Caros colegas Luís Carlos e Giselle
Não poderia deixar de me omitir nesta discussão, tendo em vista que algumas
colocações não foram bem feitas, não por culpa de vocês, mas simplesmente por
desconhecimento das características do Treinamento Físico Militar (TFM)e dos
seus objetivos.
Inicialmente gostaria de parabenizar o Prof. Luis Carlos pela belíssima
explicação entre as diferenças de força existente entre o homem e amulher.
Gostaria apenas de esclarecer algumas peculiaridades do TFM. Vc está correto
quando afirma que "O treinamento físico militar visa o preparo para o
exercício das funções específicas dos militares.". O erro está quando vc
afirma que "...os equipamentos tais como farda, calçados e principalmenteas
armas e as técnicas de tiro,não tem pesos diferenciados para homens e
mulheres assim como a situação inesperada de uma operação militar se
apresenta de forma única e a conduta de combate define a operação bemou mau
sucedida. Por esse motivo o treinamento não é diferenciado entre os sexos." O
treinamento é diferenciado sim, e a razão principal para isso é que amulher
no Exército Brasileiro, diferente de outros Exércitos do mundo, não é
preparada para ser empregada em combate, limitando-se somente às funções
administrativas. Sendo assim não se justifica que a mulher execute o mesmo
TFM que o homem, tanto que na sua avaliação os exercícios são diferentes e os
índices são menores. No entanto, a profissão militar possui algumas
peculiaridades que a difere das outras profissões. Uma delas é a necessidade
de se desenvolver o que nós denominamos espírito de corpo, que é uma das
características fundamentais para a operacionalidade de uma tropa. Uma das
maneiras eficazes de desenvolver esta qualidade é através do TFM, em que
todos fazem os exercícios juntos e de maneira uniforme, sendo que alguns dos
exercícios como a flexão de braçõs é diferenciado para as mulheres que a
executam com o joelho apoiado.
Com isso a sua afirmação de que " ...O que talvez esteja faltando nessecaso
é o bom senso até de uma progressão
pedagógica de treinamento. Ou seja, baseado nas diferenças hormonais as
flexões e outros exercícios devam pelo menos inicialmente ser diferenciados
embora, repito. O objetivo fim deva ser o mesmo.Homens e mulheres serem
capazes de realizar operações militares em igualdade de condições."acaba
também tornando-se errada.
Neste caso a culpa não é sua, porque faltou a Giselle dizer que
provavelmente, não sei onde ela está servindo e nem quando foi incorporada,
ela já está em seu terceiro mês de treinamento realizado dentro de uma
progressão pedagógica, conforme prevê o Manual C20-20 - Treinamento Físico
Militar que é o regulamento que organiza todo o TFM realizado no Exército
Brasileiro. Conforme o manual, o treinamento tem princípio, meio e fim e não
é uma salada de exercícios sem pé nem cabeça com objetivo de causar
sofrimento nos comandados, conforme vc colocou.
Cabe ressaltar que toda unidade do Exército conta em suas fileiras com um
profissional de Educação Física formado pela Escola de Educação Física do
Exército, que é o responsável pelo controle do treinamento.
Por fim, cabe à Giselle esclarecer melhor em que condições foi executado o
exercício que ela descreveu, se foi realizado durante o TFM ou em situação de
campanha (acampamentos).
Desde já coloco-me à disposição da Giselle para auxiliá-la no trabalho que
pretende fazer, tendo em vista que no ano passado defendi a minha dissertação
de mestrado na Universidade Castelo Branco, sob a orientação do Prof. Dr.
José Fernandes Filho, sob o título "EFICÁCIA DO TESTE DE FLEXÃO E EXTENSÃO DE
BRAÇOS, CORRIGIDO PELO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL, NA DETERMINAÇÃO DA
RESISTÊNCIA MUSCULAR LOCALIZADA ABSOLUTA EM MULHERES DO EXÉRCITO BRASILEIRO".
Agradeço a oportunidade e coloco-me à disposição para eventuais dúvidas.
Prof. Ms. Marco Antônio de Mattos La Porta Júnior
Capitão Instrutor da Escola de Educação Física do Exército
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
|