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Re: [cevidoso-L] calouros de cabeça branca

To: <cevidoso-L@xxxxxxxxxxxxxxxxxx>
Subject: Re: [cevidoso-L] calouros de cabeça branca
From: "vagner" <v.r.m@xxxxxxxxxx>
Date: Tue, 23 Jul 2002 21:41:44 -0300
Boa Noite, aos colegas da lista .
Na minha ótica, não podemos ignorar esse fato ao qual os idosos estejam ingressando aos estudos, sendo principalmente a nível universitário.
Sabemos que a cada conquista ou reconquista dessas pessoas,  perante a sociedade, possui um valor muito significativo para eles, uma vez  que, a discriminação e os maus tratos,estão infelizmente em maior proporção.
Compartilho da idéia das   Universidades em promoverem   fatores motivacionais ( bolsas de estudo) para um maior interesse dos idosos, em estarem buscando vagas nas instituições de ensino superior.
Para finalizar, penso que o importante é que eles idosos, tenham a consciência que enfrentarão problemas/transtornos da mesma simetria ao qual foi relatado por alguns nessa reportagem.
Abraços a todos
Prof. Vagner Marcelino (Campinas - SP)
----- Original Message -----
Sent: Tuesday, July 23, 2002 1:24 PM
Subject: [cevidoso-L] calouros de cabeça branca

Saiu no Jornal o Globo, questão de mercado ou um direito, questão de idade ou de geração o que acham os colegas?
EDMUNDO DE DRUMMOND ALVES JUNIOR
ADMINISTRADOR DA LISTA CEVIDOSO-L
 
Rio - 21/07/2002 - p. 34
 
Faculdades recebem mais calouros de cabelos brancos
Ruben Berta

Para o aposentado Dario Cardoso, é difícil não se emocionar ao lembrar da música “Coração de estudante”, de Milton Nascimento e Wagner Tiso. E nada mais justo. Aos 73 anos de idade, ele cursa o 4 período de direito e espera se tornar professor daqui a quatro anos. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do Ministério da Educação (MEC), o Rio de Janeiro é o estado com mais universitários com mais de65 anos: em 2000, as faculdades receberam 369 inscrições, o equivalente a 30% do total de todo o país. Entre os eternos calouros, a palavra “senhor” é proibida.

— Quando tive a idéia de voltar a estudar, fiquei meio envergonhado, mas resolvi fazer o vestibular e acabei passando em segundo lugar. Hoje, o meu maior problema é controlar o ciúme da minha mulher, que acha que estou na faculdade só por causa das colegas de classe — brinca Cardoso, aluno da unidade Centro da Estácio de Sá.

Instituição dá bolsas a quem tem mais de 60 anos

Apesar de ainda estar muito longe de liderar as estatísticas de número de estudantes nas universidades, o público da terceira idade já começa a chamaratenção do mercado da rede particular. No domingo passado, para atrair novos alunos, a Estácio anunciou descontos que vão de 60% para estudantes entre 60 e 69 anos a 90% para pessoas de 90 a 95 anos e recebeu 140 inscrições num dia. Segundo a instituição, atualmente há 27 alunos acima de 80 anos matriculados na graduação.

— Se aparecer alguém de 100 anos, vamos dar bolsa integral — alardeia o diretor de marketing da universidade, Marcelo Campos.

Para o médico Renato Veras, um dos idealizadores da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), que funciona na Uerj há nove anos, a tendência é que, cada vez mais, as faculdades abram as portas para os idosos. Ele cita dados do IBGE, que mostram que a porcentagem de pessoas acima de 65 anos na região Sudeste pulou de 4,19%, em 1980, para 6,37%, em 2000:

— As pessoas precisam superar o preconceito e entender que o idoso que está fazendo uma faculdade agora alia todo o conhecimento de vida com o aprendizado das salas de aula. Com o aumento de expectativa de vida para 70, 80 anos, é um desperdício que pessoas de 60 percam 20 anos inativas.

Mas, por enquanto, para quem decide voltar às salas de aula, o que menos importa é o mercado de trabalho. A maioria dos estudantes quer mesmo a realização pessoal. O farmacêutico Jacob Jahu Alegre, de 75 anos, que está no 7 período de direito, diz que se arrepende de não ter feito o curso há mais tempo:

— Podem achar estranho que eu, sendo farmacêutico, tenha optado por outro curso tão diferente. Mas sempre fui daqueles que gosta de brigar pelo direito dos outros. Agora, está ficando mais fácil.

Além das universidades da terceira idade, que oferecem cursos livres, são os cursos da área de humanas, como direito e comunicação social, os preferidos pelosmais velhos. Entre os que freqüentam a graduação, a convivência com colegas mais jovens divide opiniões.

— Tenho muita vontade de estudar, mas ainda sinto preconceito. No trote, não quiseram que eu ficasse catando formiguinhas na Lagoa, como os outros. Colaborei com R$ 10 para o chope dos calouros e depois nem me disseram onde ia acontecer. Além disso, também sinto dificuldades nos trabalhos de grupo — diz a secretária aposentada Maria Lúcia Puty, de 66 anos, que cursa o5 período de jornalismo na UniverCidade e sonha se formar para cobrir a Copa do Mundo de 2006.

Para José Morais, de 73 anos, que cursa o 6 período de letras na Estácio de Sá, nãohá queixas em relação aos colegas. Ele só lamenta não ter passado por um trote do bem quando entrou na faculdade:

— É uma penaque a direção não permita. O trote faz a gente interagir mais rapidamente com aturma.

Caçula dos veteranos, Sílvia Maria Cruz, de 54 anos, conta que entrar na universidade causou ciúme em casa, tamanha a interação com os colegas mais jovens. Ela estuda jornalismo na UniCarioca.

— Minha filha já não agüenta mais. Toca o telefone e é Silvinha para lá, Silvinha para cá... — diz.

Para Celso Niskier, reitor da UniCarioca, na onda dos cursos livres, o mercado da terceira idade vem para ficar.

— Nos últimos anos, a média de idade cresceu para 30 anos na graduação. Ninguém quer ficar parado no tempo.


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