Amigos...
Achei muito interessante este texto recebido de um amigo.
Adoro a área de Conscienciologia...
Penso que serve para todos que vivem cada momento.
Espero que gostem...
Levi
Educação e dogma nas Universidades
*Filipe Starling
Definição. Educar, segundo o dicionário Houaiss, significa "transmitir saber,
ensinar, instruir". Em outra acepção, aparece como "fazer obedecer, domesticar,
domar". Também podemos encontrar o termo educação se referindo a "procurar
atingir um alto grau de desenvolvimento espiritual;cultivar-se;
aperfeiçoar-se". Neste último sentido, educar se associa com o aperfeiçoamento,
com a melhoria, com o crescimento pessoal.
Vemos por essas definições que a ação de educar, tanto pode ter o efeito de
restringir ("domar", "domesticar"), como o de libertar ("aperfeiçoar",
"cultivar").
Assistência. Para a Conscienciologia, a educação é uma importante ferramenta
para a assistência, que pode ser utilizada para favorecer o processo evolutivo
das consciências. A consciência se aperfeiçoa no momento em que supera suas
próprias limitações, principalmente as limitações de ordem mental (barreiras
mentais). A educação permite que seamplie a percepção da realidade.
Neopensenes. Desta forma, toda educação deveria atuar no sentido de facilitar
que a pessoa pense por si mesma (ALCADIPANI, 2003). Além de transmitir
conhecimento, a educação deve favorecer o desenvolvimento de novasformas de
pensar (neopensenes). Educar é ensinar a pensar diferente, éampliar o leque de
opções do aluno.
Auto-educação. Para que o professor possa ensinar seus alunos a pensar de
maneira mais ampla, ele primeiro terá que fazer este movimento consigomesmo
(auto-educação). Ou seja, primeiro ele desenvolve a sua flexibilidade mental,
para depois ser um elemento facilitador da flexibilizaçãodo pensamento de seus
alunos. O professor universitário, por viver em ummeio científico, tem ainda
mais responsabilidade na tarefa de favorecer a flexibilização do pensamento do
aluno, já que o paradigma científico não admite verdades absolutas.
Religiosidade. Porém, nem sempre é isso que encontramos nas salas de aula das
universidades. O que se encontra, muitas vezes, são professores autoritários,
preconceituosos, dogmáticos e pontificadores da verdade, denotando uma postura
muito mais religiosa do que científica. É comum verestes professores fazendo
vista grossa para conhecimentos que diferem do conhecimento já estabelecido,
como por exemplo, o fenômeno da Experiência da Quase Morte (EQM) ou as
Bioenergias.
Muitos professores fazem da sua área de conhecimento uma espécie de religião
pessoal, maquiada de conhecimento científico. Isso fica claro em uma expressão
freqüentemente utilizada por diversos professores: "fulano é o Papa desta área".
Zona de Conforto. Quando a informação colocada pelo professor é questionada, ou
quando se propõem idéias que vão contra as idéias que o professor defende, ele
se utiliza de diversas estratégias para rejeitar aidéia nova que está sendo
proposta. Com esta atitude, ele se mantém na zona de conforto do conhecimento
já estabelecido.
Estratégias. Várias são as estratégias de fuga ao debate aberto utilizadas
pelos professores ao se depararem com uma idéia que foge aos conhecimentos já
estabelecidos. Muitas vezes o professor se utiliza de sua posição de autoridade
em sala de aula para impor sua opinião. Outras vezes se utiliza da
ridicularização do conhecimento diferente que está sendo proposto. Em outras
ocasiões, o professor simplesmente diz: "a ciência já provou que isso não
existe".
Neofobia. Essa necessidade de se fugir ao debate aberto, de silenciar o
diferente, demonstra neofobia e insegurança por parte do professor. Não há
convicção suficiente nas idéias que ele ensina, logo, é necessário se defender
da idéia nova, diferente.
Pesquisa Participativa. Essa falta de convicção advém do fato de que as
pesquisas realizadas no universo acadêmico, na maioria das vezes, se distanciam
da sua realidade pessoal. Não há uma integração da pesquisa realizada com a
vida pessoal do pesquisador. Isso ocorre porque o paradigma científico vigente
nas universidades aboliu a pesquisa participativa.Sem experimentação pessoal,
não há convicção (VIEIRA, 1994).
Esse distanciamento que existe entre a realidade pessoal do pesquisador e as
suas pesquisas predispõe a ocorrência de uma série de incoerências entre o que
ele estuda e aquilo que ele aplica no seu dia-a-dia.
Casuística. Eis 5 exemplos colhidos ao longo da minha experiência
universitária, que ilustram como essa separação entre a pesquisa e a realidade
do pesquisador pode predispor a diversas incoerências:
1. A psicóloga, professora universitária, com doutorado no exterior,
pesquisadora de renome na área da Psicologia da Motivação, com váriosartigos
publicados na área e que, em sua experiência docente, não consegue utilizar
nenhuma estratégia eficiente na motivação de seus alunos para a aprendizagem.
2. O psicólogo, doutor em psicofarmacologia, referência nos estudos do medo e
da ansiedade, com vários artigos publicados na área e que admiteter muito medo
de ir ao dentista e não conseguir dar uma entrevista ao vivo, tal é o nível de
ansiedade que ele fica.
3. O fisiologista renomado, que ministra aulas sobre a fisiologia do sistema
respiratório e que fuma compulsivamente no seu dia-a-dia.
4. O farmacêutico, com pesquisas avançadas na área da farmacologia, que é obeso
e se intoxicou a partir do uso abusivo de remédios.
5. O neuropsicólogo, professor universitário, que coordena uma trabalhode
reabilitação de idosos com doenças degenerativas e que demonstra total
negligência quanto à aparência pessoal.
Paradigma Consciencial. No paradigma consciencial, a consciência é a
pesquisadora, o laboratório e o experimento ao mesmo tempo (labcon -
laboratório consciencial). Isso faz com que o pesquisador esteja sempre se
renovando, a partir de suas pesquisas. O sucesso da pesquisa no paradigma
consciencial é diretamente proporcional à teática (teoria + prática) do
pesquisador (VIEIRA, 1994).
Enquanto na ciência convencional, as credenciais que legitimam o cientista são
seus títulos acadêmicos, na pesquisa conscienciológica, a credencial do
pesquisador é o seu nível de coerência e de aplicação dos seus conhecimentos à
sua realidade pessoal.
Renovação. Infere-se, por aí, que é muito mais fácil ser um professor da
ciência convencional do que um professor de Conscienciologia. Um professor
universitário pode passar 10 anos dando um determinado curso, sem modificar
nenhuma postura pessoal e muitas vezes ministrando as mesmas aulas, também sem
muitas modificações. Já o professor de Conscienciologia necessariamente se
modifica ao longo de sua experiência docente. É por isso que suas aulas estão
sempre se modificando, pois elas se renovam à medida que o professor renova
suas atitudes e posturas (evolução).
Reducionismo. Essa mesma insegurança que leva os professores a absolutizarem
uma posição dentro de sala de aula, também faz com que os pesquisadores da
ciência convencional estejam sempre procurando certezas, verdades definitivas,
a respeito do funcionamento do ser humano. Nesta busca, acabam reduzindo
manifestações complexas a explicações simplistas e ingênuas.
Genética. Uma das formas de se reduzir a manifestação da consciência a causas
simplistas pode ser vista no abuso comum do geneticismo como explicação do
comportamento humano. Recentemente, numa entrevista realizada pelo Channel 4,
emissora de TV da Grã-Bretanha, James Watson, um dos cientistas que descobriram
a estrutura do DNA, vencedor do Prêmio Nobel, declarou que a burrice é uma
doença genética e que deveria ser eliminada, ainda no tecido embrionário, que
vai dar origem aos óvulos. Com isso, a "burrice tenderia a desaparecer da
espécie", profetiza Watson (V. Bib. 6).
Autocrítica. É importante que os professores e pesquisadores tenham autocrítica
em relação às suas próprias idéias, buscando avaliar até que ponto ele está
conseguindo ser isento, não deixando que seus preconceitos pessoais contaminem
sua produção. Nem sempre essa tarefa é fácil de ser realizada. Os estudos sobre
a percepção no ser humano já demonstraram que qualquer pessoa pode distorcer
sua percepção darealidade, em função de suas expectativas e concepções de
mundo. Essa distorção não ocorre só em percepções subjetivas mas também em
percepções quantitativas e objetivas, como demonstrou Alfred Binet (1857-1911)
em seu artigo sobre a vulnerabilidade à sugestão. Em seu estudo sobre este
tema, relatou a surpreendente maleabilidade dos dados quantitativos objetivos
que podem se ajustar a uma idéia pré-concebida. No intuito de provar que a
inteligência estava associada com o tamanho docrânio, distorceu sua medidas
físicas (de comprimento), de forma inconsciente (GOULD, 1991).
Reducionismo. Uma outra característica que se observa no meio acadêmicoé a
super-especialização dos pesquisadores, que leva a uma gradativaperda da visão
de conjunto sobre o objeto de estudo. Por exemplo, o psicobiólogo, que estuda
as causas fisiológicas do comportamento humano, tende a negligenciar os
elementos de ordem ambiental, que também exercem muita influência sobre o
comportamento.
Dogmatismo. Nestes casos, ocorre uma adesão irrestrita a uma sistema teórico e
a conseguinte exclusão e negação das outras teorias, contribuindo para uma
visão fragmentada do indivíduo. O cientistas se filiam a uma corrente teórica e
passam a competir entre si, cada qual tentando provar que é o dono da verdade.
Neste momento, o debate científico passaa ser uma batalha de argumentos, onde o
objetivo não é o debate de idéias e sim calar o adversário (ANCONA-LOPES, 1999).
Para defender sua teoria, passa a fazer uma pesquisa seletiva, com o objetivo
pré-definido de encontrar subsídios que comprovem que ele está certo. Com isso,
passa a ler apenas as publicações de autores que compartilham de suas
convicções, negligenciando as outras pesquisas.
Anticientificidade. Vejamos um exemplo prático. O cientista materialista que
tem aversão à idéia da sobrevivência da consciência à mortedo corpo humano, ao
se deparar com a realidade da Experiência da Quase Morte (EQM), passa a
procurar na literatura especializada, por algum artigo que comprove sua crença
de que a EQM é pura imaginação, e não umavivência real. Ao encontrar alguma
pesquisa que "comprove" que a EQM não existe, se sente satisfeito, pois a
partir daí, sempre quando for questionado sobre o tema, poderá dizer: "já
existem pesquisas demonstrando que isso é uma criação e não uma realidade".
Numa postura claramente parcial, não procura ler toda a literatura existente
sobre o assunto mas apenas aquela que lhe convém. O próprio autor do artigo da
pesquisaque passa a ser usada pelo professor materialista, muitas vezes, já
iniciou sua pesquisa com o intuito de "provar" que a EQM não existe, num
apriorismo claramente anticientífico.
Preconceito. Em alguns artigos, já pelo título se percebe a parcialidade e o
preconceito do autor, como por exemplo, no artigo publicado pela respeitada
revista médica The Lancet, em fevereiro de 2000. Já no título o pesquisador
denuncia seu preconceito em relação ao tema: "Dissociation in people who have
near death experiences: out of ther bodies or out of their minds? " (GREYSON,
2000).
É comum também encontrar professores ridicularizando uma idéia, sem ao menos
ter se dado ao trabalho de pesquisar ou ler sobre o tema (VERGARA, 2003).
Conclusão. Vemos assim que a Consciência só melhora sua manifestação a partir
da decisão e do esforço pessoal. Não é o simples fatode estar no meio acadêmico
que fará com que o professor-pesquisador supere seus preconceitos e limitações
mentais. Só conseguiremos ser educadores mais assistenciais a partir do momento
que nos esforçarmos para superarmos nossas próprias limitações pessoais. Toda
educação começa pela auto-educação.
Educador Cosmoético. A base da cosmoética é o respeito ao livre-arbítrio das
outras consciências. O educador cosmoético é aquele que já não mais busca fazer
a cabeça de seus alunos e sim pensa junto com os alunos, abrindo um leque de
opções, para que o próprio aluno consiga refletir de modo mais abrangente e,
com isso, chegue a uma conclusão que pareça mais coerente com a sua experiência
pessoal.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
2. ANCONA-LOPES, Marília. Ecletismo e dogmatismo na adesão às
teoriaspsicológicas.; INTERAÇÕES; Vol. 4; Nº 7; pp. 19-41; JAN/JUN; 1999.
3. GOULD, Stephen Jay. A falsa medida do homem.; pp. 149-151; São Paulo: Ed.
Martins Fontes; 1991.
4. GREYSON, Bruce. Dissociation in people who have near death experiences: out
of ther bodies or out of their minds? ; THE LANCET; Vol. 355; Fevereiro; 2000.
5. HOUAISS, Antonio & VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa; Rio de Janeiro: Ed. Objetiva; 2001.
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
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