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Globo 15-06-03 Parte 1

To: <cevidoso-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Globo 15-06-03 Parte 1
From: "edmundo" <drummond@xxxxxxxxxxxxx>
Date: Sun, 15 Jun 2003 15:10:38 -0300
A quem interessar,
Edmundo de Drummond Alves Junior
Administrador da lista cevidosos-L
Idosos, com orgulho e com direitos
Antônio Marinho e Marcia Cezimbra

As estimativas para os próximos 20 anos indicam que no Brasil a população idosa 
excederá 30 milhões de pessoas, chegando a quase 13% da população. Aos poucos, 
elas estão enfrentando a discriminação, lutando por seus direitos e ocupando 
seu espaço na sociedade. Uma prova disso é que, apesar das dificuldades, muitos 
idosos continuam trabalhando, exercitando-se e aproveitando o tempo livre da 
melhor forma possível. E a qualidade de vida na terceira idade tende a melhorar 
com a aprovação do Estatuto do Idoso. 

O Estatuto do Idoso ainda não foi aprovado. Existem dois projetos de lei,um na 
Câmara, o de número 3.561/97, apresentado pelo então deputado e hoje senador 
Paulo Paim (PT-RS), e outro no Senado, do senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que 
recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania 
(CCJ) e será encaminhado à Comissão deAssuntos Sociais (CAS). Os maiores de 65 
anos poderão ter prioridade na formulação de políticas públicas, no recebimento 
de proteção doEstado e nos serviços públicos como saúde e transportes. 

- Com o estatuto haverá uma ordenação de todas as leis de direitos e de 
proteção aos idosos, inclusive com ações punitivas. Para o estatuto vingar, o 
ministério da Ação Social deveria assumir o papel das políticas sociais que 
dizem respeito aos idosos. A maioria tem uma renda média de até um salário 
mínimo, o que não lhes garante, na maioriadas vezes, uma condição de vida muito 
digna - diz Renato Veras, médico e diretor da Universidade Aberta da Terceira 
Idade (Uerj). 

A tendência é a unificação dos dois projetos num só. Enquanto isso não 
acontece, os idosos se viram como podem. Maria Antonietta Guaycurus, de 76 
anos, a mais antiga professora de dança de salão em atividade no país, é um 
exemplo de que os limites na terceira idade podem ser vencidos. Ela trabalha 
desde os 17 e, para não ficar parada, dança até sozinha. 

- Não podemos ficar na inércia. Nunca me desvalorizei, continuo dando aulas e 
tenho muitos alunos na terceira idade. Nunca é tarde para aprender. Eu me sinto 
útil para a sociedade - diz Maria Antonietta, que tem sete filhos vivos, dez 
netos e um bisneto. 

Desrespeito no transporte é a principal queixa 

Ficar em casa hoje é a última opção dos maiores de 65 anos. As viúvas Célia 
Costa Raposo dos Santos e Nea Leal da Costa, vizinhas do mesmo andar num prédio 
no Leblon, não perdem o jantar diário do Fellini.Fizeram do restaurante a 
quilo, segundo elas, uma continuação de suas casas, onde encontram amigos, 
conhecem gente e são bem tratadas pelos garçons. 

- Uma viúva presa em casa é triste. Nós somos como irmãs e, quando vai dando 
seis da tarde, já começamos a nos arrumar para sair - conta Nea. 

Célia concorda: 

- É mais prático e gostoso do que comer em casa. 

Também o casal Eldamar e Henderson Sampaio, já com os dois filhos casados, 
jantam no restaurante a quilo todas as noites e almoçam lá aos sábados e aos 
domingos. 

- Depois que os filhos se casam, não dá mais para ficar fazendo comida em casa. 
E aqui é muito gostoso e tem de tudo. Quer fazer dieta? Tem dieta. Quer comer 
um docinho bem feito? Também tem - diz Eldamar. 

O gerente do Fellini, Carlos de Abreu, diz que nos primeiros horários do almoço 
e do jantar o perfil dos clientes é de pessoas da terceira idade, muitas já 
amigas da casa, onde costumam até comemorar seus aniversários. A casa resolveu 
por isso oferecer no horário do almoço desconto de 5% para quem tem mais de 65 
anos. 

No Arpoador a turma de tai chi chuan do professor Alexandre Von Ajs acorda com 
os primeiros raios do sol para não perder a aula. Tem aluna que sai da Barra da 
Tijuca para se exercitar. Claudina Sampaio, de 70 anos, Norma Leal, de 62, 
Mariana Cantanhede, de 70, Hortência Cerqueira, de 70, e Pupi,de 80, fazem 
parte do grupo. 

- Não é porque chegamos à terceira idade que vamos ficar em casa - diz Pupi. 

A atriz e tetravó Carmen Silva (a Flora, de "Mulheres apaixonadas"), de 87 
anos, vira-se sozinha, quando está em Porto Alegre ou gravando no Rio: 

- Depois que me aposentei, passei a ganhar menos de R$ 1 mil por mês e agora 
ganho um pouco mais por causa da novela. Não fico sem fazer nada ou trocando 
fraldas de netos. Mas sei que a maioria dos idosos ainda sofre discriminação, 
muitos vivem de favor em casa de parentes ou amontoados em casas geriátricas, 
sem as mínimas condições. O estatuto pode mudar isso. 

O ator Oswaldo Louzada, de 91 anos, o Leopoldo e marido de Flora em "Mulheres 
apaixonadas", acha que o estatuto vem num momento certo, mas é precisocobrar: 

- Na minha idade ainda trabalho, mas sou exceção. O estatuto poderá melhorar a 
qualidade de vida na terceira idade, mas é preciso fiscalizar ecobrar o 
cumprimento das leis. Copacabana de madrugada é uma tristeza, com tantos 
idosos, muitos doentes, largados na rua. Acho que deveríamos orientar as 
crianças desde cedo, ensinando-as a lidar com os idosos. 

A atriz Nair Belo, de 72 anos, é a favor de regalias para o idoso pobre: 

- Num país onde a partir dos 40 é muito difícil arrumar emprego, o idoso está 
completamente esquecido. O acesso ao lazer na terceira idade, com mais 
descontos e gratuidade em cinema e teatro, por exemplo, deveria ser mais 
incentivado. 

Lazer e viagens são o passatempo da agente de turismo Maria da Glória Campos 
Hereda, de 75 anos. Ela passa parte do tempo organizando passeios comamigos, 
muitos na terceira idade. 

- Temos que aproveitar o máximo. Estudar, fazer cursos de informática ou mesmo 
participar de um trabalho voluntário é uma forma de se sentir útil na velhice - 
diz. 

O casal Hélio, de 70 anos, e Gelma Ferreira, de 67 anos, aproveitam as manhãs 
livres para caminhar na orla. Eles acham que os idosos hoje são mais 
respeitados, mas ainda falta muito para melhorar. 

- O atendimento bancário é péssimo, assim como o sistema de saúde público - 
reclama Gelma. 

Para o advogado Pedro Rocha, de 60, é preciso manter uma aposentadoria digna. E 
protesta: 

- Os aposentados já ganham pouco e ainda serão taxados! 

Walter Muricy, de 86 anos, queixa-se dos transportes coletivos: 

- Há desrespeito, principalmente nos ônibus. Espero que com o estatuto as 
coisas melhorem. 

O estatuto poderá ajudar a reduzir o número de casos de maus-tratos a idosos. 
No Núcleo Especial de Atendimento à Pessoa Idosa da Defensoria Pública do Rio 
são realizados, em média, entre 40 e 50 casos por dia. Na maioria dos casos, 
são idosos maltratados pelos filhos/filhas. Esses maus-tratos incluem desde o 
abandono até cárcere privado e espancamentos. Em 90% dos casos, há uma 
motivação financeira: o agressor quer se aproveitar da aposentadoria ou dos 
bens de sua vítima. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 
21-2299-5700/5702, um disque-denúncia específico para esses casos e que aceita 
denúncias anônimas. 


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]



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