisamos "socializar" ao vivo nossos
conhecimentos. Análise do Drigo, "relação fordismo e judô" é digna de um
encontro para assumirmos a certeza, cada vez mais funda, da relação estreita
entre economia e esporte, a primeira determinando a segundo em esecial o
esporte espetáculo baseado em resultados imediatos e lucrativos para os
mecenas modernos.
Parabéns Drigo.
Máuri
From: "Alexandre Drigo" <ADRIGO@xxxxxxxxxxxxxx>
Reply-To: cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx
To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Re: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
Date: Fri, 1 Aug 2003 02:34:33 -0300
Oi Pessoal:
Vamos para a discussão novamente, mais em primeiro lugar, gostaria de
deixar claro que as discussões estão muito prazerosas tanto de participar,
quanto de ler. Parabéns ao Roberto por puxar as discussões de maneira
efetiva, ao Haroldo pela sua garra em discutir e ao Paulo Azevedo por não
deixar a lista ter caído no esquecimento (lembrando que ele deu o Hajime
inicial para o retorno de nossas discussões).
Quanto a discussão em si, os modelos sociais (Maurí, desculpe invadir
sua área) influenciam tb o modelo esportivo, no caso da discussão de 1000
entradas e treinamento compartimentado em módulos (randori, nague-ai,
uchikomi,etc), me faz refletir ao Fordismo, ou seja o modelo de produção em
série aplicado ao esporte, que durante muito tempo foi acreditado que era o
treinamento ideal, o do "quanto mais fazer melhor o atleta fica". Da mesma
forma que os operários faziam a linha de produção sem cognição, apenas por
automatismo (vide "Tempos Modernos), tb os atletas participaram desse ideal
em suas atividades, no caso do judô, vejo (pessoal) que produzir quantidade
alta de golpes vc perde elementos de aprendizagem e concentração ou
cognição
no desenvolvimento da técnica (sem contar a falta de prazer), randori por
randori, vc se adapta a luta dos parceiros de academia sem necessariamente
melhora da qualidade técnica efetivamente além de contribuir para
rivalidade
entre os próprios atletas envolvidos. Então da mesma forma que o modelo de
produção proporcionou discussões e adaptações na indústria moderna, tb o
esporte ou atividade física tb se modificou (ou pelo menos deveria). No
texto que o Haroldo passou (não li) mais dei uma olhada e parece que ele
vai
sugerir períodos de treinamento, ou periodização, achei interessante, vou
ler mais com calma o artigo, mais pelo que vi já é uma proposta
diferenciada
para o judô, atrasada é claro, mais uma proposta diferenciada. Hoje estão
discutindo para treinamento de alto nível o que chamam cargas concentradas
de força, a treinamento de periodização ao que parece já está ultrapassado,
os Russos, que criaram esse modelo, já não utilizam desde a década de 90,
parece recente, mais o mundo esportivo é demasiada rápido para pedermos
tempo. Ah, e como bom brasileiro, gostaria de ressaltar que aqui no Brasil
tem gente de qualidade sem espaço nas artes marciais que poderiam
engrandecer o esporte assim como o tênis está fazendo, não precisam trazer
cubanos, acho que primeiro deveria se esgotar as "potencialidades"
nacionais, depois dar moral para outros.
{]s Alexandre
----- Original Message -----
From: "Haroldo de Lima Arouca" <arouca@xxxxxxxxxxxx>
To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Sent: Thursday, July 31, 2003 6:31 PM
Subject: Re: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
> Oi Roberto, demais amigos da lista...
>
> Sim, é isto que quero dizer ... não penso em procedimentos do tipo
"receita
> de bolo", peque dois alunos, ponha no dojo, faca 1000 entradas por dia
de
> uma técnica ou duas(de preferência de manhã antes do sol nascer) e ao
final
> de dois ou três anos terás dois belos campeões ... credo ... tô
arrepiado
só
> em imaginar ... penso em formas de tornar o processo de aquisição de
> conhecimentos adequado na idade certa, sugerir métodos ou técnicas para
> orientar (não tenho a mínima intenção de abafar a criatividade de nossos
> 'senseis' os obrigando a seguir uma cartilha, penso em diretivas,
nortes)
a
> docência, sistematizar os conteúdos para que se tornem uniformes, e não
> existam tantas diferenças entre os faixas roxas do Rio de Janeiro e os
de
> Rondônia, claro que uns treinarão com o objetivo de aprender, outros de
> recreio outros de socialização, e poucos para serem campeões, isso
independe
> de nossa vontade, mas todos teríamos um judo de qualidade a oferecer.
Esta
> experiência está sendo feita pelo tênis no Brasil, vejo os profissionais
que
> trabalham com esta modalidade esportiva participando de encontros,
> seminários, e reciclagens com estes objetivos, organizados pela sua
> confederação, que tem a preocupação de formar mais Gugas ... Por mais
> improvável que pareça esta tentativa, tem gerado bons resultados. Será
que
> não serve para nós ????????????
>
>
> Abraços
> Haroldo de Lima Arouca.
>
>
>
>
> ----- Original Message -----
> From: "Roberto" <rcdosanjos@xxxxxxxxxx>
> To: <cevjudo-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
> Sent: Thursday, July 31, 2003 6:10 PM
> Subject: RES: [cevjudo-L] Porque uma didática para o Judô?
>
>
> > Concordo com vc Haroldo.
> > Alguns desses métodos, em minha opinião, dificultam mais do que
auxiliam
o
> > processo de aprendizagem das habilidades técnicas, principalmente se
forem
> > utilizados em suas formas tradicionais. Quanto a utiliza-las como
forma
de
> > treinamento físico, é preciso ter muito cuidado. Durante as décadas de
> > 70/80, utilizou-se muito o uchi-komi como forma de interval training.
Para
> > conseguir realizar o maior número de repetições e, "supostamente",
> atingirem
> > os objetivos do método de treinamento proposto, sacrificavam a
qualidade
> do
> > movimento. Considerando-se o número de repetições realizadas, muitas
> vezes,
> > percebíamos a automatização de habilidades completamente erradas de
acordo
> > com alguns parâmetros biomecânicos básicos.
> > Quanto a sua visão de que "defender uma didática específica para o
judô
é
> > defender um estudo que, centrado no judô como conteúdo sistematizado a
ser
> > ensinado aos alunos, investigue o processo de transmissão/ assimilação
> > buscando construir uma técnica específica que oriente o professor de
> judô
> > em sua tarefa", concordo. Isso não significa, no entanto, engessar o
> > processo de ensino-aprendizagem da modalidade, tampouco apontar para a
> > necessidade de construirmos um método específico para o ensino de cada
> > modalidade. Pelo que entendi de suas palavras, e fique a vontade para
me
> > corrigir de interpretei errado, o correto seria, partindo de um
espectro
> > geral, identificarmos as especificidades do Judô e aprofundarmos
estudos
> > sobre os métodos de ensino de seus conceitos básicos e técnicas, é
isso?
> >
> > Um grande abraço.
> >
> > Roberto Corrêa.
> >
>
>
>
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