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[Cevidoso-l] Idosos ludibriados

To: <cevidoso-L@xxxxxxxxxx>
Subject: [Cevidoso-l] Idosos ludibriados
From: "Edmundo Drummond Alves Junior" <drummond@xxxxxxxxxxxxx>
Date: Wed, 17 Oct 2001 10:09:11 -0300
A quem interessar,
Edmundo de Drummond Alves Junior
Administrador da lista cevidoso-L
Rio, 17 de outubro de 2001


Do Colégio Sion à pobreza num asilo
Soraya Aggege

SÃO PAULO. A húngara Charlote Ferinte Minheine, de 88 anos, se aposentou
como professora de francês no Colégio Sion, um dos mais tradicionais de São
Paulo. Ao longo da vida comprou imóveis para garantir uma velhice tranqüila
em Higienópolis, bairro de classe média alta onde vivia. Mas hoje sobrevive
de caridade na cama de um asilo pobre e em situação irregular de Cambuci, à
espera da morte.

Charlote foi trancada num porão por pessoas que cuidavam dela e forçada a
doar os bens, que hoje o Ministério Público tenta reaver. O caso de Charlote
é parecido com o de milhares de idosos brasileiros que foram vítimas de
golpes de parentes ou dos próprios asilos. Em São Paulo, cinco quadrilhas de
estelionatários foram desmontadas nos últimos cinco anos. Nenhum deles está
preso.

Ontem, a história desses idosos e as suas condições de sobrevivência
começaram a ser investigadas por uma comissão de deputados federais, que
percorrerá dezenas de asilos pelo país a partir de São Paulo. A caravana,
formada por técnicos e deputados da Comissão de Direitos Humanos, estará
hoje no Rio. Um dos objetivos da comissão é levar propostas para a
formulação do Estatuto do Idoso, que tramita na Câmara dos Deputados.

Segundo dados da comissão, pelo menos um milhão de idosos sobrevive, sem
aposentadoria ou qualquer auxílio governamental, sob viadutos ou em favelas.
Outros milhares recebem benefícios, mas estão esquecidos em verdadeiros
depósitos onde o único propósito é esperar a morte. As instituições são
raramente fiscalizadas, embora muitas fiquem com as aposentadorias dos
idosos.

Em São Paulo, o governo estadual e o municipal não têm estruturas próprias
para receber idosos. Assim, pelo menos cinco mil vivem em asilos
filantrópicos ou particulares cadastrados. São poucos os que não têm renda e
conseguem vaga. Os preços variam entre R$ 180 e R$ 12 mil por mês, segundo o
Ministério Público do estado. Ontem, a comissão constatou que, mesmo nos
asilos de classe média, o lazer e as terapias para terceira idade são
precários.







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