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A saudável Bebida das noites.

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Subject: A saudável Bebida das noites.
From: Darwin Ianuskiewtz <darwin_cev@xxxxxxxxxxxx>
Date: Tue, 14 Oct 2003 13:28:01 -0300 (ART)
Raves, discos, festas de embalo. O consumo das bebidas
energéticas é grande. Só que a mistura com álcool não
é boa, pois estimula, e muito, o metabolismo dos
consumidores. Mas pesquisas realizadas no laboratório
da USP mostram que os saudáveis esportistas podem
consumir os energéticos.


texto Aguinaldo Pettinati
consultores Luis GG Costa Rosa e Érico Caperuto


A maioria das pessoas conhece os energéticos como o
combustível da noite. Muito comuns em boates da moda,
jovens misturam-nos com bebidas alcoólicas para ter
?pique? durante toda a madrugada. Os fabricantes se
defendem dizendo que o produto não representa nenhum
mal para a saúde e que pode ser usado normalmente por
qualquer pessoa.

Para acabar com todas as dúvidas sobre essa bebida
?milagrosa?, que promete dar ?asas? e muita disposição
a todos os seus consumidores, resolvemos recorrer às
pesquisas feitas por dois cientistas do laboratório de
metabolismo do Instituto de Ciências Biomédicas da
USP, Luis GG Costa Rosa e Érico Caperuto.

Segundo os especialistas, ?os energéticos são bebidas
que têm em sua composição carboidratos, cafeína,
inositol, glucoronalactona, taurina, algumas vitaminas
e minerais, conforme a definição da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa)?.

Analisando uma latinha de um quarto de litro,
encontramos 80 miligramas de cafeína ? o mesmo que uma
xícara de café expresso; 1.000 miligramas de taurina ?
aminoácido desintoxicante e estimulante; 600
miligramas de glucuraronolactona ? desintoxicante; 25
miligramas de niacina ? faz bem para a pele e reduz a
produção de gordura. Mesmo assim, os energéticos não
servem para emagrecer, já que uma latinha possui
aproximadamente 112 quilocalorias. Ainda encontramos
nos energéticos as vitaminas B e carboidratos.

A taurina é um aminoácido conhecido há muito tempo,
essencial ao organismo. O excesso da substância não
causa problemas, pois o corpo a elimina naturalmente.
A cafeína pode causar a chamada dependência leve, já
que é normal tomar um cafezinho após as refeições,
Coca-Cola no jantar ou almoço e energéticos quando
saímos à noite. Mas o efeito é temporário e a pessoa
pode se sentir mal quando esses benefícios acabarem.

Estimulante

Os energéticos são considerados substâncias
estimulantes por causa da presença da cafeína em sua
fórmula. ?A cafeína é uma metilxantina
(1,3,7-trimetilxantina) com propriedades revigorantes
moderadas?, afirmam os profissionais do Laboratório de
Metabolismo do Instituto de Ciências Biomédicas da
USP. Portanto, no sistema nervoso central, os efeitos
da cafeína se expressam na forma de redução da
sensação de fadiga e de sonolência e em maior rapidez
de pensamento. 
Cuidado: ?Com doses elevadas, podem surgir sintomas de
nervosismo, ansiedade, insônia, tremores e
hiperestesia. A ingestão de doses de cafeína de 85 a
250 miligramas (equivalente a três xícaras de café)
aumenta a capacidade de manutenção de esforços
mentais?.

A cafeína, por se tratar de uma substância com poder
revigorante moderado, é a substância psicoativa mais
utilizada no mundo, presente em refrigerantes, café,
chá, cacau e seus derivados e chocolates, entre outros
alimentos. Segundo pesquisas de nossos consultores, a
ingestão de 6 mg/kg de peso corporal aumentou a
performance de esquiadores da modalidade
cross-country.

Hidratação

Mas o corredor não pode se enganar e consumir os
energéticos a fim de reidratar o corpo durante os
treinamentos e as competições. ?Não é o mais
aconselhável, pois eles não têm a proporção adequada
de carboidratos nem repositores eletrolíticos (sódio e
potássio), além de conter gás e cafeína, que
atrapalham o processo de absorção e hidratação. A
cafeína tem, por outro lado, um pequeno efeito
diurético, o que pode gerar incômodos?, explicam eles.

Contra-indicações

A não ser pela presença da cafeína, não existem
contra-indicações quanto à ingestão de energéticos. Se
compararmos, uma lata de energético tem a mesma
quantidade de cafeína que uma ou duas xícaras de café
expresso puro. Tanto corredores quanto indivíduos
sedentários podem ingerir energéticos sem restrições,
apenas com a preocupação em relação à cafeína, que
pode ter efeitos colaterais, como desconforto
gastrointestinal e aumento da freqüência cardíaca,
entre outros.
?Qualquer pessoa pode ingerir energéticos, exceto
mulheres grávidas, pessoas sensíveis à cafeína,
idosos, lactantes, cardiopatas e crianças?, afirmam os
pesquisadores.

Quem sofre de alterações cardíacas precisa ter
cuidados redobrados, porque a cafeína aumenta a força
de contração e a freqüência cardíaca, provocando
arritmias e taquicardias e aumentando ? e muito ? a
necessidade de oxigênio. Com isso, os cardiopatas que
consumirem energéticos podem até sofrer infartos e
morrer.

Tipos de energéticos

Qualquer mudança na fórmula dos energéticos é vetada
por uma portaria da Anvisa; isso é, muda-se a marca,
muda-se o sabor, mas a composição continua a mesma.

Nossos cientistas ainda explicam que há alguns anos
foi desenvolvida uma fórmula alternativa, com Pfaffia
paniculata, uma erva brasileira, sem taurina, com
comprovada ação ergogênica e segurança de uso, mas que
ainda está em observação pela Anvisa. 

Para que servem

?Eles funcionam como bebidas estimulantes, melhoram o
estado de alerta e diminuem a sensação de fadiga, além
de conter em sua composição os carboidratos, que são a
principal fonte de energia para o corpo?, avaliam.

Cuidados

Apesar de não haver contra-indicações, os energéticos
devem ser usados com cuidado, os mesmos cuidados que
se tem em relação à ingestão de café. A ingestão deve
ser limitada. ?Mas o energético é alternativo ao sabor
do café, que tem efeitos estimulantes semelhantes,
contendo ainda carboidratos, sendo, portanto uma boa
opção para quem precisa de um estímulo extra.?

Energético brasileiro

Sabidamente, as bebidas energéticas têm seu uso
associado ao consumo de bebidas alcoólicas. ?De fato,
à taurina, presente na fórmula dos energéticos, tem
sido imputado um papel de estimulante indireto do
consumo de álcool após condicionamento, em
experimentos com modelos animais (Quertemont et al.,
Alcohol, 16:201-206, 1998). Assim, o maior uso desse
tipo de bebida ocorre de noite.?

Foi na tentativa de criar uma bebida energética
voltada para o público fisicamente ativo que o
Laboratório de Metabolismo do Instituto de Ciências
Biomédicas da USP desenvolveu, com a empresa
Horizonte, uma fórmula sem taurina e com a adição da
Pfaffia paniculata, erva encontrada no Brasil, com
propriedades semelhantes às do ginseng.

?Essa formulação gerou um produto com efeito
ergogênico, detectado em experimentos com animais,
incapaz de interferir no consumo de álcool, inofensivo
à saúde e com as propriedades estimulantes da cafeína,
contendo ainda carboidrato, principal substrato
energético para atividades de intensidade
moderada/alta. Hoje, a possibilidade de
comercialização desse produto está sendo avaliada pela
Anvisa.?

Quem inventou

O empresário austríaco Dieter Mateschitz, em 1989,
importou do Japão um xarope usado contra o sono. Foi
então que surgiu o Red Bull, com o objetivo de deixar
os consumidores, sobretudo os esportistas, ?ligados?.
Na Europa, há mais de 60 marcas da bebida. São
autorizadas também nos EUA, onde se consome em média 1
milhão de latinhas por mês.


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