A quem interessar,
Edmundo de Drummond Alves Junior
Administrador da lista cevidoso-L,
Rio, 17 de outubro de 2001
Relatório da CPI do Idoso vai propor o fechamento de três abrigos no Rio
Letícia Matheus
A CPI do Idoso voltou ontem a quatro asilos - um na Tijuca, na Zona Norte, e
três na Zona Oeste, dois dos quais clandestinos - que já haviam sido
visitados em março e constatou que muitas das irregularidades persistem. A
dona de um deles fechou o abrigo e devolveu os idosos a suas famílias, mas
os outros três receberão indicação de fechamento no relatório da deputada
Tânia Rodrigues (PT-RJ), que será votado segunda-feira pela comissão e em
plenário. Até setembro, a CPI realizou blitzes em 300 endereços sobre os
quais pesavam denúncias de maus-tratos e irregularidades. Cerca de 110
entrarão no relatório, que será enviado ao Ministério Público e à Vigilância
Sanitária, para permitir as interdições, e à Secretaria estadual de Saúde,
para a elaboração de políticas públicas para idosos.
Deputados federaisacompanham vistoria
A vistoria de ontem foi acompanhada pelos deputados federais Marcos Rolim
(PT-RS) e Padre Roque (PT-PR), da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
Eles mandarão um relatório aos ministérios da Justiça e da Saúde. A vistoria
também foi acompanhada por representantes da Sociedade Brasileira de
Geriatria, da Associação Nacional de Gerontologia e do Conselho Estadual do
Idoso.
Em comparação com a primeira visita, o Abrigo Evangélico Razão de Viver, na
Rua Perituba 450, em Realengo, estava mais limpo e em obras. Mas, segundo a
comissão, a equipe que atende os 31 idosos, sem formação profissional, não é
suficiente. Além disso, os idosos não tinham prontuários e os remédios
estavam fora das caixas, todos misturados. Em Cosmos, na Rua dos
Caquizeiros, o ambiente do Abrigo São José foi considerado bom, mas havia
vidraças quebradas num dos cômodos, os banheiros estão sem portas e o piso
sem adaptação antiderrapante. Uma das idosas, Elisa Souza Viana, de 76 anos,
foi encontrada com o braço direito quebrado e ainda não foi engessada. Ela
caiu há dois dias à noite quando ia ao banheiro. Segundo o diretor do
abrigo, Américo Sobral, as adaptações estão sendo feitas aos poucos e os
clientes são atendidos semanalmente por duas médicas. O abrigo cobra
mensalmente de R$ 180 a R$ 400.
Proprietária desiste e fecha seu abrigo
Depois de várias blitzes, Virgínia Mendes da Silveira, dona do Abrigo
Silveira, na Rua Novo Arraial 21, em Paciência, onde viviam 11 idosos,
desistiu do negócio:
- A gente estava trabalhando honestamente, mas a prefeitura achou que eu não
poderia trabalhar.
Na Tijuca, o Asilo Santa Rosa, na Rua Antônio Salema 63, está com todo o
segundo andar interditado pela Defesa Civil e pela Vigilância Sanitária e
tem apenas cinco idosos, que pagam entre R$ 550 e mil reais.
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