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Educação e dogma nas Universidades

To: "LESAD" <lesad@xxxxxxxxxxxxxxxx>, "Aline" <allynenhola@xxxxxxxxxx>
Subject: Educação e dogma nas Universidades
From: "Levi Salvador Dias" <lesad@xxxxxxxxxxxxxxx>
Date: Fri, 6 Jun 2003 07:53:35 -0300
Amigos...
Achei muito interessante este texto recebido de um amigo.
Adoro a área de Conscienciologia...
Penso que serve para todos que vivem cada momento.
Espero que gostem...
Levi 
 
Educação e dogma nas Universidades



*Filipe Starling 

 

Definição. Educar, segundo o dicionário Houaiss, significa "transmitir saber, 
ensinar, instruir". Em outra acepção, aparece como "fazer obedecer, domesticar, 
domar". Também podemos encontrar o termo educação se referindo a "procurar 
atingir um alto grau de desenvolvimento espiritual;cultivar-se; 
aperfeiçoar-se". Neste último sentido, educar se associa com o aperfeiçoamento, 
com a melhoria, com o crescimento pessoal. 

Vemos por essas definições que a ação de educar, tanto pode ter o efeito de 
restringir ("domar", "domesticar"), como o de libertar ("aperfeiçoar", 
"cultivar").

Assistência. Para a Conscienciologia, a educação é uma importante ferramenta 
para a assistência, que pode ser utilizada para favorecer o processo evolutivo 
das consciências. A consciência se aperfeiçoa no momento em que supera suas 
próprias limitações, principalmente as limitações de ordem mental (barreiras 
mentais). A educação permite que seamplie a percepção da realidade. 

Neopensenes. Desta forma, toda educação deveria atuar no sentido de facilitar 
que a pessoa pense por si mesma (ALCADIPANI, 2003). Além de transmitir 
conhecimento, a educação deve favorecer o desenvolvimento de novasformas de 
pensar (neopensenes). Educar é ensinar a pensar diferente, éampliar o leque de 
opções do aluno.

Auto-educação. Para que o professor possa ensinar seus alunos a pensar de 
maneira mais ampla, ele primeiro terá que fazer este movimento consigomesmo 
(auto-educação). Ou seja, primeiro ele desenvolve a sua flexibilidade mental, 
para depois ser um elemento facilitador da flexibilizaçãodo pensamento de seus 
alunos. O professor universitário, por viver em ummeio científico, tem ainda 
mais responsabilidade na tarefa de favorecer a flexibilização do pensamento do 
aluno, já que o paradigma científico não admite verdades absolutas. 

Religiosidade. Porém, nem sempre é isso que encontramos nas salas de aula das 
universidades. O que se encontra, muitas vezes, são professores autoritários, 
preconceituosos, dogmáticos e pontificadores da verdade, denotando uma postura 
muito mais religiosa do que científica. É comum verestes professores fazendo 
vista grossa para conhecimentos que diferem do conhecimento já estabelecido, 
como por exemplo, o fenômeno da Experiência da Quase Morte (EQM) ou as 
Bioenergias. 

Muitos professores fazem da sua área de conhecimento uma espécie de religião 
pessoal, maquiada de conhecimento científico. Isso fica claro em uma expressão 
freqüentemente utilizada por diversos professores: "fulano é o Papa desta área".

Zona de Conforto. Quando a informação colocada pelo professor é questionada, ou 
quando se propõem idéias que vão contra as idéias que o professor defende, ele 
se utiliza de diversas estratégias para rejeitar aidéia nova que está sendo 
proposta. Com esta atitude, ele se mantém na zona de conforto do conhecimento 
já estabelecido. 

Estratégias. Várias são as estratégias de fuga ao debate aberto utilizadas 
pelos professores ao se depararem com uma idéia que foge aos conhecimentos já 
estabelecidos. Muitas vezes o professor se utiliza de sua posição de autoridade 
em sala de aula para impor sua opinião. Outras vezes se utiliza da 
ridicularização do conhecimento diferente que está sendo proposto. Em outras 
ocasiões, o professor simplesmente diz: "a ciência já provou que isso não 
existe".

Neofobia. Essa necessidade de se fugir ao debate aberto, de silenciar o 
diferente, demonstra neofobia e insegurança por parte do professor. Não há 
convicção suficiente nas idéias que ele ensina, logo, é necessário se defender 
da idéia nova, diferente. 

Pesquisa Participativa. Essa falta de convicção advém do fato de que as 
pesquisas realizadas no universo acadêmico, na maioria das vezes, se distanciam 
da sua realidade pessoal. Não há uma integração da pesquisa realizada com a 
vida pessoal do pesquisador. Isso ocorre porque o paradigma científico vigente 
nas universidades aboliu a pesquisa participativa.Sem experimentação pessoal, 
não há convicção (VIEIRA, 1994). 

Esse distanciamento que existe entre a realidade pessoal do pesquisador e as 
suas pesquisas predispõe a ocorrência de uma série de incoerências entre o que 
ele estuda e aquilo que ele aplica no seu dia-a-dia. 

Casuística. Eis 5 exemplos colhidos ao longo da minha experiência 
universitária, que ilustram como essa separação entre a pesquisa e a realidade 
do pesquisador pode predispor a diversas incoerências:

1. A psicóloga, professora universitária, com doutorado no exterior, 
pesquisadora de renome na área da Psicologia da Motivação, com váriosartigos 
publicados na área e que, em sua experiência docente, não consegue utilizar 
nenhuma estratégia eficiente na motivação de seus alunos para a aprendizagem.

2. O psicólogo, doutor em psicofarmacologia, referência nos estudos do medo e 
da ansiedade, com vários artigos publicados na área e que admiteter muito medo 
de ir ao dentista e não conseguir dar uma entrevista ao vivo, tal é o nível de 
ansiedade que ele fica.

3. O fisiologista renomado, que ministra aulas sobre a fisiologia do sistema 
respiratório e que fuma compulsivamente no seu dia-a-dia.

4. O farmacêutico, com pesquisas avançadas na área da farmacologia, que é obeso 
e se intoxicou a partir do uso abusivo de remédios.

5. O neuropsicólogo, professor universitário, que coordena uma trabalhode 
reabilitação de idosos com doenças degenerativas e que demonstra total 
negligência quanto à aparência pessoal.

Paradigma Consciencial. No paradigma consciencial, a consciência é a 
pesquisadora, o laboratório e o experimento ao mesmo tempo (labcon - 
laboratório consciencial). Isso faz com que o pesquisador esteja sempre se 
renovando, a partir de suas pesquisas. O sucesso da pesquisa no paradigma 
consciencial é diretamente proporcional à teática (teoria + prática) do 
pesquisador (VIEIRA, 1994). 

Enquanto na ciência convencional, as credenciais que legitimam o cientista são 
seus títulos acadêmicos, na pesquisa conscienciológica, a credencial do 
pesquisador é o seu nível de coerência e de aplicação dos seus conhecimentos à 
sua realidade pessoal. 

Renovação. Infere-se, por aí, que é muito mais fácil ser um professor da 
ciência convencional do que um professor de Conscienciologia. Um professor 
universitário pode passar 10 anos dando um determinado curso, sem modificar 
nenhuma postura pessoal e muitas vezes ministrando as mesmas aulas, também sem 
muitas modificações. Já o professor de Conscienciologia necessariamente se 
modifica ao longo de sua experiência docente. É por isso que suas aulas estão 
sempre se modificando, pois elas se renovam à medida que o professor renova 
suas atitudes e posturas (evolução).

Reducionismo. Essa mesma insegurança que leva os professores a absolutizarem 
uma posição dentro de sala de aula, também faz com que os pesquisadores da 
ciência convencional estejam sempre procurando certezas, verdades definitivas, 
a respeito do funcionamento do ser humano. Nesta busca, acabam reduzindo 
manifestações complexas a explicações simplistas e ingênuas. 

Genética. Uma das formas de se reduzir a manifestação da consciência a causas 
simplistas pode ser vista no abuso comum do geneticismo como explicação do 
comportamento humano. Recentemente, numa entrevista realizada pelo Channel 4, 
emissora de TV da Grã-Bretanha, James Watson, um dos cientistas que descobriram 
a estrutura do DNA, vencedor do Prêmio Nobel, declarou que a burrice é uma 
doença genética e que deveria ser eliminada, ainda no tecido embrionário, que 
vai dar origem aos óvulos. Com isso, a "burrice tenderia a desaparecer da 
espécie", profetiza Watson (V. Bib. 6).

Autocrítica. É importante que os professores e pesquisadores tenham autocrítica 
em relação às suas próprias idéias, buscando avaliar até que ponto ele está 
conseguindo ser isento, não deixando que seus preconceitos pessoais contaminem 
sua produção. Nem sempre essa tarefa é fácil de ser realizada. Os estudos sobre 
a percepção no ser humano já demonstraram que qualquer pessoa pode distorcer 
sua percepção darealidade, em função de suas expectativas e concepções de 
mundo. Essa distorção não ocorre só em percepções subjetivas mas também em 
percepções quantitativas e objetivas, como demonstrou Alfred Binet (1857-1911) 
em seu artigo sobre a vulnerabilidade à sugestão. Em seu estudo sobre este 
tema, relatou a surpreendente maleabilidade dos dados quantitativos objetivos 
que podem se ajustar a uma idéia pré-concebida. No intuito de provar que a 
inteligência estava associada com o tamanho docrânio, distorceu sua medidas 
físicas (de comprimento), de forma inconsciente (GOULD, 1991).

Reducionismo. Uma outra característica que se observa no meio acadêmicoé a 
super-especialização dos pesquisadores, que leva a uma gradativaperda da visão 
de conjunto sobre o objeto de estudo. Por exemplo, o psicobiólogo, que estuda 
as causas fisiológicas do comportamento humano, tende a negligenciar os 
elementos de ordem ambiental, que também exercem muita influência sobre o 
comportamento. 

Dogmatismo. Nestes casos, ocorre uma adesão irrestrita a uma sistema teórico e 
a conseguinte exclusão e negação das outras teorias, contribuindo para uma 
visão fragmentada do indivíduo. O cientistas se filiam a uma corrente teórica e 
passam a competir entre si, cada qual tentando provar que é o dono da verdade. 
Neste momento, o debate científico passaa ser uma batalha de argumentos, onde o 
objetivo não é o debate de idéias e sim calar o adversário (ANCONA-LOPES, 1999).

Para defender sua teoria, passa a fazer uma pesquisa seletiva, com o objetivo 
pré-definido de encontrar subsídios que comprovem que ele está certo. Com isso, 
passa a ler apenas as publicações de autores que compartilham de suas 
convicções, negligenciando as outras pesquisas. 

Anticientificidade. Vejamos um exemplo prático. O cientista materialista que 
tem aversão à idéia da sobrevivência da consciência à mortedo corpo humano, ao 
se deparar com a realidade da Experiência da Quase Morte (EQM), passa a 
procurar na literatura especializada, por algum artigo que comprove sua crença 
de que a EQM é pura imaginação, e não umavivência real. Ao encontrar alguma 
pesquisa que "comprove" que a EQM não existe, se sente satisfeito, pois a 
partir daí, sempre quando for questionado sobre o tema, poderá dizer: "já 
existem pesquisas demonstrando que isso é uma criação e não uma realidade". 
Numa postura claramente parcial, não procura ler toda a literatura existente 
sobre o assunto mas apenas aquela que lhe convém. O próprio autor do artigo da 
pesquisaque passa a ser usada pelo professor materialista, muitas vezes, já 
iniciou sua pesquisa com o intuito de "provar" que a EQM não existe, num 
apriorismo claramente anticientífico. 

Preconceito. Em alguns artigos, já pelo título se percebe a parcialidade e o 
preconceito do autor, como por exemplo, no artigo publicado pela respeitada 
revista médica The Lancet, em fevereiro de 2000. Já no título o pesquisador 
denuncia seu preconceito em relação ao tema: "Dissociation in people who have 
near death experiences: out of ther bodies or out of their minds? " (GREYSON, 
2000). 

É comum também encontrar professores ridicularizando uma idéia, sem ao menos 
ter se dado ao trabalho de pesquisar ou ler sobre o tema (VERGARA, 2003).

Conclusão. Vemos assim que a Consciência só melhora sua manifestação a partir 
da decisão e do esforço pessoal. Não é o simples fatode estar no meio acadêmico 
que fará com que o professor-pesquisador supere seus preconceitos e limitações 
mentais. Só conseguiremos ser educadores mais assistenciais a partir do momento 
que nos esforçarmos para superarmos nossas próprias limitações pessoais. Toda 
educação começa pela auto-educação.

Educador Cosmoético. A base da cosmoética é o respeito ao livre-arbítrio das 
outras consciências. O educador cosmoético é aquele que já não mais busca fazer 
a cabeça de seus alunos e sim pensa junto com os alunos, abrindo um leque de 
opções, para que o próprio aluno consiga refletir de modo mais abrangente e, 
com isso, chegue a uma conclusão que pareça mais coerente com a sua experiência 
pessoal.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

2. ANCONA-LOPES, Marília. Ecletismo e dogmatismo na adesão às 
teoriaspsicológicas.; INTERAÇÕES; Vol. 4; Nº 7; pp. 19-41; JAN/JUN; 1999.

3. GOULD, Stephen Jay. A falsa medida do homem.; pp. 149-151; São Paulo: Ed. 
Martins Fontes; 1991.

4. GREYSON, Bruce. Dissociation in people who have near death experiences: out 
of ther bodies or out of their minds? ; THE LANCET; Vol. 355; Fevereiro; 2000. 

5. HOUAISS, Antonio & VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua 
Portuguesa; Rio de Janeiro: Ed. Objetiva; 2001.



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