A quem interessar,
Edmundo de Drummond Alves Junior
Administrador da lista cevidosos-L
Rio, 27 de Outubro de 2002
Busca pela imortalidade é tema de congresso
Roberta Jansen
Conceder aos homens a imortalidade não é mais uma prerrogativa do diabo. O
pacto deve ser negociado diretamente com a ciência. Pelo menos é o que pretende
anunciar no próximo sábado, em Brasília, o filósofo inglês John Harris,
professor do Instituto de Medicina, Direitoe Bioética da Universidade de
Manchester. Ele é um dos convidados do VI Congresso Mundial de Bioética, que
começa nesta quarta-feira.
- Estamos no limiar de uma era na qual, potencialmente, poderíamos criar
imortais - informa Harris no texto da apresentação que fará no Brasil.
Harris sustenta que, embora a ciência ainda esteja longe de poder cumprir essa
promessa, as pesquisas em busca de novos tratamentos paradoenças letais - que
podem não apenas adiar a morte, como também, a longo prazo, estender a vida por
muito tempo - avançam rapidamente. Por isso, acredita, questões aparentemente
futuristas devem ser debatidas.
Devidamente reprogramadas, as células-tronco embrionárias -capazes de gerar
qualquer tipo de tecido - poderiam deflagrar um processo ininterrupto de
renovação celular, exemplifica Harris. Além disso, sustenta o especialista, se
um dia se conseguir determinar todos os genes envolvidos no processo do
envelhecimento, seria possível, simplesmente, desligá-los.
- A estrada para a imortalidade é longa e o progresso será lento. E, claro,
poderemos nunca alcançar o destino - ressalva Harris.
A perspectiva levanta uma série de considerações éticas, que serão discutidas
em Brasília. A primeira delas é se a criação de imortais deveria ou não ser
permitida. Outro ponto importante éde cunho psicológico: o homem, que sempre se
definiu pela sua mortalidade, está preparado para ser imortal ou viver muito
mais? O custo para a previdência social e o acesso de pobres e ricos aos
tratamentos são outros pontos levantados por Harris.
- Não há dúvida de que a imortalidade seria uma bênção ambígua - conclui o
bioeticista. - Mas devemos ser cuidadosos ao rejeitar tratamentos para doenças
terríveis mesmo que o preço a ser pagoseja um aumento na expectativa de vida e
até a criação de imortais.
O melhor, segundo Harris, é acompanhar a corrida científicacom trabalhos nas
áreas da ética e da política social.
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prerrogativa do diabo. O pacto deve ser negociado diretamente com a
ciência. Pelo menos é o que pretende anunciar no próximo sábado, em
Brasília, o filósofo inglês John Harris, professor do Instituto de
Medicina, Direito e Bioética da Universidade de Manchester. Ele é um
dos convidados do VI Congresso Mundial de Bioética, que começa nesta
quarta-feira. <BR><BR>? Estamos no limiar de uma era na qual,
potencialmente, poderíamos criar imortais ? informa Harris no texto
da apresentação que fará no Brasil. <BR><BR>Harris sustenta que,
embora a ciência ainda esteja longe de poder cumprir essa promessa,
as pesquisas em busca de novos tratamentos para doenças letais ? que
podem não apenas adiar a morte, como também, a longo prazo,estender
a vida por muito tempo ? avançam rapidamente. Por isso, acredita,
questões aparentemente futuristas devem ser debatidas.
<BR><BR>Devidamente reprogramadas, as células-tronco embrionárias ?
capazes de gerar qualquer tipo de tecido ? poderiam deflagrarum
processo ininterrupto de renovação celular, exemplifica Harris. Além
disso, sustenta o especialista, se um dia se conseguir determinar
todos os genes envolvidos no processo do envelhecimento, seria
possível, simplesmente, desligá-los. <BR><BR>? A estrada para a
imortalidade é longa e o progresso será lento. E, claro, poderemos
nunca alcançar o destino ? ressalva Harris. <BR><BR>A perspectiva
levanta uma série de considerações éticas, que serão discutidas em
Brasília. A primeira delas é se a criação de imortais deveria ou não
ser permitida. Outro ponto importante é de cunho psicológico: o
homem, que sempre se definiu pela sua mortalidade, está preparado
para ser imortal ou viver muito mais? O custo para a previdência
social e o acesso de pobres e ricos aos tratamentos são outros
pontos levantados por Harris. <BR><BR>? Não há dúvida de que a
imortalidade seria uma bênção ambígua ? conclui o bioeticista. ? Mas
devemos ser cuidadosos ao rejeitar tratamentos para doenças
terríveis mesmo que o preço a ser pago seja um aumento na
expectativa de vida e até a criação de imortais. <BR><BR>O melhor,
segundo Harris, é acompanhar a corrida científica com trabalhos nas
áreas da ética e da política social.
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